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E se o melhor fosse “animalizar”o parto?

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“Nascer é divino, parir é animal”. Li esta frase há algum tempo e tenho refletido bastante sobre ela. Depois das discussões geradas com o texto do “parto animalizado”, passei a analisar sobre como seria um parto animalizado.

A mulher para parir precisa conectar-se com seu interior, com seu feminino. Precisa liberar hormônios produzidos numa parte do cérebro extremamente primitiva, o hipotálamo. A ocitocina, o hormônio do parto, é um hormônio tímido, que tem sua produção e liberação inibida quando o animal se sente ameaçado. Isto quer dizer que a “humanização”, no sentido de trazer para o cérebro feminino no momento do parto a racionalidade humana, atrapalha a produção dos hormônios do parto.

Paradoxal? Pode ser. Mas hoje concluí, após uma conversa e muitas risadas com um casal gestante de 39 semanas, que, para entrar em trabalho de parto, a mulher precisa mesmo é se “animalizar”.

Com 39 semanas a mulher tem que conseguir se desconectar do seu “humano”: das preocupações que permeiam seu neocórtex cerebral, do mundo organizado, regrado, masculino. Esquecer das horas, dos compromissos, dos computadores, dos relatórios, dos emails, das cobranças.

Com 39 semanas a mulher, para entrar em trabalho de parto, tem que se “animalizar”.  Tem que voltar às suas raízes, ao seu estado primitivo. Tem que se abrir para receber um evento muito primitivo e nada racional: o parto.

O parto é uma função feminina fisiológica muito primal, muito mamífera, muito animal. Buscar racionalizar, calcular e planejar este momento pode aumentar a produção de hormônios relacionados ao medo e ansiedade e bloquear a produção de ocitocina, o hormônio do parto.

A ocitocina, o hormônio do parto, do orgasmo e da amamentação, precisa de “espaço” para ser produzido. Ele é muito potente, muito forte, afinal, promove os eventos mais emocionantes na vida do animal feminino mulher. Entretanto, por causa de sua “timidez”, sua produção pode ser bloqueada pela mulher “humanizada, moderna e masculinizada”.

Um parto animalizado é um parto fisiológico. É um parto livre, é um parto feminino. É o parto onde a mulher consegue liberar todo o seu potencial para a reprodução e maternidade. É um milagre! Como podemos nós, mulheres intelectualizadas, perfeccionistas, masculinizadas, trabalhadeiras, conseguirmos concentrar nossos corpos e mentes em um estado primitivo tal que nos leve a parir nossos filhos da maneira natural?

Como conseguimos vencer nossos medos e desligar nossos cérebros para parir nossos filhos?

Não sei. O que sei é que conseguimos. Toda mulher que quiser, consegue. Esta fantástica conexão com seu interior “animal” que vem junto com a desconexão com seu cérebro “humano” que resulta em lindos e prazerosos partos, que acabamos por chamar, paradoxalmente, de “humanizados”.

Se parir é animal, então, o que temos chamado, até agora, de “parto humanizado”, deveria mesmo é ser chamado de “parto animalizado”, pois este parto seguro, fisiológico, livre, perfeito, nada mais é que o resultado da perfeita dança hormonal e corporal que os animais, em nenhum esforço intelectual, têm.

Porque “nascer é divino e parir é animal”.

Quésia Villamil, médica obstetra do Instituto Nascer

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