Esse Bebê Não Vai Nascer, não?

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Esse Bebê Não Vai Nascer?

Dez Dicas Para o Final da Gestação

 

O final da gestação é naturalmente um período de muita ansiedade para o casal. A chegada do bebê significa uma mudança radical na vida de ambos e esse momento é esperado com entusiasmo e uma pontinha de medo. Quando a data prevista se aproxima, é comum ouvirmos as gestantes perguntando coisas do tipo: “como eu posso saber quanto tempo falta?””como eu posso ajudar o parto a começar logo?

 

Dica n°1: Não se apegue à data

 

A DPP (data prevista para o parto) é uma aproximação. Não existe maneira de saber exatamente a data da concepção (mesmo quando se sabe a data da relação sexual, pode haver uma diferença de horas ou até dias entre a relação e a concepção). O Ultrassom pode ajudar, quando feito precocemente (antes de 8 semanas). Nesse período, o feto ainda tem uma cauda, que vai diminuindo até desaparecer, e é ela que permite situar a gestação em uma data. Depois que a cauda desaparece, o feto já tem formato de bebê e passa a crescer e desenvolver seus órgãos internos, e então as diferenças individuais podem interferir no cálculo da DPP. Tem bebês que são maiores e outros menores, uns crescem mais rápido, outros engordam mais… questão de biotipo mesmo. Alguns bebês amadurecem mais rápido, enquanto outros podem precisar de mais alguns dias, ou até semanas na barriga! É por causa de todas essas variáveis que a DPP é um intervalo de tempo, e não uma data específica. Segundo o Colégio Americano de Obestetras e Ginecologistas, é assim que se classificariam os bebês nascidos no intervalo conhecido como “a termo” (entre 37 e 42 semanas):

 

Dica n°2: Não é possível saber se o bebê já está pronto para nascer

 

Infelizmente (ou felizmente?), o trabalho de parto ainda é um evento que detém muitos mistérios. O que desencadeia o trabalho de parto ainda não foi totalmente explicado. As teorias mais recentes apontam que é o bebê quem determina o incício do trabalho de parto. A partir do amadurecimento de seus pulmões e de suas glândulas supra-renais, o feto passa a liberar hormônios na corrente sanguinea da mãe, que são os responsáveis pelo início do trabalho de parto. Assim, o trabalho de parto é um indicador de que o bebê atingiu a plena maturidade pulmonar. Não é possível observar pelo ultrassom essa maturidade pulmonar, nem através de nenhum outro meio. O trabalho de parto é o único verdadeiro indicador de que o bebê já está pronto para nascer.

 

 

Dica n°3: O início do trabalho de parto não tem como ser previsto

Prever o início do trabalho de parto é impossível, simplesmente porque existe uma quantidade imensa de sinais que variam muitíssimo de mulher para mulher. Algumas mulheres têm dias e dias de contrações de treinamento e cólicas, têm alarmes falsos, dores na virilha, sentem o bebê encaixando, sentem o intestino soltar alguns dias antes do parto, perdem o tampão, sonham com o parto, outras não têm absolutamente nenhum sinal antes do parto, e engrenam diretamente no TP. Algumas mulheres apresentam afinamento do colo uterino, ou têm alguns centímetros de dilatação antes do parto. Outras não têm absolutamente nenhuma alteração do colo uterino antes do parto. Por isso que não adianta nada fazer toque toda semana para ver “como está o colo”, porque independente de como esteja, grosso, fino, posterior, com 1 ou 2 cm de dilatação, isso não dá nenhuma informação quanto ao tempo que falta para engrenar o trabalho de parto (trabalho de parto engrenado = contrações rítmicas).

 

Dica n°4: Lidando com as cobranças

 

Uma das queixas mais comuns das gestantes no finalzinho da gestação são as cobranças para que o bebê nasça logo. Familiares, amigos, colegas de trabalho, têm a péssima tendência a ficar ligando e mandando mensagens (às vezes todos os dias, várias vezes ao dia) para perguntar se a gestante está sentindo algo, se tem certeza que vai esperar, se não está colocando o bebê em risco, etc. Essas cobranças fazem muito mal às gestantes, que já se sentem naturalmente ansiosas com o parto, e muitas vezes são oriundas da preocupação e falta de informação das pessoas que cercam a gestante. É importante ter uma rede de apoio, presencial e/ou virtual, e contar com o apoio presencial de pessoas que não fazem este tipo de cobrança, pelo contrário, que compreendem e encorajam a decisão da mulher de esperar pelo parto, como uma Doula, por exemplo. É também muito importante compartilhar com a família, sempre que possível, os motivos que levaram o casal a optar por esperar o parto natural. É interessante em alguns casos fazer um encontro com a Doula e/ou a equipe contratada para acompanhar o parto e a família, para falar sobre as diferentes maneiras de apoiar a gestante nessa hora, minimizando a sua ansiedade ao invés de aumentá-la. Outra maneira de incluir e informar os familiares e amigos é convidando-os a participar de encontros de gestantes, onde poderão conversar com casais que já passaram pela experiência, assim como tirar suas dúvidas com Doulas e outros profissionais do parto. Em alguns casos, infelizmente, o casal não encontra apoio na família e nos amigos. Nesses casos, o melhor é não entrar em discussões que possam gerar um estresse desnecessário na reta final da gestação e treinar a famosa “cara de alface”.

 

Dica n°5: Mantendo a privacidade

 

O parto é um evento íntimo do casal, que envolve muita entrega e requer um ambiente protegido, onde a mulher-mamífera se sinta confortada, amparada e segura. Por isso, na maioria dos casos, os casais buscam que este momento aconteça com o máximo de privacidade, e com o menor número possível de pessoas. Isso às vezes pode gerar tensões na família e com os amigos, pois algumas pessoas vêem o parto com um evento familiar ou como uma celebração, e não entendem a necessidade de solidão de certos casais. Para evitar estresses desnecessários, alguns casais mentem a data prevista para o parto, apresentando a data de 42 semanas como se fosse a DPP (40 semanas). Outros iniciam um processo progressivo de introspecção, se afastam das redes sociais, respondem menos a telefonemas e mensagens, já deixam amigos e familiares avisados de que a partir de agora precisam de mais tempo para si mesmos e para dedicar integralmente à espera de seu bebê. Já vi até casos extremos de casais que mentiram sobre o local onde teriam seus bebês, caso a família não aguentasse esperar e decidisse aparecer por lá. Para um casal que deseja um parto natural e não conta com o apoio dos amigos e familiares, quanto mais ele se resguardar de divulgar informações sobre seus planos, melhor!

 

Dica n°6: Despedindo da barriga

 

Às vezes as mulheres ficam tão ansiosas com o final da gestação, que se esquecem de curtir o barrigão. Sim, eu sei, no final a gestação é cheia de desconfortos, achar posição para dormir não é fácil, e geralmente nesse momento a gestante já não aguenta mais estar grávida (9 meses é muito tempo). Mas é importante lembrar de uma coisa: 2, 3 semanas passam rápido, e podem passar-se anos antes da mulher poder sentir novamente dentro dela um bebezinho se mexendo. Quando converso com as mulheres após alguns anos do nascimento de seus bebês, elas sempre dizem que sentem muita saudade desses últimos momentos da gestação. Por isso, as últimas semanas da gestação não são um momento para se entregar à ansiedade, e sim um momento para aproveitar intensamente cada segundo. E documentar. É um momento muito bacana para tirar fotos e fazer vídeos da barriga se mexendo, da gestante dançando e rindo, dela contando como se sente, etc. para que mais tarde esses momentos possam ser recordados.

 

Dica n°7: Um clima de ocitocina

 

A ocitocina é o principal hormônio do trabalho de parto. Ela também é carinhosamente chamada de “hormônio do amor” pois faz parte integrante de nossas relações sociais, sendo liberada em momentos de entrega e confiança, como conversas agradáveis, abraços, carinhos, mostras de confiança e durante a relação sexual. A ocitocina é um hormônio que tem um efeito muito contagioso, ela promove as interações sociais e a sensação de apaixonamento. As últimas semanas antes do parto são um momento ideal para começar a criar um clima “ocitocinado” em casa. É um período muito bom para o casal passar momentos juntos, namorar, conversar, sair para passear, etc. É inclusive um bom momento para fazer amor. O sexo nas últimas semanas antes da gestação pode ajudar a preparar o corpo para o parto, pois o esperma contém prostaglandinas, que ajudam o colo do útero a amolecer e dilatar, e o orgasmo produz contrações uterinas, que podem ajudar o trabalho de parto a engrenar.

 

Dica n°8: Conectando-se com o bebê

 

Durante a gestação, mãe e filho estabelecem uma relação simbiótica muito intensa. A mãe sente o filho dentro dela, adivinha ele, compartilha de seus sentimentos a partir da troca sanguínea. É uma conexão muito íntima, e é uma relação que vai mudar radicalmente uma vez que o bebê estiver do lado de fora. Uma vez cortado o cordão, ambos estarão separados, e deverão se comunicar de outras formas, novas formas. Será um mundo de descobertas, e eles irão se descobrindo mutuamente. Mas é bacana aproveitar as últimas semanas da gestação para conversar muito com o bebê e explorar ao máximo a relação simbiótica que está por terminar. Explicar para o bebê o que vai acontecer no parto, como vai ser, ajuda a tranquilizar a mãe. Buscar meditar ou fazer rituais para o recebimento do bebê, como chás de bênçãos por exemplo, também ajuda a acalmar a mãe e permite reforçar ainda mais este vínculo.

 

Dica n°9: Mas tem como induzir o parto?

 

Existem maneiras de tentar ajudar o parto a engrenar e evoluir mais rápido, mas a verdade é que nenhuma indução, nem as medicamentosas, funcionam quando o bebê ainda não está pronto. Alguns dos métodos mais utilizados são os 3 Hots (banho quente, comida picante e sexo) e as atividades físicas, como caminhar, nadar e dançar. Geralmente é indicado começar a utilizar estas técnicas quando o corpo começa a dar os primeiros sinais de trabalho de parto (pródromos: contrações fracas e irregulares, cólicas como cólicas menstruais, perda de tampão) ou então quando a gestante passa de 41 semanas de gestação. Também é possível usar acupuntura e moxabustão, porém estas técnicas precisam de um profissional habilitado para aplicá-las.

 

Dica n°10: Abdicando do controle

 

O fato é que não existem maneiras de prever quando acontecerá o parto, nem como ele vai evoluir. O parto não está nas mãos da mulher. Para parir, ela vai precisar aceitar isso e se entregar ao parto. Ela terá que abdicar do controle, e isso é um grande desafio. Acredito que seja o maior desafio da maternidade para muitas mulheres. Após o nascimento do bebê, muitas coisas não poderão mais ser controladas. O parto é uma aprendizagem para a maternidade, é o momento onde a mulher precisa conectar-se consigo mesma e aceitar que ela não está no controle, e se entregar. Se entregar para o “ser mãe”. Sem relógios, sem barreiras, sem limites…

 

 

Texto escrito por Adele Valarini – Extraído do Blog “Adele Doula”

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