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Existe Violência Pediátrica no Parto?

Os primeiros momentos após um parto, induz a maior produção de ocitocina e de outros hormônios que têm papel destacado na fisiologia do Amor Materno, nesta primeira hora o bebê estabelece suas primeiras ligações com sua mãe, contribuindo na criação de uma interdepência entre a mãe e seu bebê.

Para isto o contato físico é fundamental, ao nascer todos os estímulos do recém nascido estão abertos em intensidade máxima. O recém nascido entra no mundo com todos os seus sistemas sensoriais funcionantes e intactos. Eles podem perceber nuances emocionais em um grau profundo.

Para o bebê que ficou 9 meses dentro da barriga de sua mãe, ouvindo as batidas de seu coração, bebendo de seu liquido aminiotico, quando ele nasce a primeira coisa que ele quer ver é sua mãe . O único mundo que o bebê conhece é a mãe.

Neste momento o contato pele a pele, contato visual, é muito importante para a amamentação, para a formação de vínculo, podendo no máximo secar a criança, ou dar o pano para a mãe.

Qualquer intervenção é muito prejudicial, por isso é preciso fazer apenas o que for extremamente necessário. Mesmo havendo recomendações da Organização Mundial de Saúde – OMS para adiar os exames não essenciais, infelizmente é protocolo em diversas maternidades alguns procedimentos desnecessários e prejudiciais quando realizados de forma rotineira. Vamos listar aqui alguns desses procedimentos que você deve ter conhecimento:

1 – Corte prematuro do cordão umbilical

O cordão é longo para que você possa ficar com seu bebê na primeira hora sem a necessidade de cortar o cordão. O pinçamento imediato do cordão reduz muito a quantidade de sangue na criança.

A orientação da OMS é aguardar entre um e três minutos após o parto para cortar o cordão umbilical de todos os recém-nascidos. Aguardar o cordão parar de pulsar antes de cortar também é essencial e devemos prestar atenção que o mínimo não precisa ser a norma, é preciso avaliar a singularidade e a necessidade de cada bebê, e também respeitar esta primeira hora de formação de vínculo.

2 – Aspirações

Adotada como prática comum sem evidências que a apoiassem a sucção de rotina só foi pesquisada recentemente acerca de sua eficiência e possíveis danos…. Antes se recomendava aspirar todos os bebês, depois que começaram estudar descobriram que esta pratica não só é desnecessária mas é prejudicial.

Alguns consultores de lactação o definem como uma invasão oral similar a um estupro. A experiência para o bebê é: rápida, chocante, avassaladora, uma violação de limites.

Aspiração não se deve fazer, esta prática é restrita a pouquíssimos casos.

Não é necessário aspirar bebês saudáveis, nem colocar sondas na boca, nariz, ânus e vagina. A maior parte das mal-formações genitais podem ser observadas a olho nu.

3 – Uso do Nitrato de Prata nos olhos

O uso do colírio é realizado para prevenir a conjuntivite gonocócica, causada pela bactéria Gonococo, que pode ser transmitida através do contato com a vagina de uma mulher com gonorreia.

Essas gotinhas podem causar uma reação nos olhos ainda frágeis: é a chamada conjuntivite química. Em alguns lugares, caso a mãe comprove que não tem gonorreia e outras doenças bacterianas, é possível assinar um termo para impedir a aplicação do produto.

O Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam a profilaxia de rotina para todos os bebês. Estudos mais recentes apontam que o colírio de PVPI (Iodo Povidona) ou a pomada de Eritromicina seriam opções mais seguras e efetivas que o Nitrato de Prata.

Converse com seu médico se necessário realize antes uma cultura endovaginal, dando negativo a gonorréia coloque no seu plano de parto que não autoriza a profilaxia para Conjuntivite Neonatal em seu bebê.

4 – Aplicacão de Vitamina K

A vitamina K é um nutriente fundamental para o funcionamento normal do nosso corpo. Ela está diretamente envolvida na coagulação do sangue e no estancamento de sangramentos.

O objetivo da profilaxia é repor os estoques da vitamina K e assim evitar a ocorrência de sangramentos. Pode ser feita através da administração via intramuscular ou oral. Ambas com boa eficácia, sendo a administração intramuscular em dose única e a oral em múltiplas doses.

A profilaxia via intramuscular  é recomendada pela maioria dos centros de referência brasileiros e internacionais.

5 – Banho

Após o nascimento notamos uma substancia gordurosa que cobre a pele do bebê,  o “vérnix”  que proporciona proteção , ele NÃO deve ser retirado com banho.

O vérnix, será reabsorvido pela pele e normalmente desaparece sozinho em torno de 24 horas. Em poucas horas depois do nascimento podemos perceber a pele do bebê sem a camada protetora.

Em geral bebês mais maduros, com mais de 40 semanas apresentam menos vernix. Já os mais prematuros costumam nascer protegidos pela substância.

Durante a vida intrauterina, o vérnix protege a pele do bebê impermeabilizando e fazendo uma barreira contra ações bacterianas. 

A manutenção da barreira protetora da pele logo após o nascimento é de fundamental importância para uma boa adaptação extra-uterina, como também para uma boa termorregulação. 

Desta forma devemos evitar o banho precoce nas primeiras horas de vida. Hoje a recomendação mais científica seria aguardar no mínimo 12-24h para o primeiro banho do recém-nascido.

Hemmerson Henrique Magioni, Médico Obstetra e Diretor Técnico do Instituto Nascer – CRM-MG 34455

*Fontes: Ministério da Saúde / Sociedade Brasileira de Pediatria – SBP / Portal Bebês Ecológicos