Ganhei um irmãozinho, e aí?

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 Ganhei um irmãozinho, e ai?

 

 

Daniela Bittar,  Psicologa do Instituto Nascer

 

 

É comum observarmos no atendimento clínico com gestantes que o nascimento do segundo filho traz sempre preocupações aos pais quanto à possibilidade do primeiro  sentir ciúmes do novo membro que está por vir. Este “ciúme infantil” é um sentimento que não pode ser evitado completamente nas famílias, representando um estado relativamente normal no desenvolvimento da criança.

 

Diante do nascimento de um novo irmãozinho a criança sente que o mundo inteiro está interessado em outro ponto que já não é ela. Se vê abandonada, acreditando que não lhe querem mais bem. Nesta situação, é necessário que ela seja acolhida e cuidada. O comportamento explicitado pelos primogênitos nesta situação varia de criança para criança. Enquanto uns ficam mais nervosos e agressivos, outros se mostram mais tímidos ou chorões. Há ainda os que apresentam atitudes regressivas como: fazer xixi na cama, chupar o dedo, não querer comer sozinho, utilizar uma linguagem ou tom de voz infantilizado, como se quisessem ser novamente um bebê para garantir o amor dos pais frente à ameaça de perdê-lo com a chegada do irmão.

 

Algumas medidas podem ser tomadas para facilitar a passagem dos filhos por esta etapa da vida. A primeira delas é fazer com que a criança saiba com antecipação que está a ponto de ter um irmão e ir acostumando-a a idéia. A partir de então, envolvê-la nos preparativos para a vinda do irmão, deixando-a sugerir nomes ou levando-a em um exame de ultra-som. Descrever detalhes de como aconteceu a espera e a preparação para a sua chegada, mostrando-lhe fotos de quando ela nasceu. Isso a fará sentir como uma parte integrante do processo.

 

Uma atitude importante que deve ser tomada é a de realizar todas as mudanças na vida do irmão mais velho antes do nascimento do segundo filho, assim as perdas não serão correlacionadas com a chegada do irmão. Este não é o momento adequado para mudança de quarto, retirada de fraldas, desmame, ingresso na escola infantil, etc…Após o nascimento do bebê é aconselhável fazer com que o irmão mais velho participe dos cuidados com o recém-nascido para sentir que este também lhe pertence. Atribuir-lhe responsabilidades sobre o irmão também ajuda na integração.

 

Para elevar a auto-estima da criança, potencialize suas qualidades e as vantagens de ser a mais velha. Com isso é possível conceder-lhe alguns “privilégios” pelo fato de ser maior como, deitar um pouco mais tarde ou ir com os pais em lugares que seu irmão não possa ir. É fundamental também que a criança receba manifestações de carinho na presença de seu irmão menor.

 

A forma como os pais se comportarão com a vinda do novo bebê irá influenciar diretamente na maneira como o mais velho irá lidar com a situação. A paciência será imprescindível, pois o ciúme é uma reação emocional normal e tem que ser resolvido com muito diálogo e compreensão. É fundamental não ignorar os sentimentos da criança, oferecendo-lhe momentos de escuta, no qual ela possa verbalizar o que sente, sem recriminações; deixando-lhe claro que é natural ter sentimentos ruins em relação ao irmãozinho que está para chegar ou que já chegou. Desta forma ela se sentirá compreendida aliviando, assim, sua culpa.

 

Por mais que os pais e a criança estejam bem preparados é difícil eliminar por completo o sofrimento dos filhos mais velhos. Entretanto, o que se pode fazer é ajudá-los a vivenciar da melhor maneira possível essa nova situação, garantido-lhes sempre a certeza do amor materno e paterno.

 

 

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