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Lidia

         Dia 6 de outubro completei 40 semanas de gestação e a partir deste dia comecei a ficar ansiosa. Um pouco porque eu não esperava que ele chegasse tão longe e um pouco pelos comentários dos outros. Há quase um mês eu já estava sentindo contrações e já estava começando a dilatar, só que as contrações não evoluíam.
          Sexta-feira de manhã, dia 10 de outubro, fui à uma consulta com o Dr Hemmerson. Eu estava meio ansiosa e já com muita vontade de entrar em TP e de ver a carinha do Téo. Cheguei com um ultra-som feito no dia anterior. Fiz para provar que estava tudo bem e realmente estava tudo perfeito: placenta ótima, líquido amniótico limpo e em boa quantidade e até a circular de cordão que havia no último US tinha se desfeito. Este já não me preocupava pois o Ravi nasceu com circular e eu sabia que era tranquilo, mas sem era melhor ainda.
            Durante a consulta resolvemos fazer um pacote de estímulos naturais. Fizemos um estímulo manual (descolamento da bolsa) no consultório e depois fui para o Sofia Feldman e recebi os cuidados da Lilia e da Cleusa. Recebi um composto homeopático, escalda pé com ervas e massagem com lavanda nos pés. Tudo de bom! Durante o escalda pé eu senti várias contrações e achei maravilhoso. Pensei: Vai ser hoje! Eu já tinha falado isto várias vezes por causas das contrações que não evoluíam e para incentivar o Téo a nascer, mas naquele momento eu sentia realmente que estava chegando o tão esperado momento. Eu queria respeitar o tempo dele mas achei que um incentivo feito com tanto carinho e cuidado também não faria mal. Cuidei muito bem da gestação, de mim e do Téo durante os nove meses: fiz yoga, recebi massagens ayurvédicas com óleos, participei da Roda Bem Nascer e aprendi muitas coisas e li alguns livros inspiradores. Agora estava começando a cuidar do TP.
          Neste mesmo dia, por volta de 19:30 comecei a sentir as contrações mais regulares, de dez em dez minutos, ainda não eram fortes mas eram regulares. Liguei para o Dr. Hemmerson para ele se organizar. Liguei para os meus pais e combinamos de deixar o Ravi com os pais do Érico. Meus pais chegaram e ajudaram a olhar o Ravi. Eu arrumei algumas coisas que faltavam e fui para o quarto com o som, a bola de parto e um tapetinho de yoga. Deixei o ambiente meio escurinho, uma música suave com sons da natureza, som de cachoeira e pássaros e fiquei lá me movimentando sobre a bola, relaxando o quadril (dica da Alexandra-Doula). O Ravi entrou no quarto e também quis brincar com a bola, eu deixei ele participar um pouco daquele momento tão especial, depois meus pais o chamaram para irem para casa dos outros avós, ele ia dormir lá, me despedi deles e continuei ali por um tempo.  Fiquei de cócoras, me alonguei um pouco, recebi massagem do Érico e depois resolvi tomar um banho. Como é bom sentir a água morna caindo nas costas, é muito relaxante. Estava tudo muito tranquilo, as contrações leves e regulares.
O Érico entrou no banheiro e falou que era melhor irmos para a maternidade pois ele não queria fazer o parto e estava com medo do menino nascer no caminho. Antes de sair ainda fizemos um lanche leve, tomei um chá com biscoitos e torradas.
          Finalmente fomos para a maternidade Santa Fé. Chegamos lá por volta de 23:30 e procuramos o médico de plantão. Demorou um pouco para sermos atendidos pois ele estava atendendo outro casal. Ficamos na sala de espera e quando vinha a contração eu ficava de cócoras e respirava fundo. Agora as contrações já estavam um pouco mais fortes. Quando ele me atendeu eu já estava com 5 de dilatação. Ele mesmo ligou para o Dr. Hemmerson e nós voltamos para a recepção para  preencher os formulários. A maternidade estava muito tranquila, poucos funcionários e quase ninguém aparecia nos corredores. Achei isto ótimo, pois eu ficava de cócoras no meio do corredor sem constrangimento. Pensei: Que bom que o Téo resolveu nascer de madrugada. Quando fui para o quarto já era mais de meia-noite e eu já fui procurando o chuveiro de novo. O Dr. Hemmerson chegou e eu já estava com 6 de dilatação. Conversamos e ele falou sobre a evolução das contrações, que normalmente dilata 1cm a cada 1hora ou 1h e meia. Eu rapidamente fiz o cálculo e pensei que o meu TP não iria demorar tanto mas não falei nada. Nesta fase eu fiquei quase todo o tempo de 4 apoios, movimentando o quadril e recebendo massagem nas costas durante as contrações. De repente a bolsa estourou e como eu estava de 4 apoios, a água desceu como uma cachoeira. Foi muito bom, na hora certa. Foram chamar o Dr. H. pois ele tinha ido buscar a bola de parto. Eu resolvi, pela terceira vez, ir para o chuveiro. Como a água morna é fundamental neste processo, como é relaxante e prazeroso. De repente senti uma força imensa, senti a cabeça do Téo querendo sair. Lembrei de uma amiga que teve o bebê no chuveiro e pensei que ele iria nascer ali como o bebê da Flávia. Era algo muito forte, que eu nunca havia sentido. Resolvi sair do box e sentei no vaso, aí fiquei com medo dele nascer ali e de como eu iria fazer. O Dr. H. chegou, eu estava com 9 de dilatação. Eu fiquei muito feliz, pois a evolução foi muito rápida, de 6 para 9 em pouquíssimo tempo. Fomos para a sala de parto. A cadeira de parto já estava preparada e o ambiente com pouca luz como eu havia pedido. Me acomodei na cadeira. Escutei alguém falando que iria chamar o anestesista e o Dr. Hemmerson falou que não precisava. Fiquei novamente muito feliz pois nem precisei ver a cara do anestesista, ninguém me ofereceu a anestesia desta vez. Continuava a sentir aquela força incrível. Como era maravilhoso ver a inteligência do corpo atuando. Eu não precisava fazer força, quando a contração vinha, a força de expulsar o bebê vinha junto, não tinha como evitar, acontecia. Muito diferente do parto do Ravi, que apesar de ter sido normal eu acabei aceitando a anestesia e quando me mandaram fazer força eu tive dificuldade, como se tivesse esquecido como fazer força.
              Eu o sentia cada vez mais baixo, sentia o caminho se abrindo para ele nascer. O Érico estava ali do meu lado, e quase na hora do Téo nascer chegaram a Drª. Soraya – pediatra e a Alexandra – doula. No momento do Téo nascer eu lembrei da palestra do Dr. Lucas, quando ele falou do círculo de fogo. Eu senti uma forte ardência e não me contive, gritei!!! Ele nasceu e eu senti e vi ele nascendo, a cabeça saindo, depois o corpo. Tudo perfeito!!! Ele foi entregue nos meus braços ainda com o cordão ligado ao meu corpo. Eu segurei o Téo bem próximo do meu corpo, ele estava escorregadio, eu estava muito emocionada. Foi um momento lindo! O Érico cortou o cordão e eu amamentei o Téo ali mesmo na sala de parto. Depois a Drª. Soraya examinou o Téo.  Não pingaram o nitrato de prata, só limparam a boquinha dele e passaram um óleo no seu corpo. Não deram banho, pois eu queria dar o primeiro banho nele. Enquanto ele estava sendo cuidado eu recebi alguns pontos pois tive uma pequena laceração, bem menor do que uma epísio. Quando saí da sala de parto colocaram o Téo na maca do meu lado e saímos todos juntos e felizes: papai, mamãe e o Téo. Ele nasceu às 3:14 do dia 11 de outubro de 2008, lua crescente, uma noite agradável e com um céu limpo e estrelado. Nasceu com 3.200g e 49.5cm. Quando chegamos no quarto eu estava cheia de energia, amamentei novamente o Téo e não me cansava de apreciá-lo. Meus pais estavam lá babando no novo netinho. A Alexandra me ofereceu água, eu estava morrendo de sede, bebi a água com muita vontade. O Dr. Hemmerson também passou lá e estava tudo ótimo. Todos foram embora, ficamos apenas nós três: eu, o Érico e o Téo, o dia estava amanhecendo e eu não queria dormir. O Érico me obrigou a deitar e descansar um pouco. Ele estava muito cansado, deitou e dormiu e eu fiquei deitada ouvindo os sons vindo lá de fora. Alguém na rua comentou: Que dia lindo está fazendo hoje. Eu pensei: Realmente, hoje é um dia lindo, maravilhoso!!! O Sol brilhava forte e o meu filho brilhava também como uma luz trazendo felicidade para todos ao seu redor.

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