Parto de cocoras ancestral e modernissimo

Esta publicação foi postada em Blog no dia por .

    A HISTÓRIA DA OBSTETRICIA

A história da humanidade mostra que as mulheres sempre pariram de cócoras e que, a partir do sécuo XVII, sob influência da corte francesa, elas passaram a parir deitadas, as parteiras sairam de cena e os obstetras ocuparam lugar de destaque nos partos. Ao invés do obstetra ser um observador atento, vigilante aos partos que se tornam patológicos, este tenta superar a própria natureza, intervindo muitas vezes sem necessidade no parto que evolui naturalmente. “Dentro de um contexto patriarcal (machista), o homem expropriou o parto das mulheres.'” Dr. Marco Aurélio Valadares, o introdutor do parto de cócoras em Belo Horizonte, conta aqui a história da Obstetrícia.

          A CORTE FRANCESA DEITOU AS MULHERES

“A Obstetrícia ocidental tem suas raízes na Europa do século XVII e Mauriceau, obstetra francês, é considerado o criador ou o “culpado” por ter sido o primeiro a encorajar as muheres a adotarem uma postura em decúbito dorsal. Na verdade, esta posição tornou-se conhecida como posição francesa, em contraste com a posição deitada em decúbito lateral, utilizada na Inglaterra e conhecida como posição inglesa. A princípio, a postura deitada ou reclinada era recomendada no momento do parto, porém, durante os três séculos seguintes seu uso foi firmemente estendido para abarcar o trabalho de parto também.

A história e antropologia revelam que desde suas origens até o presente as mulheres em sociedades sem influências da obstetrícia ocidental quase universalmente adotaram alguma forma de postura ereta no parto. Elas ficavam penduradas, agachadas, sentadas, ajoelhadas ou de cócoras, frequentemente mudavam sua posição durante cada contração.

Desde 3.000 anos a/c, mostram-se partos atendidos  em posição vertical. Deusas da Fertilidade do México eram esculpidas parindo de cócoras. No México e na África as mulheres se agarravam a uma corda para parir. Na Arábia, Pérsia, Rússia e ainda nos Estados Unidos, na época colonial, todos escolhiam posições em pé ou de joelhos para terem seus filhos.

A cadeira de parto é relatada em várias papiros médicos e encontrados restos em pedra, na Casa de Partos em Luxor, próximo ao ano 1450 a/c. Os assírios (1100-606a/c) também usavam a cadeira obstétrica. A Bíblia faz referência sobre cadeiras usadas pelas parteiras judias entre 700 e 140 a/c (1º Capítulo do livro do Êxodo). Na Grécia antiga, Hipócrates, que era filho de uma parteira, recomendava o uso da cadeira especialmente para facilitar partos difíceis. Esta era também a recomendação de Soranus de Éfeso (98-177 d/c) que fez descrição da cadeira obstétrica mostrando seu valor para a prática médica. Na Europa, existem evidências que mostram seu uso até o final do século XIX.

                          

                            NA MODERNIDADE

E foi nessa época, final do século XIX, que dois obstetras se posicionaram pelo retorno à posição vertical e pela reutilização das cadeiras de parto: Engelman e Alfeld. Outros obstetras efetuaram pesquisas sobre parto de cócoras e foram grandes incentivadores das cadeiras obstétricas.

Como exemplo, citamos Roberto Caldeyra Barcia, do Uruguai, com seus trabalhos sobre parto sentado; Moysés Parcionick (já falecido) e seu filho Cláudio Parcionick por seu pioneirismo em implantar um hospital de parto de cócoras em Curitiba e desenvolver e divulgar pesquisas sobre parto indígena. E ainda, Dr. Hugo Sabatino, da Unicamp, que também fez intensa pesquisa sobre parto vertical. Em Belo Horizonte, a primeira cadeira de parto de cócoras chegou na década de 80 e foi comprada na Clínica Parcionick. Eu e Dr. Emerson Godoi fomos os primeiros em Belo Horizonte a utilizar a cadeira de parto de cócoras.

Portanto, “o parto de cócoras é ancestral e moderníssimo”, talvez o parto desse novo milênio com a mulher assumindo uma posição ativa diante do mundo e da capacidade de parir um novo ser”

Esta é Lidia Lopes, professora de Yoga. Seu último parto foi de cócoras, assistida pelo Dr. Hemmerson Magioni, na Maternidade Santa Fé.

(Artigo feito por Dr. Marco Aurélio Valadares para o Jornal Bem Nascer-Out/nov/2001)

Para mais informações entre em contato pelo telefone (31) 3262-3538