Daniela Monteiro de Catro

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Uma gestação linda. Nada de enjoo, azia, dor nas costas, pés inchados… Sentava no chão para brincar com os sobrinhos, e trabalhei até o finzinho.
No dia 14 de julho, então com 40 semanas e 2 dias, tive consulta! Fui para BH acompanhada pelo meu pai e irmã (as malas – e a máquina fotográfica – já ficavam no carro desde as 38 semanas). Fui examinada e a Dra Quésia falou que não íamos ficar esperando muito mais tempo. Me deu algumas opções. Romper membranas ali, na hora, ou esperar até sexta para romper as membranas… e aí, se até segunda, dia 20, ele não tivesse nascido, ia induzir o parto. Fiquei com medo da dor de romper as membranas, e preferi esperar até sexta. De lá fui para o shopping. Eu e Gisele rodamos o shopping até fechar… batendo perna pra cima e para baixo… supermercado, lojas de roupas, provadores, experimenta, troca, compra… nesse meio tempo saiu um sanguinho, sem dor nenhuma, mas a Dra Quesia já havia me avisado que poderia sangrar um pouquinho devido ao exame de toque ter sido mais profundo. Tudo bem então…
Voltamos para Ouro Branco as 11 da noite. Cheguei, falei “oi” com minha mãe, com os peludos da casa, ajudei a guardar compras, conversei um pouco, e fui fazer xixi…. aí eu vi sangue… bastante sangue, e nada de dor. Eu via o sangue caindo no vaso. Fiquei apavorada, pensando que tinha algo errado, comigo, com o Bento… pedi que minha mãe ligasse para a Quésia, expliquei o que estava acontecendo, e ela pediu que eu voltasse para BH, que ela iria me examinar.
Aí comecei a sentir dor… Meu Deus… realmente tinha algo errado comigo. Sangue e dor… eu devia star morrendo! Era muita dor… pegamos o carro e voltamos para Belo Horizonte. Meu pai dirigindo, e Gisele no banco de trás do carro comigo. Doía muito… parava de doer um pouco… aí começava a doer de novo. Eu estava com tanto medo de ter algo errado comigo, que demorei para me tocar que isso era meu filhote chegando. Primeira coisa que pensei foi: legal, ele escolheu o dia que eu queria! Louca! Quando percebi que ele ia nascer, percebi também que as contrações estavam muito, mas muito próximas umas das outras… 1 minuto e meio de intervalo. No meio do caminho comecei a achar (e gritar) que Bento ia nascer no carro (por que eu entendia que contrações frequentes significam dilatação grande)! Mas ele não nasceu no carro… rs… chegamos na Maternidade à 1 da manhã, exatamente 1 hora depois de termos saído de casa.
Há? Meu pai correu hein?
Mario e a Dra Quesia estavam me esperando na porta do hospital.
Bento devia estar saindo já né? Rsssss…. Fui levada para a suíte de parto e examinada. Estava com apenas 4 cm de dilatação, mas tinha mecônio no líquido, e o coração dele estava mais fraco que deveria. Me deu muito medo…
As contrações doíam muito, e eu não conseguia pensar quando vinham, e Odete, a enfermeira/doula, me colocou na bola, debaixo do chuveiro, o que achei bem gostoso. Quando a Quésia perguntou se eu queria anestesia, não soube responder, pois não queria sair dali debaixo do chuveiro…
Mas os batimentos dele não estabilizavam, e provavelmente eu iria para cesárea. Então me tiraram do chuveiro, pois a anestesista já estava me esperando. Que medo dela… alta, séria, dura (diferente da equipe tranquila e amorosa que me acompanhava desde o comecinho da gestação). Vira pra cá, vira pra lá, chega pra frente, e de repente, sinto a pior dor que já senti na vida! Um choque, que parecia que minhas duas pernas estavam se rasgando. Gritei mais que em todas as contrações, e Mario deu uma bambeada (caiu no chão, branco que nem uma folha de papel – é claro que eu não ia deixar de falar isso…rs).
Fizeram um pouco de anestesia em mim, e continuaram me avaliando… a Quesia pediu que o Dr Hermmeson fosse me avaliar também, para decidirem juntos se eu iria para a cesárea ou se esperaria o parto normal. Fiquei lá, com as pernas idiotas que não me obedeciam, esperando, ganhei massagem, acupressão…. Eu pedia água o tempo todo, que desespero sentir sede! Neste meio tempo o coração dele estabilizou, e a cabeça, que não estava encaixada direitinho encaixou! Ótimo, eu teria o parto normal!
Ótimo???? Que medo!!!
A anestesia tinha passado e as dores voltado!!!! Mas não me deram mais nenhuma droga mágica para tirar a dor… Com a dor voltando, não conseguia mais ficar deitada (é horrível, dói muito mais… ainda não sei como tem mulher que consegue parir nesta posição) e pedi que me ajudassem a sair dali. Colocaram o banquinho de parto para que eu ficasse sentada. Ali finalmente eu ganhei um copo de água gelada… nossa que delícia! Eu não sei muito bem quanto tempo fiquei ali. Tinha vontade de fazer força e fiz… uma vez… coloquei a mão para sentir a cabeça dele… duas vezes… três vezes (não me lembro de uma quarta vez)… e saiu a cabeça dele… empurro mais uma vez, e meu pequenino já estava no mundo exterior! No dia 15/07/15, às 5 da manhã, no momento dele, depois de 5 horas de trabalho de parto, com o pai, madrinha e avô pertinho, e muito amor…
Mas eu não conseguia pensar, ou respirar, ou chorar, muito menos sorrir… pois não ouvi o choro dele… não o vi mexendo…
Cortaram o cordão rapidinho e o levaram correndo para a mesa de exame. Não sei se ele estava respirando ou não… só sei que ficou tudo em suspenso e eu só consegui respirar quando ouvi seu choro! Assim que ele estava melhor, tentaram colocar ele no colo do Mario… mas reivindiquei, e pedi que viesse pra mim. Colocaram ele no meu colo rapidinho, ficou uns minutinhos, e o levaram para a incubadora, onde ficou em observação por uma ou duas horas, para esperar o nível de oxigenação subir a níveis normais… depois veio para meu colo… de onde não saiu mais… e não vai sair tão cedo!!!