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Priscila Costa

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Durante as mamadas, a cada bom dia, em todas as ninadas, fico olhando pra ela a beira de não acreditar. Enquanto morro de amor pelas dobrinhas da orelha e dos dedinhos, pelos cílios dos olhinhos, penso: ela saiu de mim! Ainda não encontrei termo melhor que ‘dar a luz’. Quando me lembro do Dr Hemmerson me chamando dizendo ‘Vem ver, ela ta chegando!’ só penso em uma luz intensa tomando conta de mim e da suíte de parto onde ela nasceu.
Minhas contrações duraram boa parte do dia 26 de fevereiro. Uma 6a feira em que mantive rotina normal de atividades dentro e fora de casa, pois já tinha sido informada sobre as fases do trabalho de parto e eu estava decidida a não passar horas no hospital esperando as contrações virem. Queria ficar em casa, na rotina de atividades que acabam te fazendo esquecer dos incômodos e ir para o hospital realmente só na reta final. Essa decisão tomada no início da gestação foi tão importante que viria a desenhar todo o meu trabalho de parto 39 semanas depois. A sensação das contrações é muito diferente da sensação na hora da expulsão do bebê. Por isso, manter minha rotina em casa e aliviar as cólicas com massagens e banhos quentes me fez passar por essa etapa sem qualquer necessidade de anestesia. Quando minhas contrações já vinham de 3 em 3 minutos, conversei com o Dr Hemerson e decidimos ir para o hospital. Nessa hora parece que meu corpo ouviu e rompeu a bolsa assim que desliguei a ligação. Era hora! Meu WhatsApp informando que somou-se ao quadro a bolsa rompida foi respondido pelo meu médico com emojis de coração e uma mensagem de ‘parabéns seu bebe esta chegando’ com muitas exclamações que me encheram de força e confiança, afinal emojis são tranquilizadores rsrsrs.. Não foi uma msg séria adicionando tensão ao momento. Foi uma msg festiva e leve.
O caminho para o hospital foi doído, o carro, as ruas irregulares e a bolsa já rompida me fizeram chegar ao hospital bem incomodada. Meu (super) médico me esperava na porta e me ajudou a subir um pequeno lance de escadas alegando que ‘subir escadas garante mais 1cm de dilatação’. Rsrs. Mais descontração que me ajudava a sentir que estava tudo bem: dava até pra brincar! Chegando na suíte de parto o exame mostrou que eu estava com 8-9 cm de dilatação! Eu só pensava em conhecer o rostinho do meu bebê e em segurá-lo nos braços. E como eu disse, a sensação da expulsão é  de menos dor e mais um alargamento e uma rápida queimação do corpo. Nessa hora, honestamente, nem lembrei que existia anestesia. Ao final do trabalho de parto eu faria todos rirem ao dizer que se eu lembrasse que existia anestesia talvez eu tivesse pedido. Mas realmente, na expulsão não senti necessidade. E por isso eu não queria passar as contrações no hospital porque aí eu teria tempo para pedir todos os procedimentos disponíveis – e eu não queria isso. Contrações vencidas em casa, para o hospital só restou a rápida fase da expulsão durante a qual não senti necessidade a ponto de nem me lembrar que anestesia existia. E assim, em um parto naturalmente lindo e emocionante, a Laura chegou. Dr Hemmerson me chamava para eu ver ela chegando e ainda bem que fez assim, caso contrário seria difícil acreditar naquele milagre que se opera bem diante dos seus olhos e dentro do seu corpo.
Dias antes do parto eu imaginava como seria o momento e pensei: gente, ela vai sair de mim mesmo? Sim, vai. Somos feitas pra isso. Podemos pensar que não e ter uma desistência mental. Mas nosso corpo nunca desiste. E está pronto e programado para isso de forma muito natural. Pude acompanhar a cabecinha dela chegando, os ombrinhos, barriga, perninhas  e o choro! Meu Deus. Nunca senti tanta emoção. A vida é mesmo linda. Ela veio pro meu colo imediatamente e nos abraçamos. Sim porque ela apertava meu peito com aquelas mãozinhas muito fortes. Tudo é natural. O cordão ficou ligado entre nós até parar de pulsar. E ela chorou até ganhar 9.9 no exame apgar e depois ficou quietinha comigo. Jurei nunca mais me separar dela.
Em poucos momentos da sua vida a mulher é tão protagonista como durante o parto. Há que se conectar com seu corpo e atender o que a natureza e o instinto pedem que seja feito. Estudei, li, treinei, perguntei, ouvi. Impressionante como na hora de seguir o instinto todas as informações vêem a nossa mente te ajudando a atender e entender o que o corpo pede. Estar atualizada e bem informada é, sem dúvida, essencial para estarmos seguras e confiantes para sentir e responder ao chamado da natureza. E ter, assim, um parto naturalmente lindo e emocionante como o meu.
Por tudo isso, entendi que ser protagonista não é só ir lá e fazer acontecer. É ser apoiada e incentivada a fazer acontecer. A consequência é uma gratidão profunda e doce a tantas pessoas que de alguma forma contribuíram para o meu parto. Em especial, sou imensamente grata a minha mãe, que tanto me acompanhou durante a gestação, fez massagens em mim durante a fase mais dolorida das contrações e me levou ao hospital dirigindo a noite sob grande pressão de quem guia uma grávida parindo; gratidão ao meu amado marido que esteve ao meu lado durante as 39 semanas mais felizes e sensíveis que eu tinha tido (até aquele momento) e que ainda teve a missão de receber dois filhos quase simultaneamente  (um vindo sozinho de uma viagem para Belo Horizonte só podendo ser recebido pelo pai e outro nascendo ao mesmo tempo) fazendo-o correr como louco para chegar ao hospital e ficar ao meu lado, segurando firme na minha mão, no exato momento em que Laura vinha ao mundo; sou profundamente grata ao Instituto Nascer – fisioterapeutas, doula, enfermeiras, recepcionistas, médicos,  nutricionista, educadora física – e, em especial e com muito carinho e gratidão  ao meu médico Dr Hemmerson que tanto me apoiou,  me respeitou, me ouviu e me orientou; gratidão à tantas mulheres que compartilharam comigo suas histórias,  intimidades e carinho como forma de me encorajar e dizer: vá em frente, não tenha medo, você foi feita pra isso e seu caminho na missão de multiplicar o amor está só começando.

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