daniela had

Daniela Rad

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daniela had
Há dois meses, nascia Gabriela Rad Azevedo. Minha cria veio ao mundo no dia e hora que ela mesma escolheu e da maneira que eu, o pai e ela escolhemos.
Desde antes mesmo de ficar grávida eu já queria saber tudo sobre parir, fosse conversando com as mães amigas recém-paridas, fosse lendo sobre um assunto que já me fascinava desde sempre: o corpo humano, sua  capacidade de gerar e colocar pra fora uma vida completamente nova.
E lá estava eu, grávida de 39 semanas e 5 dias e com as duas maiores armas que eu poderia ter: meu corpo saudável e muita informação.
No início da gravidez quando escolhi a equipe que iria me acompanhar no pré natal e no parto eu já sabia o que eu queria e fui de encontro a isso. Pra mim era muito importante uma equipe médica que me assistisse e que me incentivasse a usar toda a minha capacidade natural de parir,  pra que eu pudesse conhecer, explorar e acreditar na minha força  que me faria  parir com o que a natureza me deu.
A fase latente do meu trabalho de parto começou às 23h30 do dia 11/2 quando a bolsa se rompeu. Como eu tinha um resultado positivo para estreptococos precisava tomar um antibiótico que protegesse a neném de uma possível contaminação ao passar pelo canal do parto. Assim, precisei ir para a maternidade mesmo sem contrações e caso  tivesse com menos de 3cm de dilatação o protocolo  era que o parto fosse induzido já que eu não poderia esperar muito tempo com a bolsa rota. Ao chegar meu obstetra me examinou e eu estava com 3cm de dilatação, sem dores ou contrações. Decidimos internar e ir medindo a dilatação dali há três horas para ver como ia evoluir. Foi o primeiro momento em que fui consultada e pude decidir o que eu queria: induzir ou deixar o corpo produzir a ocitocina naturalmente, no seu tempo. Optei por não induzir e dali há duas horas já tinha aumentado pra 5cm de dilatação. O trabalho de parto foi evoluindo com contrações pouco ritmadas e dores leves. Até o início da fase ativa, quando já estava com 7cm e a frequência das contratações ia aumentando eu dormi, comi, conversei e ri com meu marido, ouvi música e relaxei.
Quando as dores começaram a vir mais fortes e mais intensas eu estava descansada e isso me permitiu que eu me entregasse por inteiro aquele momento. O corpo começou a dar sinais de exaustão quando já estava com 9 cm, foi quando pedi a analgesia. Já não dava tempo, pois estava na suíte de parto e precisava ir para o bloco cirúrgico. Nesse momento a vontade de expulsar era muito forte. Gabriela estava pronta pra sair e desse momento em diante eu me entreguei àquela dor que faria com que minha filha viesse para o mundo. Eu sempre quis saber como era sentir a tal dor do parto e ali estava eu, abraçada com aquela dor, que acabou tomando outra forma daquela que sempre me diziam ser a pior dor do mundo. Pra mim não foi a pior mas a mais intensa. Não foi a pior dor porque dei outro significado a ela. Era daquele jeito que meu corpo havia sido feito e estava preparado pra parir.
Decidi entrar na banheira da suíte de parto como forma de aliviar a dor já que não tinha mais posição que eu ficasse confortável. Quando estava entrando tive muita vontade de expulsar e naturalmente tive vontade de agachar. Ali eu tive certeza que Gabriela estava pronta pra sair. Foram mais 3 ou 4 contrações dentro d’água e minha filha veio pros meus braços às 15h15 do dia 12/2. Gustavo cortou o cordão e em seguida a segurou e acompanhou todo o procedimento pediátrico enquanto eu expelia a placenta. Em seguida, Gabi veio pro meu colo e mamou muito, por quase 1 hora. De lá, subimos juntos para o quarto, eu, Gabriela e Gustavo onde nossa família nos esperava ansiosos.
 Desde a bolsa rota  até o nascimento da Gabriela passaram-se pouco mais de 15 horas. Eu não vi esse tempo passar. Eu realmente me entreguei por inteiro e não teria conseguido sem o apoio do meu marido, da minha doula, do meu obstetra e da enfermeira obstetra. Eu pude me entregar aos meus instintos porque eu estava tranquila e relaxada e porque todos ali acreditavam em mim.
Foi a experiência mais surreal da minha vida. Foi incrível. Eu realmente precisava viver isso nessa minha existência. Uma coisa que eu digo pra todas as grávidas que conheço: conheça seu corpo, saiba sobre ele e tudo que vai acontecer no trabalho de parto e daí sim faça suas escolhas. A informação é o que me deu confiança e que me deixou segura para ter um parto natural. A mulher precisa se colocar e se empoderar perante o seu parto, perante seu corpo e todas as escolhas que o envolve.
Eu agradeço ao universo por ter tido essa experiência e em especial: Gustavo Azevedo, meu amor e parceiro nessa jornada de vida, Hemmerson Henrique Magioni, meu obstetra e também parceiro nessa experiência incrível e à toda a equipe do Instituto Nascer, Rosana Cupertino, minha doula de coração que não pode estar na hora do parto comigo mas que me apoiou, me ouviu e me ensinou muita coisa durante o pré-natal, Bel Cristina que me atendeu maravilhosamente bem na urgência, cuidou de mim de uma maneira que eu nunca vou me esquecer e a enfermeira Virgínia, com sua atenção, carinho e disponibilidade durante todo o processo.
Daniela Rad Fonseca

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