Deborah Leão – Parto Natural VBAC

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Parto

Já faz um tempo que queria começar a escrever sobre a minha experiência de maternidade. Sei que não faltam blogs sobre o tema, morro de medo de chover no molhado, mas de vez em quando me vêm umas ideias, umas discussões que eu queria ter – e me desanima escrever no Facebook e entregar pro Mark o controle sobre quem pode ver.

Resolvi abrir um novo boteco. Escrever blog nos dias de hoje é meio anacrônico, mas até isso eu curti. Aqui posso fazer textão e postar mamilos (gente, é maternidade, como pensar na maternidade sem mamilos?). Bora sentar e tomar uma cerveja, daqui a pouquinho essa criança nasce e eu vou poder acompanhar vocês.

Sobre nascimentos, aliás. Estou agora me preparando para tentar um parto normal depois de cesariana. Vinícius nasceu em uma cesariana intraparto, depois de uma indução às 41 semanas de gravidez, que progrediu bem até chegar o momento de efetivamente colocar a criança pra fora – não rolou. A gente bem tentou, mas quando a frequência cardíaca dele caiu, jogamos a toalha. Foi um parto dois em um: contrações, dilatação, “força, força, força”, e aí centro cirúrgico, anestesia, corte.

Não posso reclamar da cesariana: minha recuperação foi tranquila, e depois dos quatro primeiros dias quase não sentia mais dor. Fiquei poucos dias no hospital (ele nasceu numa quarta de madrugada, tive alta na sexta), cicatrização foi boa, não tivemos qualquer problema na amamentação.

Ao mesmo tempo, não sei se estaria tão tranquila se não tivesse tentado. Se não tivesse dado a ele a chance de nascer por conta própria. Se não tivesse passado pelo trabalho de parto, e por todo o simbolismo disso como rito de passagem. Gravidez, na minha cabeça, é atravessamento. Sou atravessada por essa pessoa que me caberá como filho/a, e enquanto a gravidez não termina, só o que existe é ideia. Fantasia. Parto é a hora de acertar as contas com a realidade: fazer o luto da ideia e abraçar a pessoa que vem. Faz sentido pra mim que seja um processo, que venha com dor e incerteza, que exija resiliência – lá no final está um encontro que é pro resto da vida.

(Adendo importante: não, não vejo desvalor em quem prefere uma cesariana eletiva. As experiências de cada pessoa são muito diferentes, as expectativas, idem. Não acredito que o relacionamento com a criança seja definido pelo simples instante do parto. E penso que o primeiro passo para uma maternidade saudável é aprender a respeitar os nossos limites. O que estou falando aqui é da minha elaboração e da minha relação com gravidez e parto. Só.)

Se tivesse sido necessário fazer uma cesariana sem passar pelo trabalho de parto, eu também teria lidado com isso. Encontraria outras elaborações. Mas hoje sei que não  é a forma como prefiro passar pela experiência. Sendo uma pessoa controladora, passar pelo descontrole do parto me ajudou a estar pronta para o que viria. A maternidade exige da gente abraçar o caos.

E é provavelmente por ter conseguido me entregar ao incontrolável que a segunda gravidez está sendo tão mais simples. Se na primeira eu vivia ansiosa, tendo pesadelos e lidando com trocentos sentimentos conflitantes, agora estou calma. Já sei que não mando em nada. Procuro me cuidar, estou me preparando como posso para ter uma experiência de parto diferente (não posso mais ter o parto induzido, e o ideal é evitar o uso de analgesia), mas não gasto mais meu tempo em adivinhações. Abri mão inclusive de escolher de antemão o nome da minha filha, o que vai render outro post. Temos algumas opções, e se podemos esperar para olhar pra ela, por que não? Aprendi tanto sobre Vinícius logo naquele primeiro dia.

Que venha o que tiver que vir.

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