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Flávia Lage – Parto natural

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Desde que engravidei, sabia que minha ginecologista da vida, não faria meu parto, pelos motivos que eu já conhecia, e verdadeiramente, respeitava. Tentei não tocar no assunto até a 15ª semana, quando ela, terna, recusou e me orientou a procurar outro profissional ou mesmo parir com um plantonista. Como há 5 anos atrás havia passado por um CAF (foi retirado um pedacinho do meu colo do útero), não queria ter meu filho, tão esperado, com uma equipe desconhecida e talvez despreparada. Comentando sobre tudo isso no trabalho, com uma amiga, também grávida, Camila, ela me falou: “Flavinha, você tem que consultar com a minha médica, ela é ótima, um doce, você vai amar, tenho certeza” e me deu o telefone. Fiquei com o número na minha mesa, e enrolei. Poucos dias depois, ela me emprestou um livro e escreveu uma linda mensagem, e perguntou “você ligou no Instituto Nascer”, eu disse que não e ela ficou na minha frente até eu ligar e marcar. Cá, como eu te agradeço por isso.

Depois da primeira consulta com a Dra Quésia (fui acompanhada da minha irmã) eu tive certeza de que estava no lugar certo, sabia que estaria bem assistida e que minha vontade seria respeitada. Convencemos meu marido e comecei a devorar textos, livros, vídeos e frequentar cursos. Mergulhei de cabeça e alma no mundo da maternidade. Fiz sessões de fisioterapia e tive consultas com nutricionista, ambas no Instituto.

Trabalhei e dirigi até o início da 38ª., minha chefe me pediu para não estender mais. E ainda bem, que mesmo desconfiada, eu a escutei, trabalhei até a sexta-feira pré-carnaval, e já no sábado perdi o tampão. Não sei por que, mas achei que teria uma gravidez mais longa, até 40ª ou 41ª semana, talvez porque minha irmã (que seria a fotografa e acompanhante estava viajando), talvez porque não sentia dores e tampouco contrações de treinamento.

Em meu íntimo já sentia que estava me sentindo preparada para o que viesse, como viesse. Fui ao cinema em pleno carnaval, fiquei em casa curtindo marido, casa e cachorrinha. E já na quarta-feira de cinzas, com 38 semanas e 5 dias, acordei cedo com umas pontadas no baixo ventre, fui ao banheiro e vi que tinha traços de sangue, mandei mensagem para a Lena, minha doula querida e ela respondeu: “vai ser hoje a noite”.  Pensei: como ela pode saber, minhas contrações não estão ritmadas, podem ser de treinamento, mas ela sabe das coisas. Então fiquei um bom tempo pensando na gestação tranqüila que tive, pedindo a Deus para me dar força e me manter calma, olhei bem a casa e sabia que tudo iria mudar daquela data em diante – enfim “despedi” daquela vida. Esperei o marido acordar para contar o que tinha acontecido, falei para ele ir trabalhar, ele concordou e pediu que eu o avisasse quando estivesse com uma contração a cada 10 minutos, eu disse: “já estou, mas está muito tranquilo, sem dor, pode ir e nos falamos”. Minha irmã e cunhado, que já haviam chegado de viagem, e foram lá para casa almoçar comigo.

Depois do almoço, lá pelas 15h eu  tive certeza de que as contrações haviam engrenado um pouco mais, e avisei a Quésia. As 17h pedi ao marido que voltasse para casa pois teríamos que ir ao Instituto para uma avaliação. Para meu desapontamento, às 18:30 eu só estava com 3cm de dilatação, sabia que não seria tsunâmico, mas 3cm! De volta a minha casa, e lá pelas 21h fui para o chuveiro e não quis mais sair, doía, mas suportavelmente. Marido e irmã, àquela altura já impressionados, falaram com a Lena e para a minha alegria, a trouxeram para minha casa. Ela já chegou arrumando um banco para eu ficar mais confortável debaixo do chuveiro, pois eu tinha que guardar energia para mais tarde. Sua massagem me segurou por muito tempo. Queixosa decidimos que era hora de ir ao hospital.

Às 0:30h chegamos ao Mater Dei, e a Dra Quesia já tinha preparado a suíte de parto, com músicas e luzes relaxantes. Após confirmado que tudo estava certo comigo e com o bebê, tentamos aliviar as dores com bola, barra, e massagem relaxante, mas preferi voltar ao chuveiro. Eram 2h da manhã, quando a dor aumentou consideravelmente, e escutamos um “ploft”, era a bolsa rompendo. A partir desta hora as contrações começaram a ficar realmente dolorosas e diferentes. Sem saber com quantos centímetros eu estava, sentada na banqueta que definitivamente não estava me favorecendo, e pressentindo ainda umas 4 horas de trabalho de parto pela frente, pedi anestesia. A Lena, firme, me alertou que aquilo iria mudar todo o parto, disse que daquela hora em diante meu corpo trabalharia sozinho, me tirou do chuveiro e falou que eu teria que ser examinada antes de chamar o anestesista. (Eu não contei antes, mas quando fui escolher a doula, eu perguntei qual era a mais brava, a que não me deixaria tomar anestesia facilmente, que me ajudaria a seguir com o plano de parto até o final, para minha sorte, me indicaram a Lena). Enquanto a Lena chamava a obstetra eu pedi desculpa ao marido, a irmã e a mim mesma por ter desistido do parto natural dos meus sonhos.

Após a avaliação, por volta das 3h da manhã, confirmou-se o que a Lena já sabia, que eu estava com dilatação total. A Dra. Quésia, com toda sua doçura me disse que já sentia o neném bem baixo e que me assegura de que daquela hora em diante não seria mais tão dolorido. Eu confiei, me revigorei e pedi para mudar de posição, meu filho não nasceria na banqueta como pensava. Assim a Lena sugeriu a posição de Gaskin, que eu não conhecia, mas que já na primeira contração, me fez sentir que o meu filho estava bem perto. Entreguei-me e após umas quatro ou cinco contrações, e um calor de deserto, eu senti o círculo de fogo, como estudado, conscientemente comecei a dosar a força para evitar laceração. Eu estava de fato tão entregue ao momento que não vi nem a Karine (enfermeira obstetra do IN) e nem o pediatra e sua enfermeira assistente chegando a suíte de parto. Às 3:30h do dia 02 de março, nasceu meu Rafael e uma nova Flávia, eu só sabia repetir: “eu consegui, eu consegui…” e quando tomei meu filho nos braços, ahhh eu chorei, chorei de alegria, claro, por muito tempo. Ainda posso sentir a emoção daquele momento, inesquecível, indescritível e única.

O marido cortou o cordão umbilical, a Lena me ajudou a colocar o Rafael no peito, corrigiu a pega e então expulsei a placenta. Foi quando a Dra Quesia me falou e me mostrou que tinha mecônio; a Lena quando rompi a bolsa, viu com sua lanterninha que tinha mecônio, avisou a Quésia e ambas decidiram não me contar, eu adorei, porque saber daquilo durante o trabalho de parto poderia ter mudado totalmente o curso.

Depois do parto bebi, comi e enfim aceitei o melzinho que o marido havia me oferecido durante todo o TP (como me segurei para não lhe dirigir palavrões a cada oferta). Já menos eufórica, sem qualquer dor, fui tomar banho com a ajuda da Lena. Que noite maravilhosa!

Só tenho a agradecer a Deus, aos meus familiares, à Dra Denise que me acompanhou e me preparou a vida inteira para esse momento, a equipe do Instituto Nascer, em especial a Dra Quésia, Lena, Karine Ferreira, Renata, Carol, Thalita e Larissa, a Rachel, minha irmã querida que esteve o tempo todo ao meu lado, registrando os momentos e doulando (sem saber o que isso significava), ao meu amado marido, que lá no início da gestação estava muito resistente, mas que na hora certa me deu forças para seguir sem analgesia, e que hoje é militante do parto natural, e a equipe do Mater Dei. Tive todas as minhas vontades respeitadas e sou muita grata a todos vocês por isso.

Lena, obrigada por ser quem é, por nos ajudar em nossa autotransformação, e na trabalhosa e deliciosa missão de parir. Quero tê-la sempre por perto!

Dra. Quésia, não tenho palavras para agradecê-la. Conhecê-la foi fundamental para minha família. Obrigada de coração pelos ensinamentos e por nos assistir com tanto zelo. Felizes são as mulheres que cruzaram seu caminho.

Eu acredito que nada é por acaso, tudo tem o seu por que. Busquem conhecimento, troquem experiências, confiem nos seus instintos, cerquem-se de pessoas competentes e do bem, que o “destino” se encarregará do resto.

Para mais informações entre em contato pelo telefone (31) 3262-3538