Graciele Tibo

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Quando engravidei da minha primeira filha, logo após o falecimento da minha mãe, manifestei, desde o início, o desejo de ter um parto normal, porque queria parir e, não, passar por uma cirurgia.

Por volta do sexto mês, contudo, a médica começou a me apresentar impedimentos (posição do bebê, passagem, diminuição do líquido etc.).

E, com 39 semanas e 5 dias de gestação, fui submetida a uma cesariana por motivos que, na época, não sabia serem infundados e acabei não questionando, certamente em razão do momento de fragilidade que vivia (luto).

Dias depois do parto, a médica ainda me “presenteou” com a seguinte fala: “Você jamais teria esse bebê de parto normal, nem sentiu contrações, não teve dilatação! E foi muito difícil tirar o bebê, mesmo por meio de cesariana!”

Bem, contrações eu posso não ter sentido mesmo, porque certamente não era a hora…
Se eu já fui para a cesárea com receio dela, saí com verdadeiro pavor, em razão do pós-operatório. E eu quase desisti de ter o segundo filho por medo de submeter a novo procedimento.

Mas eis que, 5 anos depois, me vi grávida novamente, aos 39 anos, numa outra fase da vida. Desta vez, procurei outro médico. Fui a três consultas e, em todas elas, falei do desejo de ter um parto normal. Queria cuidar do meu filho e amamentá-lo sem dor, queria pegar minha filha no colo… O médico dizia que seria possível (com aquele tom de “remota possibilidade”… rs), mas que havia enorme risco de ruptura uterina. Mas eu não me contentei. Decidi me informar e vi um estudo britânico que me fez questionar o posicionamento dele.

Também decidi procurar uma doula e encontrei a querida Rosana. Nossa primeira conversa não foi fácil. Ela queria que eu entendesse que não conseguiria ter o parto nas condições que eu desejava se eu não escolhesse profissionais preparados e realmente dispostos a fazê-lo.

Depois de um ou dois dias daquela conversa e tendo visto alguns documentários e lido vários textos para me informar, decidi, com absoluto apoio do meu marido, que iria abandonar meu médico. Marquei, então, consulta com o Dr. Hemmerson e, já nesta primeira oportunidade, me senti acolhida e confiante de que havia encontrado a assistência que eu queria para o meu parto.

A gestação transcorreu muito bem e no dia 13/3, eu comecei a sentir contrações. Eram desconfortáveis, mas ainda não eram doloridas. Eu estava feliz. Nesse dia, aproveitei para subir 15 andares de escada duas vezes (rs), para ver se o trabalho de parto engrenava.

À noite recebi minha doula e uma enfermeira obstetra para uma indução natural, com acupuntura e outros métodos. Foi uma noite muito relaxante. Eu estava confiante de que o parto ocorreria logo, afinal estava já com 4cm de dilatação desde a última consulta.

Na manhã seguinte, dia 14/4, fomos para aquela que seria a última consulta antes do parto.
Eu estava com 41 semanas.

As contrações estavam mais ritmadas e começaram a ficar um pouco doloridas. Dr. Hemmerson me examinou e disse que eu já estava c 5cm de dilatação. Nossa, fiquei muito feliz! Cheguei à metade do caminho sem dor!

Dr. Hemmerson me disse que isso ocorre com algumas mulheres. Eu me sentia privilegiada e pensei: Felipe vai nascer nas próximas horas!

Mas vi que meu GO, sempre tranquilo e confiante, estava diferente.

Nós nos sentamos depois do exame e ele disse que estava tudo bem, mas que havia uma questão para conversar comigo e com o meu marido.

Ele nos explicou que existem bebês grandes e bebês grandes demais. E disse que o meu era grande demais.

Ele me contou que, no ultrassom que eu havia feito na semana anterior (com 40 semanas) e cujo resultado desconhecia (porque pedi à médica que não me informasse o peso caso fosse superior a 4kg), meu bebê estava com 4.683kg (peso fetal acima do percentil 90).

E, como havia se passado uma semana do ultrassom, este peso havia aumentado.

Por fim, disse que o tamanho do bebê poderia trazer alguns riscos para o parto normal.

Eu o escutava e não acreditava naquela situação… fiquei gelada, mas continuei a ouvir.

Dr. Hemmerson nos explicou que, em casos assim, se a cabeça do bebê não passasse, seria preciso fazer uma cesárea.

Mas poderia haver um problema mais grave: passar a cabeça e não passar o corpo. Aí ele teria 5 min para fazer alguma manobra e tirar o bebê. Para isso, ele poderia ter que usar fórcepes ou ter que quebrar a clavícula dele, podendo haver como sequela para o bebê uma lesão braquial, por exemplo.

Meu bebê era macrossômico constitucional, ou seja, era naturalmente grande. Eu não era diabética, tampouco tinha sobrepeso. Não tive qualquer doença na gestação. Mas não havia como saber o que iria ocorrer caso tentássemos o parto vaginal.

Este foi um dos momentos mais difíceis da minha vida. Depois de ouvir tudo aquilo e chorar muito, eu e meu marido teríamos que decidir o que fazer: optar ou não pela cirurgia.

A conselho do GO, viemos para casa ler todas as informações que ele nos passara e refletir sobre a questão.

Depois de algumas horas, minha doula chegou. Conversou conosco, chorou comigo e disse que estava ali para apoiar qualquer decisão nossa.
Ela me preparou p o parto normal durante a gestação, então sabia o que tudo aquilo significa para mim.

Ao final da tarde, decidi realizar outro ultrassom, porque eu não estava certa do que fazer. Voltamos então ao Instituto Nascer por volta de 18hs. A Dra. Quésia, com sua habitual atenção, lá nos esperava e fez o exame: Felipe estava com quase 4.800kg e 54 cm. E eu estava com muito líquido ainda e com 41 semanas.
Ele poderia nascer em horas (se o trabalho de parto evoluísse) ou poderia demorar mais uns dias e chegar a 5kg, pensei.

E foi nesse contexto que acabamos decidindo pela cesárea. Saímos de lá e fomos em casa pegar as malas.
Felipe nasceu às 23h14, com 4.670kg e 53cm.

Felizmente, desta vez, a cirurgia foi diferente. Além do meu marido, minha doula ficou o tempo todo comigo. Luz baixa no bloco. Havia música suave. Meu filho não sofreu intervenções desnecessárias, não foi revirado. Veio direto p meu colo e mamou na primeira hora de vida.

E se fosse para fazer tudo de novo, eu faria…
Todo o preparo (físico, psicológico) não foi em vão. Eu tive uma gravidez saudável, feliz, tranquila… porque deixei a natureza agir…
E, ao final, Felipe nasceu lindo e saudável, perfeito… não dá forma que idealizei… mas da melhor forma que se fez possível!
Meus eternos agradecimentos a todos que me acompanharam nessa incrível jornada!

Para mais informações entre em contato pelo telefone (31) 3262-3538