Lorena Barone

Esta publicação foi postada em no dia por .

Foram 9 meses de espera… Alias,  aprendi a contar a vida em semanas: 39!

Durante este tempo ora eu estava feliz, ora eu não estava feliz… O peso da idade e do sedentarismo, junto com a coluna que nunca foi boa, associado à perda da visão meses antes, no final a síndrome do túnel do Carpo e a insônia…. Ah a insônia que me consumiu 20 kilos pela madrugada afora…

Mas Beatriz estava ótima, isso que importava! E durante estes 9 meses me preparei e me informei muito! Me informei sobre o parto, sobre me submeter ( e submeter Beatriz) a uma intervenção desnecessária. Busquei uma equipe que tinha esta proposta: Tratar o parto de forma fisiológica. Mas, além disso, não queria uma cesárea! Tenho pânico de cirurgia, sangue, corte… E outra: A vida inteira escutei que sou fraca pra dor… Pronto: Aí esta o grande teste da minha vida.

E durante os nove meses não escutei nenhuma palavra de apoio sobre a decisão do parto normal, muito pelo contrario: Fui massacrada! Louca, doida, e outros adjetivos… O único e exclusivo apoio foi do Lu. Meu amor, meu companheiro, meu parceiro que buscou se informar e comprou minha ideia.

Durante a fase final conheci o SUS que funciona, comecei a frequentar o Núcleo de Terapias do Sofia Feldman, lá encontrei gente comprometida com o parto humanizado. Chegava bem cedinho e passava a manhã fazendo escalda-pés, auriculoterapia, ventosa, homeopatia… Se existe uma coisa que eu sinto falta da gestação eram estes momentos.

Pois bem, fizemos o curso de preparação para o parto. Acho que foi aí que a nossa (digo no plural porque tudo foi feito a dois. Luiz esteve presente em todas as consultas, ultra e cursos. Engravidamos juntos, parimos juntos e devo a ele toda a gratidão do mundo).ficha caiu. Teríamos uma filha com (teoricamente) o mínimo de intervenção possível.

Faltava pouco, até que, na segunda feira, dia 21  fomos à consulta e para nossa surpresa e minha pressão havia subido muito. E isso era preocupante… Fomos arrasados para casa.

Passamos semanas anteriores tensos porque ela estava virada, fiz cambalhota na piscina igual doida, ela virou e simplesmente tudo teria ido por agua abaixo? Bom, seria como a Beatriz quisesse, na hora dela!

No outro dia, voltamos ao consultório e o fato era consumado! Em qualquer lugar iria para a mesa de cirurgia, mas lembrando que eu não estava em qualquer lugar, e minha querida medica me deu as opções, podemos fazer uma cirurgia ou induzimos o parto. Vamos para a segunda opção!

A internação e a tal da Partolândia
Nota: quem me conhece sabe que sou contra ativistas, morro de preguiça, sou obvia e cartesiana. Quando minha doula usava
este termo “Partolândia” me irritava! Falava com o Lu:  – Muito ativismo para o meu gosto! Quero parir, só isso!!!

Pois bem, internei sexta as 19:00 e começamos a indução, ao lado, um parto tsunamico, 3 gritos e um choro… Nesta hora eu me animei!

Comemos uma pizza, tomamos (eu dois dedinhos) um vinho e aguardamos as contrações noturnas. Aqui meu agradecimento a Karine Brugger, cada vez que mediamos o batimento da nossa pequena meu coração se enchia de esperança, e pra deixar tudo mais feliz, minha pressão chegou aos 12-8!

Passei a noite com leves contrações, o colo do útero ainda estava alto, mas nada estava perdido!

Sábado as 09:00, minha medica Quesia Tamara Villamil estourou minha bolsa. Beatriz então escolheu sua doula. Bel Cristina chegou trazendo para o quarto a calma e a tranquilidade que eu precisava.

As contrações começaram a ficar mais fortes, Lu me fazia massagens, me encorajava e dizia que eu era capaz! Fui para a bola de pilates, mas as dores eram fortes demais! Chuveiro!!! A água batia no meu corpo e queimava, queria uma dor maior que as das contrações. ( dizem que parto induzido ainda doí mais! Afff! Onde eu fui me meter!!!)

– Me abre, tira ela da minha barriga! Eu berrava! Nesta hora o Lu dizia: Amor, você se preparou, nós conversamos, você disse pra eu não deixar você desistir. Você não vai desistir.

Tá, não desisti, mas implorei por uma analgesia… E desce Lorena, enrolada num monte de toalha, berrando elevador abaixo.
Analgesia!!!

Este momento eu não esquecerei. Luzes  apagada, Bel colocou uma musica.  Eu estava sentada num banquinho, Lu atrás de mim apoiando minha dor, meus medos e nossa filha. Os aparelhos da minha medica eram um espelho e uma lanterna…
Meu marido me pedindo força, minha medica dizendo que eu era capaz, minha doula chamando pela Bia.

Ela coroou, eu toquei sua cabeça, mas ai eu perdi a força…
Seus batimentos diminuíram e as coisas começaram a ficar mais tensas. Mas eu estava ao lado do amor da minha vida, e sendo cuidada por uma equipe maravilhosa, não tinha como não dar certo.

Beatriz nasceu  sábado, as 15:14pm com ajuda de um fórceps, por via vaginal, eu não tive laceração, não sofri episiotomia. Assim que ela nasceu veio para os meus braços e não saiu mais.

Eu corri uma maratona, eu nasci e morri, nasceu uma mãe, uma família, um pai. Morreu meu medo, morreram minhas dores, minhas mágoas. Tudo ficou muito pequeno perto da beleza do seu nascimento. Nossa Beatriz chegou linda, enchendo nossa casa de amor.

Foram 17 horas de trabalho de parto, não foi na agua, natural. Mas foi do jeito que eu precisava que fosse, intenso, forte, assim como eu e o Lu, assim como o nosso amor.

lorena