Lourene Nunes

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Quase 2 anos depois, aqui estou eu fazendo o relato do parto da Ester, minha primeira filha. Eu não sabia nada sobre parto, ainda sei menos do que gostaria, mas tinha uma convicção de que queria parir, queria que ela viesse ao mundo quando estivesse pronta, de forma respeitosa, humanizada. Por isto escolhi um médico que eu confiasse e que eu teria certeza de que, caso tivesse uma cesária, ela teria sido necessária. Pois bem, não sei por que embarquei nesta. Sou extremamente racional, formada na área de exatas, trabalho com gestão, planejamento, execução conforme planejado (ou não). Não sou natureba, não gosto de yoga, tomo antibiótico e não gosto de misticismo. Mas sou uma mulher de fé, a gravidez da Ester foi um presente de Deus, uma resposta de atitudes de fé. Eu não podia não acreditar que Deus me fez perfeita para parir, que ter um bebê é um evento fisiológico, natural e não uma doença que precisa de cirurgia.

Pois bem, comecei o pré natal com um médico “tradicional” que me dizia que “se tudo correr bem você poderá ter parto normal”. Pois é, não é assim que acredito. Mudei de médico com 16 semanas. Tive um pré natal tranquilo, tudo correu bem, recebi as informações que precisava, fui respeitada, não passei por excessos de exames, conheci uma nova forma de cuidado, que não me encheu de medo, mas de confiança baseada em evidências.

Dia 17/03/15 acordei as 04 da manhã toda molhada, parecendo que havia feito xixi. Fui ao banheiro e vi um ponto rosa na calcinha. Tirei foto e mandei pro Dr. Hemmerson. Ele me tranquilizou, disse pra eu descansar e ir vê-lo no Instituto Nascer mais tarde. Me ligaram de lá e marcaram as 09h30. Chegando lá fui examinada por ele que confirmou que minha bolsa havia rompido. Nenhum sinal de trabalho de parto. Ele falou pra eu andar pela Avenida do Contorno e comer uma boa torta de chocolate na confeitaria que tem ali perto. Fiz isto, encontrei conhecidos lá, passei na Araújo, comprei chocolates. Voltei pro Instituto Nascer e conversando com ele sobre as opções que tínhamos: ir pra casa ou pra maternidade. Escolhi os dois! Fui pra casa, tomei banho tranquila, arrumei tudo tranquilamente e quando não aguentava mais de ansiedade, fui pra maternidade. Cheguei as 16h30 lá. Internei, fui pra suíte PPP. Então veio meu obstetra pacientemente conversar comigo e mostrar as evidências. Poderíamos esperar mais ou induzir. A decisão era minha. Conversando com o marido decidimos induzir. A ansiedade estava grande. E assim foi feito. Recebi o comprimido, me deitei e em menos de 30 minutos tudo “engrenou”. Contrações, dilatação, muita dor, uma loucura. A doula me ajudou muito com alternativas para alívio da dor, mas não aguentei, pedi anestesia. Me senti um fracasso quando fiz isto, mas o obstetra de novo me deu confiança, me disse que o importante era trazermos o bebê e que eu devia ficar tranquila. Me respeitou, como sempre. Fui pra anestesia, que delícia rsrs Alívio!

Voltei pra suíte, o sonho da banheira já era, estava com o catéter… Continuamos esperando o avanço do trabalho de parto, agora monitorando as contrações e batimentos cardíacos do bebê. E tudo foi avançando, mas a anestesia acabou e eu pirei de dor. Fui pra partolândia. Eu era capaz de topar qualquer coisa pra aliviar a dor. Pedi analgesia de novo e assim foi feito. Depois disto achei que ia desacelerar tudo, mas não. Continuou acelerando a dilatação e chegamos a tentar o expulsivo no banco, mas nada… Eu boicotava tudo… Meu marido aflito, mas tão respeitoso só queria me acalmar. Me passou toda tranquilidade, ficamos juntos. O Dr. Hemmerson olhou nos meus olhos e disse que precisaria me ajudar, que eu sozinha não poderia mais fazer o parto. Os batimentos cardíacos da Ester estavam caindo muito nas contrações e demorando a voltar ao normal. A outra obstetra chegou, senti cheiro de cesária. Fechei os olhos e falei com Deus: “Por favor, me ajuda a trazer ela pra este mundo.” e ouvi uma voz suave e clara “Se você não acreditar que é possível, nem eu posso fazer. Acredite”. Pois bem, me senti aliviada, decidi acreditar, fomos pro bloco cirúrgico. A enfermeira queria amarrar minhas pernas, Dr. Hemmerson não deixou, me protegeu. E com toda habilidade e competência nos ajudou, usou fórceps, sem precisar de episiotomia. A outra obstetra me deu a mão e me incentivou, me dizia quando havia contrações já que eu completamente anestesiada nada sentia. E ao som de Jazz, tudo aconteceu e Ester veio pros meus braços, linda, saudável e perfeita. Soube que estava em OS, por isto a dor intensa nas costas. E eu só sabia agradecer a Deus e desfrutar daquele momento maravilhoso. Como li no post do meu querido obstetra: “Quando se tira uma pequena parte da perfeição, o que se tem ainda é perfeito”.

Um ano depois da minha primeira filha nascer me vejo grávida de novo. Não foi planejado e por isto estava sendo maravilhoso! Foi leve, tranquilo e assim eu queria que fosse a gravidez e parto.

Segui a gestação sendo bem cuidada por uma obstetra humanizada. Lembrei muito do cuidado excepcional na gestação e parto da Ester e resolvi que queria manter o mesmo obstetra. E foi maravilhoso tomar esta decisão. Fui bem cuidada em cada consulta de pré natal, respeitada em minhas escolhas. Fui questionada sobre como gostaria que este parto fosse e minha resposta foi: Não quero planejar, não quero racionalizar, não vou fazer plano de parto, não vou estudar nada. Quero só sentir, deixar acontecer. O que eu quero que seja diferente do primeiro parto? Quero que EU e faça o meu parto.

Pois bem, gravidez tranquila mais uma vez, apesar de não ter conseguido descansar o quanto precisava. Afinal eu tinha uma bebê ainda pequena em casa que dependia de mim. Me preocupava como ela ficaria quando o irmão nascesse. Decidi mais uma vez não me preocupar, não inventar formas ou maneiras de resolver o que ainda nem era problema. Fiquei com ela do mesmo jeito. Carregava, dava banho, tudo normal até o nascimento do irmão acontecer.

No dia 14/12 a noite ela me surpreendeu ao pegar minha mão na hora de dormir e colocar na barriguinha dela. Ela nunca havia feito isto, ela não gosta de nada encostando nela quando vai dormir. Eu devia ter desconfiado, era a última noite em que eu era só dela, em que meu colo e meu tempo era só pra ela….

As 4 da manhã de 15/12 acordei com uma dorzinha na barriga, tipo cólica. Na mesma hora pensei: “Isto é diferente de tudo que já senti. Acho que estou entrando em trabalho de parto.”. Fui ao banheiro e vi de novo o absorvente com a mancha rosa. Chequei se havia água, graças a Deus não. A bolsa estava intacta. Mandei mensagem pra Lena, a doula. Ela me mandou descansar e observar o intervalo das contrações de hora em hora. Acordei o marido e avisei “É hoje que conheceremos nosso filho.”. Fiquei deitada até as 07h30. Avisei o Dr. Hemmerson pelo whatsapp. Ele me tranquilizou e mandou eu não contar contração, seguir a vida normalmente. Assim eu fiz, acordei, fiquei com minha filha, fui ao salão fazer uma hidratação. Voltei pra casa e almocei. Meu marido saiu pra fazer um trabalho e voltaria rapidamente. Aí as contrações apertaram, ficaram mais fortes, em menos tempo. A Lena mandou ir pro chuveiro, mas eu tinha medo de acelerar e o marido não estar comigo. Liguei pra minha cunhada que estava com minha sogra. Pedi que a trouxesse, pois ela que ficaria com a Ester. Ela chegou e eu já estava incomodada no sofá. A Lena comigo no whatsapp sabia de tudo. O Dr. Hemmerson também. Então o marido chegou, fui pro chuveiro. Enquanto lá estava o Dr. Hemmerson me ligou e ofereceu que viesse uma enfermeira obstetra aqui pra minha casa. Eu aceitei. Ela chegou 1 hora depois. Eu estava bem incomodada. Ela sugeriu a bola de pilates, meu marido a encheu pois estava murcha. A EO me examinou as 18h, 4 cm e colo 70%. Disse que me examinaria novamente as 20h30. Sentei na bola e a EO fazia massagem nas minhas costas. A Ester veio fazer também, coisa mais linda. Tiraram foto, eu tinha uma doula de menos de 2 anos que fazia minha ocitocina aumentar exponencialmente. As contrações ficaram mais doloridas, eu dizia pra Karine, a EO: “Se eu estivesse no hospital, teria pedido anestesia agora.”. Ela me ajudou com palavras, com massagem. Eu estava no ambiente da minha casa, com pessoas que não interferiam em nada nas minhas decisões e nos acontecimentos. Estavam ali só pra me ajudar, sem atrapalhar. Pedi pra ir ao banheiro. Chegando lá minhas pernas tremiam tanto que achei que tivesse algo errado. Era 19h30, pedi a EO pra examinar de novo. Ela disse 7 cm e falou pra irmos logo pro hospital. As malas já estavam no carro. Beijei a Ester com um aperto no coração de que tudo seria diferente depois do nascimento do Romeo. Nem pior, nem melhor, simplesmente diferente. Fomos as pressas pra maternidade. Tive 3 contrações fortíssimas no carro. Chegamos rapidamente, era perto. Meu marido foi providenciar a internação e a Karine foi comigo pra suíte PPP. Eu queria a banheira. Prometi a mim que tentaria a banheira antes de pedir anestesia. Eu tinha certeza que eu pediria anestesia em algum momento! Não encontravam o tampão da banheira, a água não esquentava. A Dr. Quésia chegou, me deu um abraço e me disse palavras de vitória, de incentivo. Foi então que surgiu uma outra EO da maternidade, uma graça, deu a ideia de improvisar o tampão da banheira com luva. Ela, a Quésia e a Karine começaram a buscar água quente do chuveiro da suíte ao lado usando tudo que era recipiente no quarto, até aquele de colocar o bebê ao lado da cama da mãe. Foram enchendo a banheira. A Lena chegou e se juntou a isto tudo e ainda me massageava e me orientava na respiração. De repente a água da banheira também estava saindo quente. Entrei na banheira, que alívio! Foi muito bom! Mas durou pouco. A dor piorava. O Dudu não chegava, cadê ele? Preenchendo alguma papelada numa hora daquela porque não devem estar acostumados a mulher que aparece ali parindo naturalmente. Então ele chegou no quarto. Sentou na beirada da banheira e aí tudo se acalmou no meu coração… Até a próxima contração. Desesperei, falei com a Lena que queria anestesia, que não daria conta. Pedi a Deus pra ter misericórdia de mim. Foi quando veio um grito lá do meu intimo, um berro mesmo que me deixou dois dias com a garganta doendo. Esse grito saiu das minhas entranhas. Depois dele não doeu tanto mais. A Lena já tinha soltado minha mão para colocar a música “Reconhecimento” e começou a filmar. A Karine me dava à mão e me orientava baixinho ao pé do ouvido. O Dudu de frente pra mim não deixava eu boicotar tudo enquanto tentava fechar as pernas! Ele travou minha perna. Me fez carinho, me incentivou, dizia que já estava nascendo. Eu via só ele e depois fechava os olhos. Vi uma água diferente saindo, era a bolsa que tinha rompido. Senti uma pressão na parte de trás e uma queimação que me lembrou o epi-no. E com força nenhuma praticamente senti meu bebê saindo. Abri os olhos e vi ele dentro da banheira, vi o Dudu pegando-o nas mãos e me entregando. Eu só sabia olhar pra ele, pro Dudu, agradecer a Deus e depois olhar pra Lena e dizer “EU CONSEGUI!”. Todos que participaram deste momento foram essenciais, desde o Dr. Hemmerson lá nas consultas do pré-natal, quanto a Karine lá em casa e na maternidade, quanto a Lena no Whatsapp e também presencialmente, quanto a Dra. Quésia na sua doçura e competência. Porém tenho que dizer, quem fez este parto fui Eu e Dudu.

Depois de um tempo, que não sei quanto foi, eu estava deitada na cama, com meu bebê mamando, comendo chocotone e rindo feliz da vida com a Lena, a Karine e Dra. Quésia. A enfermeira da maternidade também foi um amor. Chegou para cuidar do Romeo. Fez tudo na suíte PPP de maneira humanizada. Só fez os procedimentos que eu autorizei, me perguntou tudo e eu perguntava tudo pra Lena.

O que posso dizer desta experiência? Que valeu a pena! Que valeu a pena não idealizar demais, não me preocupar demais, não querer controlar  tudo. Valeu a pena estar com uma equipe que sabe o que faz, que eu confio e que faz muito bem! Que valeu a pena sair de casa só em trabalho de parto muito avançado. Que amor não se divide, mas multiplica. Que o novo amor pelo meu filho só fez crescer o amor pela minha filha e meu marido. Que sou mãe e sou forte. Que Deus realmente me fez perfeita pra parir, pra viver este momento natural e cheio de amor!

“A mulher que está dando à luz sente dores, porque chegou a sua hora; mas, quando o bebê nasce, ela esquece a angústia, por causa da alegria de ter nascido no mundo um menino.” João 16:21

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