Melissa Cristina Rocha

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Meu primeiro filho nasceu há 7 anos. Naquela época eu estava com 28 e não acompanhava NADA sobre maternidade, parto, etc… Consultava com a mesma médica desde minha adolescência. Engravidei e comecei minhas consultas de pré-natal com ela. O que achava estranho é que tentava abordar o assunto PARTO, mais especificamente PARTO NORMAL e ela sempre fugia, dizia que esta conversa seria “mais para frente…” Até que um dia ela me falou que meu parto poderia ser normal (eu finalmente consegui expor minha vontade) DESDE que… e veio com uma lista imensa de poréns: desde que eu estivesse com bom peso, desde que meu filho não fosse grande demais e blá, blá, blá…

Como eu estava me cuidando direitinho imaginei que meu destino seria certamente o parto normal. Com 38 semanas senti um mal estar e liguei para ela. Ela estava num congresso e pediu que eu fosse ao consultório de um médico amigo dela. Fui. Chegando lá minha pressão estava 14×10. Bom, até então eu não tinha passado por NENHUM episódio de pressão alta, minha gravidez tinha evoluído super bem ela não tinha feito nenhum exame específico para prever pré-eclampsia (urina 24 horas, por exemplo). Ele me deu um remédio e marcaram a cesárea para o dia SEGUINTE alegando que o bebê era muito grande e que com a pressão eu corria risco. Nem chegaram a auscultar o coração do meu filho. Não era um episódio relacionado à pré-eclampsia. NADA DISSO. Mas eu era inexperiente. E lá fui eu para a mesa de operação.

Em 2015 engravidei novamente e uma coisa eu tinha como certa. NÃO! Eu não iria passar por isso novamente. Não se fosse desnecessário. Eu já tinha tomado consciência de como tinha sido boba.

Procurei uma clínica de minha cidade super bem conceituada entre as mamães defensoras do parto normal, com médicos super bem avaliados. Tomei coragem e marquei minha consulta. Como resultado passei os 9 meses sem medo de cair numa cesárea desnecessária, fiz acompanhamento com nutricionista e fisioterapeuta.

Passadas 39 semanas depois de um dia inteiro de contrações minha filha veio ao mundo. Com todos os direitos que poderia ter. Respeitada. Porque eu também fui. Numa noite intensa, cheia de emoções, sentimentos profundos, gemidos emocionados. Um parto natural após cesárea. Na banqueta. Sem imposições. Sem analgesia. Sem donos da razão. Sem desculpas, enganos e saídas artificiais. Foi especial, com pessoas especiais.

Internei por volta das 22 horas do dia 17/12 e já estava com 7cm de dilatação. Às 3 da madrugada do dia 18 já estava com minha pequena no colo. Meu período expulsivo começou na banheira e minha bolsa estourou já quase na hora dela nascer. Como estava com mecônio preferimos ir para a banqueta. E foi assim. Sentadinha na banqueta com seu pai me apoiando física e emocionalmente que meu milagre aconteceu. Nunca vou esquecer da temperatura da minha filha quando a peguei nos braços. Sensação indescritível!

Esta gravidez me mostrou o tamanho da fortaleza que existe em mim. Mostrou o tamanho da fortaleza que existe em cada mulher, mesmo que a digam que não. Fez com que eu percebesse que um VBAC é muito mais do que um parto pós cesárea. É uma nova chance.
Eu agradeço com todo o amor de meu coração a todos aqueles que cruzaram meu caminho ao longo destes meses.

Obrigada Instituto Nascer!

Obrigada marido lindo que comprou a ideia, a briga, a nova forma de chegar lá. Que respeitou meus momentos, me apoiou e me deu o espaço necessário. Teve tranquilidade e ao mesmo tempo força.

Obrigada Dr Hemmerson Magioni que me respeitou, apoiou e orientou na medida correta. Naquele momento tão novo em todos os sentidos, foi nos olhos dele que encontrei respostas para inseguranças e enxerguei o tamanho da alma dele vibrando.

Obrigada Karine enfermeira doce que de uma forma muito humana esteve conosco.
Obrigada Lena, nossa doula que me orientou e literalmente me carregou no colo. Perfeita!
Que este VBAC possa ser um incentivo àquelas mulheres que são desencorajadas ou desestimuladas a pensar que sim! Que é possível.