Poliana Maia

Poliana Maia – Parto natural na Água

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Poliana Maia

E foi assim, com medo dos pequenos detalhes daquele dia perfeito esvanecer-se no tempo, resolvi escrever meu relato de parto… o parto da Gabriela, o meu parto.

Dia 14 de junho de 2016, tirei um cochilo depois do almoço em casa, até esta data eu estava fazendo home office, e no meio do cochilo acordo assustada com uma fincada na barriga. Não sabia se tinha sido um sonho ou se foi real, mas não dei muita importância. Mais a noite, minha amiga Geruza me chama para comemorar o seu aniversário, eu com 40 semanas e 3 dias de gestação fui né, falou que é festa é comigo mesmo. Lá, comi aquele caldo de mandioca com carne desfiada. Cheguei em casa e dormi. Apaguei. Também, com o “pandu” cheio daquele jeito.
Durante a madrugada acordei com uma cólica bem forte, abri os olhos e me veio aquela felicidade, a dor era diferente; todo mundo falava que quando fosse a dor do parto, eu iria saber. Será que estava na hora?! Será?! Eram 3:05 da manhã do dia 15. Dormi de novo.  Acordo novamente com outra cólica, ai Jesus! 3:10.. agora vai. Lembrei da minha GO Dra Quesia Tamara Villamil me falando: “quando sentir a dor, toma um analgésico, se passar em 30 minutos, não é a dor do parto”. Tomei. Dormi. Não passou. Lembrei da segunda dica da Dra., vai pro banho e deixa a água cair, se aliviar, não é a dor do parto. Ish, não parou não hein, as pernas bambearam de felicidade. Resolvi acordar o Guilherme. “– Lindo, acho que a Gabi quer nascer!” Ele arregalou os olhos e eu ri. Deitei de novo e o pedi para medir as contrações. “- Como assim você não baixou o app de medir contração?! Te falei a gravidez inteira!” (Ah! Esses hormônios!).

As contrações vinham de 12 em 12, 7 em 7, 5 em 5 minutos. Eram 5:40 da manhã, vamos ligar pra Dra Quésia, pra avisar. “- Guilherme, liga você por favor, isso é papel do marido!” (Ah! Esses hormônios 2!). Escuto eles conversando e ele me passa o telefone. Aquela voz suave e aquele sotaque diferente que só quem a conhece sabe “- Parabéns Poliana, chegou seu dia!”. Na ligação combinamos da EO Karine Brugger vir para minha casa, pois eu tinha decidido e colocado no meu plano de parto de ficar no conforto do meu lar o máximo de tempo possível. Mandei mensagem pra Daniela Djean da Flô de trigo avisando que era o dia, lembro de ter falado: “já pode ir pro hospital, não vou demorar aqui não”. Dá vontade de rir, enquanto escrevo essa parte. A Monique Olive, tadinha, foi pra maternidade aquela hora da manhã. Enquanto esperava a EO, continuei com as contrações ritmadas de 7 em 7 minutos, ficava sentada na bola de pilates. Como aquela bola aliviava a dor que sentia na lombar. Enquanto eu ficava sentada, a Maria Joaquina (minha cachorra) latia, pois ela adora brincar com a bola, e eu que estava brincando naquele momento. Karine chega na minha casa umas 11 da manhã, aquela expressão serena, voz suave. “Vamos pro quarto fazer um toque?!”. Tá bom, não tinha idéia da dor desse troço. Nunca tinha feito. Ah, mas antes ela me diz, ah vc tá muito bem, será que temos dilatação? Fiquei meio apreensiva, com medo de ainda estar bem no início da fase latente. De nem estar em trabalho de parto. Mesmo após tantas informações, tantas leituras, tanto Nascer Sorrindo, e tantos encontros no Instituto Nascer , porque eu ainda estava apreensiva? Medo do novo, eu acho.

Estava com 4cm, ufa! O que não diz nada né… porque a Gabi podia nascer daí a 30 minutos ou levar mais umas 24 horas talvez. Dani Djean já havia chegado na minha casa para as fotos. Desci pra sala e voltei a ficar na bola, as contrações aumentavam em dor e intensidade, diminuia em tempo. A cada contração, Guilherme me dava a mão, Karine fazia massagem e Joaquina latia…

Era 13:00 por aí. “- Karine, não aguento mais, quero ir pra Maternidade”. Havia escolhido a Maternidade Santa Fé, pois meu plano cobria e eu queria a suíte PPP. Não me importava o hospital na verdade, pois estava com a equipe do Instituto. O caminho para a Maternidade Santa Fé, PQP, que sofrimento sentir contração no carro, que desconforto, que dor. Juro que pensei que a Gabi nasceria ali. Chegamos a maternidade, Guilherme me deixou na porta e foi estacionar, Karine e Dani estavam a caminho e eu não avistava a Dra Quésia e nem a Bel Cristina minha doula. Enquanto isso, me encostei numa parede gelada na recepção, e a cada contração eu fazia um semi-agachamento. (risos) Sozinha, as pessoas na recepção olhavam pra minha cara com uma expressão de piedade. Eu é que estava com piedade delas, sentadas, esperando sei lá o que. Eu estava a espera da Gabriela, que estava batendo na porta já.

Chega todo mundo junto na recepção e subimos para a suite, tinha muita bolsa na mão do Guilherme, fizemos uma bolsa só de comidinhas, snacks, refri, gatorade, chocolate, bala, melzinho, castanhas para nossa estadia (olho de tandera demais… parecia que iamos ficar 1 mês fora). Entrei no elevador e me veio aquele enjôo. Escuto a Bel falando: olha a ocitocina já fazendo efeito. Entrei na suite e sentei na bola, fiquei por um bom tempo… enquanto todos conversavam a minha volta. Entre uma contração e outra, vida que segue. Durante cada contração, vida que quer seguir. “Quer tentar ir pro chuveiro?”.. fui tentar, não dava, as pernas bambeavam a cada contração. Entrei na banheira, que alívio! Porque não tinha entrado antes?! Guilherme e Bel se revezavam no banquinho em frente. Uma vez e outra a Karine auscultava a Gabizinha. Tudo certo! Dani tirava fotos, totalmente invisível. As vezes ficava sozinha na banheira de olhos fechados e  passava o filme da gravidez na minha cabeça, o teste, as consultas, o Zica vírus (parte chata que contarei em um outro relato). Lembro que queria um tic tac, a presilha de cabelo, meu cabelo tava uó! Como deveria estar saindo nas fotos?!

Não sei que horas eram, mas minha respiração começou a ficar bem ofegante, senti uma queimação. “Respira, respira” – dizia Bel; Era o círculo de fogo. A partir daí, eu estava nas nuvens, na partolândia, estava “high”, escutava as vozes no fundo, escutava um mantra da Bel, a Karine falando: “acho que a bolsa dela estourou”. Tinha estourado mesmo, mas eu não conseguia responder. Escutei a Dani falando, nossa que parto calmo e silencioso. Estava cansada, eram umas 18:00 já?! Por aí. “Põe a mão, você vai sentir a Gabi vindo”. Não quis. Veio outra contração e resolvi sentir… senti o cabelinho dela. Que emoção! Esse toque foi o gatilho, para uma leoa sair de dentro de mim. Eu, que sou canceriana. Eu, que falo baixinho. Soltei um urro, estava no expulsivo! E vieram vários outros urros depois desse, um urro forte, potente. Busco Guilherme que estava atrás de mim, olho arregalado. Eu estava cansada. “Lindo não aguento mais”, “Preta, falta pouco”. E faltava mesmo!

Em uma contração saiu a cabeça e na outra o corpinho. Ela veio igual um peixinho, peguei e a embalei! Guilherme nos abraçou. Que emoção! Linda, perfeita e com um olhar desconfiado. As 18:49 do dia 15 de junho de 2016 Nasce Gabriela, nasce a mãe, renasce a Poliana.

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