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Aline Viana

Acho que eu poderia escrever um livro para falar sobre parto e sobre a minha experiência com o nascimento do Miguel. Acreditem: após o parto, fui escrever um relato pessoal, como uma recordação só para mim, mesma, e ele ficou com mais de 10 páginas (juro!! Hahaha!).
 
Mas fiz um resumo para trazer minha experiência com o parto para outras pessoas.
 
Vamos lá.
 
Eu já vi muitas mães se lembrarem do parto de seus filhos como um “mal necessário” para que eles chegassem ao mundo. Já vi muitas mães que recordam este momento com certo descaso, ou mesmo com desprezo. Quando eu estava grávida, algumas mulheres que já tinham passado pela experiência vinham me falar do parto como se fosse uma pena eu “ter que passar por isso”.
 
Felizmente, a minha mãe (que é a minha maior referência para tudo na vida) nunca se referiu aos seus partos desta forma. Ela passou por três partos normais bem-sucedidos, e já me falou que não tem o menor problema com parto: “meus partos foram ótimos” – ela já me disse uma vez.
 
Acho que exatamente pelo fato de a minha mãe ter tido três partos normais, meu desejo sempre foi um parto normal. Se a experiência dela foi triplamente bem-sucedida; se foi assim que eu nasci, por que eu iria querer algo diferente?
 
Eu sempre desejei um parto normal, mas até relativamente pouco tempo atrás, eu não pensava muito no que isso significava. Desejava aquele parto normal “padrão”, até que comecei a me interessar mais pelo assunto e vi que existem alternativas ainda melhores do que o velho padrão de dar à luz na posição deitada, num bloco cirúrgico, recebendo várias intervenções farmacológicas e com discreta – ou nenhuma – participação do pai.
 
Li muito, assisti a documentários, me informei sobre o parto humanizado, até que cheguei ao Instituto Nascer: um local especializado em parto humanizado, que trata a gestante como toda mulher nessa fase deveria ser tratada: de forma amorosa, respeitosa e atenciosa.
 
Durante minha gravidez, o Rafa e eu fomos conhecendo esse universo e nos encantando cada vez mais por ele. Porém, quando vinham me perguntar que tipo de parto eu queria, eu me limitava a responder: “espero que possa ser um parto normal”. De vez em quando, alguém acrescentava a seguinte pergunta (já cheia de pré-concepções): “mas você não vai querer aquele tal de parto natural, não, né??” E, diante de pessoas que já tinham esse preconceito, eu simplesmente respondia: “nãããão, claro que não! A anestesia tá aí é pra ser tomada, mesmo! Quero só um parto normal” (na verdade, eu não tinha idealizado um parto sem analgesia; mas contava com essa possibilidade: queria passar pela experiência, ouvir meu corpo e minhas limitações, e tomar a decisão na hora em que eu estivesse passando pelo trabalho de parto).
 
O Rafa – que a certa altura da gravidez já estava super bem informado acerca dos prós e dos contras da analgesia e acerca da desnecessidade de várias intervenções que habitualmente são adotadas nos partos apenas por praxe – de vez em quando começava a contra-argumentar, tentando mostrar às pessoas que o “padrão” nem sempre é a melhor escolha (ou que ele nem sempre é necessário). Eu, no entanto, desencorajava esse tipo de discussão; falando com ele: “Mor, melhor não ficar rendendo esse assunto… Não temos que ficar justificando nada para ninguém quanto a esse tema…”.
 
Aliás, uma vez ouvi uma doula, a Lena, falar uma coisa que me marcou muito. Ela disse: “parto é sexo. Você fica falando para as pessoas que dia você vai fazer sexo? Fica contando pros outros qual é a sua posição sexual preferida? Da mesma forma, você não precisa ficar dando satisfação para ninguém acerca das suas escolhas sobre o parto”. E eu acho que é isso mesmo: parto é um momento extremamente íntimo, que só diz respeito à mãe, ao pai e ao bebê. E ninguém tem nada a ver com isso.
 
Até mesmo por pensar dessa forma, fiz questão de manter a privacidade do momento do meu parto. O Rafa e eu não contamos para as nossas famílias que estávamos indo para a maternidade. Para os meus pais, eu dei a entender que o grande momento estava próximo, porque queria contar com as valiosas orações deles nessa intenção. Porém, não queríamos ninguém da nossa família ansioso, esperando do lado de fora da suíte de parto… Acho que isso tiraria um pouco da minha concentração e exteriorizaria algo que deveria ser um momento só nosso.
 
Mas hoje, quando posso dizer que tudo ocorreu de uma forma sagrada e maravilhosa, posso abrir para vocês um pouco do que foi esse dia. Até porque, agora que eu já passei pela experiência, eu tenho moral para falar sobre o parto humanizado, hehe! E acho que compartilhar minha experiência aqui pode servir para encorajar muitas mulheres e para contribuir um pouco para esclarecer que parto humanizado não é “viagem na maionese” nem coisa de “tilelê”. Acho que é meio óbvio que ninguém gosta de passar por tratamentos ou experiências desumanas, certo? Então, pra quê tanto desdém em relação à humanização do parto? Para mim, esses olhares tortos não fazem o menor sentido…
 
Hoje, meses depois do nascimento do Miguel, eu continuo morrendo de saudades do meu parto. Passaria por tudo de novo, porque sou muito grata a Deus por cada segundo dessa experiência! O parto do Miguel foi intenso, foi sagrado, foi cheio de amor e de cuidados e – o melhor –: foi muito bem-sucedido (para mim e para ele)!
 
E os motivos dessa saudade – e dessa linda recordação que o parto do Miguel representa para mim – são vários: em primeiro lugar, ele não foi um simples procedimento de rotinas médicas; foi um evento rodeado de amor, carinho e respeito – sentimentos vindos não só do Rafa, que esteve ao meu lado o tempo todo, mas também da equipe profissional que me acompanhou. Meu trabalho de parto ocorreu numa suíte de parto, e não num bloco cirúrgico; e teve playlist com as músicas que eu escolhi (Miguel nasceu ao som de “Quero”, da Elis Regina; mas sua chegada também teve como trilha sonora canções de Ivan Lins, Gilberto Gil, Toquinho, Tunai, Roupa Nova, Zizi Possi, Marina Lima e Carlinhos Brown); teve dança; teve massagem; teve bate-papo; teve foto minha com a maior cara boa quando eu já estava com 7-8 cm de dilatação; teve participação ativa e amorosa do Rafa (que foi quem cortou o cordão umbilical)…
 
E, o que foi determinante: o meu trabalho de parto contou com o auxílio valioso de quatro mulheres admiráveis, a quem eu serei eternamente grata: Dra. Ludmila (a obstetra mais competente e amorosa que poderia ter entrado na minha vida, que chegou à maternidade antes de mim e me recebeu no passeio, com o abraço mais carinhoso do mundo!); Karine (a enfermeira obstetra que foi para a minha casa quando eu estava em trabalho de parto, monitorou nosso bem-estar e viu qual era a melhor hora de irmos para a maternidade); Rosana (a doula que Deus escolheu para estar ao meu lado, e cuja atuação foi essencial para que eu desse conta de passar pelo trabalho de parto sem pedir analgesia); e Dra. Marina (obstetra auxiliar, que teve uma presença respeitosa e amável a partir do momento em que a chegada do Miguel se tornou iminente).
 
Estas quatro mulheres (todas mães) me mostraram que eu era capaz, me encorajaram a vencer desafios dificílimos, ouviram minhas reclamações com empatia… e tudo isso com a melhor cara do mundo! Sou e sempre serei profundamente grata a Deus por tê-las colocado na história da minha família! Também sou grata a toda a equipe do Instituto Nascer, que me preparou para o grande dia com informação de qualidade e excelentes profissionais.
 
E vocês podem me perguntar: “Aline, você falou de um monte de coisa que teve no seu parto, mas não falou de dor… Seu parto não teve dor?” E a minha resposta é: “Ah, é!! Teve dor, sim!” Hahaha! A dor foi intensa (foi, seguramente, a maior dor que já senti na minha vida), mas não foi sofrida, não foi cruel nem traumatizante. O Rafa e estas quatro mulheres que eu citei ali em cima fizeram com que a dor parecesse superável, e me ajudaram a passar pelos momentos doloridos de uma forma realista e, ao mesmo tempo, doce.
 
Uma experiência como essa exige de nós, mulheres, certa dose de coragem, de empoderamento e de autoconfiança. Mas a grande verdade é que, depois que passamos por ela, aí, sim, nos sentimos verdadeiramente capazes, corajosas e poderosas! Depois de ter vivenciado o parto do Miguel, sinto que, com Deus e com as pessoas certas ao meu lado, sou capaz de vencer grandes desafios em várias áreas da minha vida!
 
Por fim, gostaria de encerrar este relato (que já deve estar imenso!) com um recado dirigido às mulheres que pretendem engravidar: não tenham medo!! Informem-se, capacitem-se e nunca deem crédito àqueles que duvidam da força da mulher!! 🙂


Aline Viana