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Relato de Parto: Indução e Parto na Água – Gabi Mourão
Foto: Bruna Gil Fotografia

Chegamos ao Instituto Nascer com 8 semanas de gestação, começamos o acompanhamento em outro local, mas não estávamos satisfeitos. A primeira consulta com o Dr. Hemmerson foi uma verdadeira aula sobre gestação e parto! Como pais de primeira viagem estávamos inseguros e encontramos o amparo que precisávamos no instituto!

A gravidez foi muito tranquila! Tive a sorte de praticamente não ter nenhum enjoo no primeiro trimestre e fiquei muito ativa durante toda a gestação! Foi um processo de grande transformação da minha relação com o meu corpo: sai de um medo IMENSO da dor do parto e das consequências do processo para uma confiança muito grande de que meu corpo tinha a capacidade de conseguir passar bem por tudo isso! A ponto de passar a desejar o parto natural, ou pelo menos experimentar essa tão temida dor. Ou seja, passei a me permitir experimentar esse processo.

Nas semanas finais, tive diversas consultas com a Karine (enfermeira obstetra), a Bel (doula) e Dr. Hemmerson (obstetra) para rever o plano de parto e conversamos sobre cada um dos detalhes: características do trabalho de parto latente vs ativo, quando ir para o hospital, as posições de parto, métodos de alívio de dor, qual tipo de parto eu gostaria de ter (a minha preferência número 1 passou a ser parto natural na água!). Empreguei um tempo considerável entendendo cada uma das partes do plano, exceto uma: a parte de indução do parto. Na minha cabeça a gravidez estava indo tão bem.. não teria motivo para precisar de uma indução. Lembro que em uma das consultas com a Karine ela me explicou detalhadamente cada um deles, mas eu não me preocupei em digerir a informação pois tinha certeza de que não seria necessário. Bom, parece que a gravidez de vez em quando quer testar as nossas certezas!

A 39ª semana chegou e, apesar de tentar todas as técnicas para ajudar o início do trabalho de parto espontâneo, (comer 6 tâmaras por dia, longas caminhadas diárias, escalda pés, sessão de relaxamento…) ainda não havia nenhum sinal de que ele iria começar. 

Na consulta da 40ª semana, conversamos sobre a possibilidade de considerarmos a indução caso o trabalho de parto não se iniciasse de forma espontânea até o final da semana e resolvemos também realizar um descolamento de membranas numa tentativa de estimular o tp.

Após o descolamento, senti algumas cólicas durante a noite e no dia seguinte o meu tampão mucoso saiu. Fiquei bem animada e ansiosa já pensando que em breve o tp começaria! Os dias foram se passando e nada mais aconteceu… Lembro de acordar todo dia me perguntando, será que é hoje? E não acontecia nada!

O final da 40ª semana estava se aproximando e precisávamos decidir se seguiríamos como a indução ou não. Decidimos marcar a última ultrassonografia com 40 semanas e 6 dias para checar se estava tudo bem com o nosso filho e nos ajudar a decidir sobre a indução. E estava tudo perfeito!  Para mim, aquele resultado tornou a decisão ainda mais difícil… Queria muito esperar o momento que o nosso bebê decidisse nascer, mas ao mesmo tempo tínhamos medo de continuar dado o aumento de risco na gestação prolongada. Se acontecesse alguma coisa com o nosso filho, (mesmo que com uma probabilidade muito baixa dado que os exames estavam todos ótimos) com certeza não nos perdoaríamos.

Por fim, no mesmo dia, comunicamos ao Dr. Hemmerson que iriamos seguir com a internação no dia seguinte. A decisão foi tomada, mas eu não estava bem com isso. Me sentia mal por não ter entrado em trabalho de parto espontâneo, me sentia culpada por estar acelerando a chegada do meu bebê, sentia medo da dor do parto com indução e fiquei triste em pensar que o desejado parto na água provavelmente não aconteceria mais.

Acho importante falar sobre essa parte, pois foi muito difícil digerir esse sentimento. Me sentia muito culpada de não ter coragem de seguir com a gravidez (já que eu estava saudável) e culpada por não entrar em trabalho de parto – Incrível como a gente consegue se culpar por coisas que estão fora do nosso controle! Pensava se tinha sido pq eu foquei demais no trabalho, ou se eu deveria ter caminhado mais horas por dia… Passou de tudo na minha cabeça.

A minha queria doula, Bel, notou que eu não estava bem com a decisão e tivemos uma longa conversa e ela me ajudou a digerir tudo isso! Ela me ajudou a entender que não tinha nada de errado e que eu não estava acelerando a chegada do bebê. Ele já estava prontinho para vir e apenas tomamos uma decisão para diminuir o risco (que é bem diferente de decidir alguma data aleatória sem nenhum motivo claro). Ela me orientou a escrever uma carta para o meu filho e colocar tudo isso para fora, assim o fiz! Foi como tirar um caminhão das costas e essa cartinha ficará guardada com muito amor para o dia que o meu filho quiser saber mais sobre o parto dele.

No dia seguinte (domingo, 06/Fev), fomos para o Materdei onde fomos recebidos com muito carinho pelo Dr. Hemmerson, que nos explicou como funcionaria o procedimento, como poderia evoluir a indução, possíveis desfechos etc. E assim iniciamos a administração das doses de Misoprostol.

Decidimos não comunicar para a família sobre a indução, pois iria gerar uma grande ansiedade e acho que foi uma das decisões mais acertadas que tomamos. O processo foi longo e dessa forma conseguimos estar 100% presentes e focados enquanto casal!

Continuamos com a administração das doses de Misoprostol durante todo o dia e noite! Foi um total de 5 doses! Senti algumas cólicas e tive um pouco de sangramento, mas nada mais que isso.

Na segunda de manhã, a Karine me examinou e estava com 3 cm de dilatação! Agora com o colo mais maduro a equipe sugeriu de rompermos a bolsa e esperar para ver se o trabalho de parto evoluía naturalmente.

Então, mais ou menos às 12h, a minha bolsa foi rompida e aguardamos a evolução tomando um chocolate quente da Kopenhagen! E foi aí que comecei a sentir as primeiras contrações! Fiquei super feliz! Elas começaram bem suportáveis, mas muito rapidamente passaram a ser bem dolorosas.

Mais ou menos às 15h fomos para a suíte PPP e assim que cheguei fui direto para o ofurô. A água quentinha ajudou a relaxar e diminuir um pouco a dor, mas rapidamente as contrações foram evoluindo, diminuindo intervalo e aumentando a dor. Assim que a banheira estava cheia mudamos para lá e comecei a utilizar o oxido nitroso para aliviar a dor das contrações.

Lembro que a dor era MUITO intensa!

Depois de um tempo eu quis ser examinada para saber quantos cm de dilatação tinha (acho que eram mais ou menos 18h). Karine me examinou e estava com 6cm! Eu fiquei um pouco assustada pq ainda faltavam 4cm e eu já estava perto do meu limite suportável de dor e me sentia bem cansada também. Lembro de falar com a Karine que eu queria dormir! Rs… bem capaz de conseguir dormir sentindo as dores das contrações que agora estavam com intervalo cada vez menor.

Tentei ficar um pouco fora da água, fazer um pouco de exercício na barra de alongamento, mas assim que veio a primeira contração quis voltar para a banheira. E nessa hora a dor era tanta que pensei em pedir analgesia, mas acabei optando por voltar para a banheira e tentar aguentar mais um pouco.

A dor era intensa e lembro de exigir concentração de cada parte do meu corpo! Eu olhava para a Bel querendo saber se faltava muito para acabar, mas não conseguia nem fazer essa pergunta para ela! Rs… Qualquer esforço adicional parecia algo surreal para mim naquele momento. Só tinha força para respirar o óxido nitroso e tentar seguir a orientação da Bel de controlar a respiração durante a contração.

A dor foi mudando para a lombar e pouco tempo depois eu comecei a sentir vontade de fazer força. Quando isso aconteceu lembro de achar uma energia adicional e a dor parecia menor. A dor devia estar intensa com certeza, mas a vontade de ver o meu filho pela primeira vez era tão grande que já não lembro de prestar mais atenção para a dor. Além disso sabia que estava acabando e que não ia sentir mais dor depois, então na verdade também foi um grande alívio saber que ele estava próximo de nascer! Nessa hora a minha entrega para a partolândia foi de 100%! Cheguei até a me examinar e sentir a cabecinha do meu filho a +- 3 dedos de coroar! (Detalhe que eu achava que não iria nem querer pegar na cabeça dele quando estivesse coroando).

A Bel e Karine avisaram que outras pessoas entrariam na sala, pois o Eric estava muito próximo de nascer. Confesso que não vi quantas pessoas entraram e nem me incomodou… a atenção era 100% para o expulsivo e meu filho que eu estava prestes a conhecer! Mais uma força e a cabeça do Eric já tinha saído! Foi muita emoção! Pouco depois ele finalmente nasceu e eu mesma o tirei da água! Ele veio super tranquilo para os meus braços! Nunca vou me esquecer desse momento!

Quando olhei para o meu marido ele estava super emocionado também! Ele começou a falar com o Eric e ele ficou olhando super fixo para o meu marido, como se estivesse reconhecendo aquela voz que ele tanto escutou no útero! Foi um momento maravilhoso! Conhecendo o nosso filho pela primeira vez e vendo toda a sua perfeição! É realmente mágico!

O Eric nasceu às 19h com 49cm e 3.080 kg. Super saudável e ativo. A hora de ouro foi bem longa! Ele mamou e ficou coladinho no meu peito e tive a sorte de não ter nenhuma laceração!

O meu parto não começou como eu esperava e me desafiou a enfrentar os meus medos! E como Dr. Hemmerson falou com muita sabedoria: foi o primeiro lembrete de que a maternidade não é previsível e que não temos como controlar! Então no final foi um grande aprendizado e superação para mim! E uma memória maravilhosa para o resto da minha vida!

O meu super agradecimento ao Dr. Hemmerson Magioni, Karine Brugger e Bel Cristina por tudo o que fizeram por mim e pela minha família durante a gestação e o acompanhamento impecável no meu parto! Vocês são fora de série!!! Também gostaria de agradecer a Renata pela preparação nas sessões de fisioterapia e Dr. Dalila pelas melhores sessões de ultra!

Hemmerson Henrique Magioni, Médico Obstetra e Diretor Técnico do Instituto Nascer – CRM-MG 34455

Foto: Bruna Gil Fotografia