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Relato de Parto Juliana Paolucci -VBAC

Relato de Parto – Nascimento Bia VBAC

Antes de falar do parto da minha segunda filha, Bia, eu gostaria contar como foi o parto da minha filha mais velha Isa, fora do Instituto Nascer.
Eu sempre falei que teria uma cesárea, afinal nasci de cesárea e minha irmã também. A dor do parto, a possibilidade de laceração e eventuais consequências me assustavam muito, e achava que por ser pequena (1,56m e 45kg) não teria passagem. Quando eu engravidei da Isa e comecei a me educar sobre gestação e parto, tudo mudou. Fiquei muito impressionada com tudo que li e quebrei vários paradigmas. Tive uma gestação tranquila, busquei uma médica que apoiava a experiência de parto que queria e fiz fisioterapia pélvica para preparar meu corpo. Com 39+4 minha bolsa rompeu e logo o trabalho de parto iniciou. Eu queria ter tido uma doula, mas minha filha nasceu em Maio de 2020 no início da pandemia, então não consegui. Foram 15 hrs de trabalho de parto, com muita dor e contrações bem intensas. Cheguei a 9cm de dilatação e a progressão parou por quase 4hrs… a Isa ainda estava alta e não tinha passado do plano 0. Eu estava muito ansiosa, e apesar do enorme desejo de viver um parto normal, os medos que tinha não saiam da minha cabeça. Meu marido, minha mãe e minha irmã estavam comigo, me apoiando, mas também com seus próprios medos e sem saber como me ajudar com o manejo da dor. Comecei a sentir os efeitos das quatro analgesias que tinha tomado: náusea, pressão baixa, tremores, e com a volta da dor, falta de progressão e todos os medos acabei pedindo para fazermos uma cesárea. Isa nasceu saudável, com 3,160kg e 49cm e enchendo nossos corações de alegria. Sempre pensei que tive a melhor cesárea que poderia ter tido, pois vivi o trabalho de parto e minha neném veio na hora dela. Ainda assim, não conseguia evitar o sentimento de frustração e me culpava por ter “desistido” antes da hora. Foi a primeira vez que conheci esse sentimento de culpa, que parece vir no pacote da maternidade…

Já acompanhava o IN pelo Instagram e admirava muito o trabalho de toda a equipe, então resolvi agendar uma consulta com o Dr Hemmerson (obstetra) quando comecei a planejar a minha segunda gestação, pois queria muito viver uma experiência diferente. Ele me acolheu desde a primeira consulta, e me deu confiança que seria possível viver um VBAC (parto normal após cesárea). Engravidei da Bia em Maio de 2021, tive novamente uma gestação super saudável e me preparei muito para o VBAC. Minha família tinha preocupações sobre a minha decisão, mas eu e meu marido estávamos muito seguros que era a melhor opção para mim e para nossa filha. Como a indução do parto seria mais complicada no meu caso, com 39+4 fiz descolamento de membranas para estimular entrar em trabalho de parto de forma espontânea. Com 39+6 comecei a sentir contrações mais doloridas às 1:00 da manhã, ainda de 10-10min. Tentei dormir, até que às 4:00 as contrações se intensificaram, vindo a cada 5-7min e eu já não conseguia mais ficar deitada. Fui para a bola, depois coloquei o Tens e tentei tomar um banho quente. Às 7:00 estava com dor muito intensa e pedi para ser avaliada. A Morgana (doula) chegou na minha casa primeiro, começou a fazer massagens que me ajudaram muito. Logo depois chegou a Karine (enfermeira obstétrica) e viu que eu já estava com 4-5cm. Resolvemos ir ao hospital, para poder usar a banheira para alívio da dor. Cheguei lá umas 8:00 e Dr Hemmerson já estava me aguardando, com a suíte toda pronta para me receber (no meu primeiro parto tive que passar pelo PS, fazer cadastro na recepção, o que ninguém gostaria de ter que fazer sentindo as dores das contrações). Colocamos a playlist que eu tinha preparado e entrei na banheira, que me ajudou muito com a dor. Conseguia descansar nos intervalos das contrações, comer chocolate e aproveitar o momento. Até que umas 11:00 as contrações começaram a ficar insuportáveis, vinham a cada 2:00min e eu já não tinha tempo de recuperação… sentia que não conseguia respirar, de tão intensa que era a dor. Cheguei a pedir o óxido nitroso, mas como estava demorando, resolvi ir direto para a analgesia. Estava com 8cm já. Foi como se tivessem tirado toda a dor, consegui descansar e renovar minhas energias para iniciar alguns exercícios para ajudar na descida e evolução do trabalho de parto. Meu marido e minha irmã estavam comigo, me incentivando e apoiando o tempo todo. A Karine monitorava a Bia constantemente, me passando muita segurança. Morgana me orientava sobre os exercícios, colocava óleos essenciais e me ajudava com massagens para as dores. Era o dia do aniversário do Dr Hemmerson, que ao invés de estar com sua família, ficou com a gente o tempo todo. Passadas umas duas horas, a dor começou a voltar mais intensa e pedi um reforço da analgesia. Estava com bolsa íntegra ainda e resolvemos estourá-la para acelerar a progressão. Lembro que nesse momento comecei a ficar um pouco ansiosa com a progressão do TP, com receio que seria igual ao meu primeiro parto, mas o Dr Hemmerson olhou nos meus olhos e me disse que a Bia já havia passado do plano 0 e ele tinha certeza que ela nasceria em um parto vaginal. Aquela confiança era tudo que precisava no momento. Continuei me movimentando e fiquei até de cabeça para baixo, em um exercício de spinning babies para ajudar no posicionamento da Bia. O TP estava indo tranquilo, até que comecei a sentir uns tremores e percebi que estava com febre. Tenho alergia a vários remédios, então só podia tomar Tylenol. A febre fez com que o TP ficasse mais desafiador e Dr Hemmerson achou mais seguro descer para a suíte PPP próximo ao bloco. Era a mesma suíte que estive no meu primeiro parto, o que me trouxe várias lembranças. Chegando lá, sentei no banquinho e comecei a fazer força, para ajudar a Bia a descer. Meu marido ficou apoiando minhas costas e me encorajando. Minha irmã, sempre ao meu lado. Já eram 18:30, a minha febre não passava e a Bia estava em um estado fetal não tranquilizador, então Dr Hemmerson conversou comigo que precisaríamos acelerar o expulsivo pois a Bia precisava nascer. Ele disse que teríamos que usar o vácuo extrator. Fiquei com muito medo, e com receio de que o meu desejo por um parto normal poderia ter colocado a Bia em risco. Perguntei se poderíamos fazer uma cesárea, mas ele disse que a Bia já estava muito baixa e com a minha febre não seria recomendado uma cirurgia. Olhei para o meu marido, que também é médico, e perguntei se ele estava tranquilo com a decisão e ele disse que sim. Ver a confiança do meu marido em saber que eu estava sendo cuidada pelos profissionais mais competentes e experientes, me deu a segurança de que era o caminho certo. Nesse momento a Dra Mayra chegou, para auxiliar o Dr Hemmerson. Fui para a cama e comecei a fazer muita força a cada contração. Eu só pensava que precisava ajudar com todas as minhas forças para a Bia nascer logo e com saúde. Lembro que a cada força, a Morgana e a Karine me diziam que eu estava indo muito bem e Bia estava mais próxima de nascer, palavras que me davam coragem para continuar. Quando a Bia coroou, toquei a cabecinha dela, e fiquei muito emocionada que estava tão próxima de conhecê-la. Não tenho muita noção do tempo, mas acredito que em uns 20-30min de expulsivo a Bia nasceu, às 19:32, com 3,270kg e 51cm, cheia de saúde, chorando e veio direto para os meus braços. Não tenho palavras para descrever a emoção de segura-la e ver que ela estava bem! Fiquei pele a pele com ela, curtindo cada segundo daquele momento tão especial. Tive uma laceração de 2o grau e precisei de uns pontinhos, mas a recuperação foi bem mais tranquila do que imaginava que seria, e não se compara à recuperação de uma cesárea.

Nesse um mês, desde que minha filha nasceu, pensei muito sobre essa experiência, tão desafiadora e emocionante. Tenho muito mais empatia comigo mesma e entendi que no meu primeiro parto eu realmente tinha chegado no meu limite… de dor, de medo, de tudo. Não sinto mais aquele peso da culpa, que esteve comigo durante tanto tempo. Acho que na época eu não estava preparada e não teria o apoio que precisaria para viver a situação que vivi no parto da Bia. Percebi que na maternidade temos que aceitar não estarmos no controle do que acontece (logo eu, que adoro ter controle de tudo), mas controlar apenas como reagimos às situações que vivemos. Tive um parto desafiador, mas com toda a segurança de estar com os melhores profissionais, me apoiando e respeitando o tempo todo. Tive fotos e vídeos do parto (que super recomendo) e me emociono toda vez que vejo e relembro o que vivi. Me perguntaram, depois que a Bia nasceu, se meu parto foi como eu imaginei, e com certeza não foi. Mas arrisco dizer que raramente um parto é exatamente como imaginamos. Meus dois partos não foram como eu idealizei, e por isso foram ainda mais especiais e me prepararam para os muitos outros desafios que virão com a maternidade. Tenho muito orgulho do que vivi e descobri que sou muito mais forte do que pensava. Estou agora curtindo cada momento com minhas duas pequetitas, Isa e Bia, que enchem meu coração de amor e alegrias a cada dia!

Agradeço, de coração, a toda a equipe do IN, Dr Hemmerson, Karine, Morgana, Dra Mayara, Adrinez, Dra Dalila, Dra Caroline, Dra Luana, Carol (nutri) e Bel por terem cuidado de nós durante o pré natal, garantido que a Bia chegasse com segurança e me dado forças e coragem para viver essa experiência tão emocionante e transformadora. Agradeço também ao meu marido e a minha irmã por ficarem ao meu lado o tempo todo.

Hemmerson Henrique Magioni, Médico Obstetra e Diretor Técnico do Instituto Nascer – CRM-MG 34455.