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Gravidez e Bem Estar

Gravidez e Bem Estar

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A gravidez é, nada mais nada menos do que o início da vida humana. E, o que todo ser humano deseja, se não ser amado?

É durante a gravidez que a mulher e seu parceiro experimentam a maior liberação de ocitocina de suas vidas.

Ocitocina é o hormônio do amor.

O amor está no coração da poesia, da arte, da filosofia, da religião e da cultura popular; mas o amor dificilmente tem sido visto como um assunto de estudos científicos. Isto porque a pesquisa científica se tornou muito especializada e os novos dados científicos sobre o amor e todas as suas manifestações estão emergindo de múltiplas disciplinas e especialistas que detectaram detalhes pequenos, mas vitais, no quebra-cabeça dessa nova área de pesquisa, desconhecem ou são incapazes de perceber como suas descobertas se conectam com outras pesquisas.

Estudos concluem que o hormônio estrogênio estimula o comportamento materno, e que o rápido declínio nos níveis de progesterona, que ocorre no período que cerca o parto, contribui para a manifestação do comportamento materno. Sabe-se também que o hormônio ocitocina é essencial durante o processo de parto e lactação. Ele estimula as contrações uterinas para o parto do bebê e para a saída da placenta, como também o reflexo da ejeção de leite.

Outros estudos mostram que a mãe libera hormônios tipo morfina (opiáceos) durante o trabalho de parto e parto, como também o bebê. Podemos perceber que durante um certo tempo após o parto, a mãe e bebê estão impregnados com opiáceos, que levam a um começo de uma dependência, um vínculo que provavelmente se desenvolverá.

Ainda, os hormônios da família da adrenalina, geralmente vistos como hormônios da agressão, têm um papel na interação mãe e bebê imediatamente após o parto. Durante as últimas contrações antes do parto, o nível desses hormônios atinge picos na mãe. É por isso que as mulheres tendem a ficar na vertical, cheias de energia, com súbita necessidade de se agarrarem a alguém ou alguma coisa. Um dos efeitos da liberação de adrenalina é a mãe estar alerta quando o bebê nasce. O bebê por sua vez, durante as últimas e fortes contrações expulsivas, libera seus próprios hormônios da família da adrenalina. Isso possibilita ao bebê adaptar-se à privação de oxigênio, específica desse estágio do parto e o visível estado de alerta do bebê no parto, com os olhos bem abertos e pupilas dilatadas. As mães ficam fascinadas e encantadas pelo olhar fixo e atento de seus bebês recém-nascidos. Esse contato olho-no-olho é uma importante característica do início do relacionamento mãe-bebê em humanos.

Os efeitos comportamentais dos diferentes hormônios envolvidos no processo de parto e nascimento são importantes nas futuras interações entre a mãe e o bebê. Hoje a ocitocina é considerado um importante hormônio do amor. A ocitocina é um dos principais hormônios envolvidos em diferentes aspectos da sexualidade masculina e feminina. É um hormônio capaz de induzir o comportamento maternal na primeira hora após o nascimento. A ocitocina também é liberada durante o ato sexual e orgasmo pelos dois parceiros. A ocitocina tem um papel direto na reprodução. No orgasmo masculino, a liberação de ocitocina ajuda a induzir as contrações da próstata e das vesículas seminais. Durante o orgasmo feminino, o efeito imediato da liberação de ocitocina é induzir contrações uterinas, o que ajuda a transportar o esperma em direção ao óvulo para fecundá-lo. Também sabemos que a liberação de ocitocina durante a lactação, através da sucção do bebê ao seio materno é semelhante aquela durante o orgasmo.

O hormônio do amor é sempre parte de um complexo balanço hormonal. Quando há uma repentina liberação de ocitocina, a necessidade de amar pode ser direcionada em vários sentidos, de acordo com o balanço hormonal. Por isso há diferentes tipos de amor. Quando há um alto nível de prolactina a tendência é direcionar os efeitos do hormônio do amor para os bebês. A prolactina é conhecida como o hormônio necessário para iniciar e manter a lactação. A prolactina não é apenas o hormônio da maternagem, mas também atua para reduzir o desejo sexual e a pré disposição para conceber. De modo geral, mamíferas quando amamentam não estão receptivas ao macho. Sua capacidade de amar é quase que exclusivamente direcionada para os bebês.

Assim, os hormônios liberados durante a relação sexual, parto e lactação têm papéis importantes na construção do amor maternal e vínculo mãe-filho.

Quésia Villamil, Médico Ginecologista e Obstetra

CRM 40-477