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Instituto Nascer

Chegou 40 semanas

Parabéns! Hoje você completa 40 semanas de gestação.

Seu bebê chegou ao tempo. Mas talvez ainda não seja a hora de nascer. E tudo bem.

Se hoje você completa 40 semanas de gestação, a primeira coisa que queremos lhe dizer é: Parabéns!

Você percorreu uma das jornadas mais extraordinárias da vida. Foram aproximadamente 280 dias de transformações físicas, emocionais e familiares. Seu corpo mudou. Seu coração mudou. Sua forma de enxergar o mundo também mudou.

E, talvez, junto com essa felicidade, exista uma pergunta que começa a ocupar seus pensamentos: “Por que meu bebê ainda não nasceu?” Essa é uma dúvida extremamente comum.

Vivemos em uma cultura acostumada a marcar datas para tudo. Temos hora para acordar, trabalhar, viajar e até para comemorar aniversários. Mas o nascimento de um ser humano não funciona exatamente assim. A natureza não trabalha com agendas. Ela trabalha com maturidade.

40 semanas não significam atraso.

Existe uma ideia muito difundida de que a gestação “vence” nas 40 semanas. Como se essa fosse uma data limite. Na realidade, não é.

As 40 semanas representam apenas a idade gestacional estimada, calculada a partir da data da última menstruação ou corrigida pelo ultrassom do primeiro trimestre. Mas esse número não consegue prever exatamente quando um bebê individual estará pronto para nascer.

Em uma gestação saudável, é completamente esperado que o parto aconteça em qualquer momento entre 39 semanas e 41 semanas e 6 dias, desde que mãe e bebê estejam bem acompanhados. Cada bebê possui seu próprio ritmo de desenvolvimento.

Assim como nenhuma criança aprende a andar exatamente no mesmo dia da outra, também não existe um relógio biológico universal determinando o momento exato do nascimento.

O parto não começa porque o relógio marcou 40 semanas.

Durante muitos anos acreditou-se que o parto era iniciado principalmente pelo organismo materno. Hoje sabemos que a história é muito mais fascinante. As melhores evidências científicas mostram que o início do trabalho de parto resulta de uma complexa conversa biológica entre mãe, placenta e bebê.

À medida que os pulmões, o cérebro e outros órgãos fetais atingem um determinado grau de maturidade, ocorre uma verdadeira cascata de sinais hormonais e inflamatórios que modifica o útero, amadurece o colo uterino e desencadeia as contrações.

Ou seja: De certa forma, é o bebê quem participa ativamente da decisão de quando está pronto para nascer. Isso não significa que devemos esperar indefinidamente. Significa apenas que existe uma fisiologia sofisticada acontecendo, muitas vezes silenciosamente, antes das primeiras contrações.

Esperar também faz parte do nascimento.

Talvez este seja um dos momentos mais difíceis da gestação. A barriga está pesada. O sono já não é o mesmo. As perguntas chegam de todos os lados. “Já nasceu?” “Você ainda está grávida?” “Seu médico não vai marcar uma cesariana?” A ansiedade aumenta.

Mas existe uma beleza muito grande nesse tempo de espera. A espera também prepara. Enquanto todos olham apenas para o nascimento, muitas transformações continuam acontecendo dentro do útero.

O bebê segue amadurecendo o cérebro. Continua acumulando gordura importante para manter sua temperatura após o nascimento. Seu sistema imunológico também continua evoluindo. E, emocionalmente, a mãe vai, pouco a pouco, despedindo-se da gestação para dar espaço ao nascimento. Nem sempre percebemos, mas esse tempo também faz parte da maternidade.

Esperar não significa abandonar.

Esperar não é sinônimo de deixar tudo acontecer sem acompanhamento. Muito pelo contrário. Nas últimas semanas da gestação, o acompanhamento torna-se ainda mais importante.

A equipe avalia diversos aspectos, como:

  • movimentos do bebê;
  • pressão arterial materna;
  • quantidade de líquido amniótico;
  • bem-estar fetal;
  • crescimento do bebê;
  • condições do colo do útero quando necessário;
  • presença de doenças maternas ou obstétricas.

Essas informações permitem individualizar as decisões. Não existe uma única resposta válida para todas as mulheres. Existem mulheres que realmente se beneficiarão de uma indução do parto por volta de 39 ou 40 semanas. Outras poderão aguardar com segurança até 41 semanas ou um pouco mais, desde que tudo permaneça normal.

A medicina baseada em evidências caminha justamente nessa direção: oferecer o cuidado certo, para a mulher certa, no momento certo.

A ansiedade faz parte.

É natural sentir medo. É natural ficar cansada. É natural desejar conhecer logo seu bebê.

Mas tente lembrar que cada dia vivido dentro de uma gestação saudável não representa apenas “mais um dia”. Representa mais um dia de crescimento, de amadurecimento e de preparação para a vida fora do útero.

Respire. Converse com seu bebê. Aproveite esses que podem ser os últimos dias em que vocês compartilham o mesmo corpo. Daqui a alguns anos, talvez você nem se lembre exatamente em qual semana ele nasceu. Mas provavelmente lembrará da forma como foi cuidada enquanto esperava.

O Instituto Nascer acredita que cuidar também é saber esperar.

Vivemos em um país com uma das maiores taxas de cesarianas do mundo e, muitas vezes, existe a falsa impressão de que todo bebê precisa nascer antes que o trabalho de parto comece espontaneamente.

No Instituto Nascer acreditamos em outro caminho. Acreditamos que a espera, quando segura, também é um cuidado. Que a paciência pode ser uma intervenção baseada em evidências.

Que tecnologia e humanização caminham juntas. E que respeitar o tempo da fisiologia não significa abrir mão da segurança. Significa utilizar o conhecimento científico para reconhecer quando é seguro esperar e quando é hora de agir.

Essa é a essência do cuidado individualizado.

Uma última mensagem para você.

Se hoje você completa 40 semanas, não pense que seu bebê está atrasado. Pense que ele continua escrevendo, junto com você, os últimos capítulos da gravidez.

O nascimento não é apenas o fim da gestação. É o início de uma nova história. E algumas das histórias mais bonitas começam exatamente quando aprendemos que nem tudo precisa acontecer no nosso tempo.

Às vezes, basta confiar, continuar sendo bem acompanhada e permitir que a natureza faça aquilo que ela vem aperfeiçoando há milhares de anos.

Seu bebê está chegando. E nós estaremos ao seu lado, cuidando de vocês em cada etapa desse caminho.

Hemmerson Henrique Magioni, Médico Obstetra, Fundador e Diretor Técnico do Instituto Nascer, Comunidade Nascer e Nascer Academy – CRM-MG 34455

Referências:

  • American College of Obstetricians and Gynecologists. Practice Bulletin No. 226: Screening for Fetal Growth Restriction e Comitês sobre manejo da gestação a termo e pós-termo.
  • National Institute for Health and Care Excellence. Inducing Labour (NG207). Atualizado.
  • World Health Organization. WHO Recommendations: Intrapartum Care for a Positive Childbirth Experience.
  • Royal College of Obstetricians and Gynaecologists. Orientações sobre gravidez prolongada (Late-term and Post-term Pregnancy).
  • Middleton P, Shepherd E, Morris J, Crowther CA, Gomersall JC. Induction of labour at or beyond 37 weeks’ gestation. Revisão Sistemática Cochrane.
  • Grobman WA et al. Labor Induction versus Expectant Management in Low-Risk Nulliparous Women (ARRIVE Trial). New England Journal of Medicine. 2018.
  • UpToDate. Management of late-term and postterm pregnancy (acesso à literatura atual).
  • Smith R. Parturition. New England Journal of Medicine e revisões sobre os mecanismos fisiológicos do início do trabalho de parto.

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