O nascimento de um filho é um dos momentos mais marcantes da vida de uma família. Não é apenas a mulher que vivencia transformações intensas: a presença e participação ativa do pai também desempenham um papel fundamental para a saúde emocional da mãe, a segurança do bebê e a construção de um vínculo sólido entre todos.
O direito ao acompanhante de livre escolha
De acordo com a Lei Federal nº 11.108/2005, toda mulher no Brasil tem o direito de escolher um acompanhante durante o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato. Esse acompanhante pode ser o parceiro, um familiar ou alguém de confiança da gestante. Quando o pai assume esse lugar, ele não é apenas espectador, mas parte essencial da experiência do nascimento.
Apoio, confiança e segurança emocional
Diversos estudos mostram que a presença do pai no parto reduz os níveis de ansiedade e medo da mulher, favorece a evolução fisiológica do trabalho de parto e aumenta a satisfação com a experiência do nascimento. O papel do pai, nesse contexto, é oferecer apoio contínuo, transmitir confiança e garantir que a mulher se sinta acolhida e respeitada em suas escolhas.
O pai como vigilante e zelador do cuidado
O ambiente de parto pode ser um espaço de intensa vulnerabilidade para a mulher. A presença do pai funciona como um “moderador social”: ele observa, garante respeito às decisões do casal e atua como um protetor do vínculo familiar. Isso não significa assumir um papel de confronto, mas de parceria com a equipe de saúde, reforçando a importância de um cuidado humanizado.
Transformações psicológicas e cerebrais
A ciência também mostra que o nascimento transforma os pais. Pesquisas em neurociência evidenciam que assistir ao parto ativa áreas do cérebro relacionadas à empatia, ao cuidado e ao vínculo. Essa experiência desencadeia mudanças hormonais e neurológicas que favorecem uma paternidade mais ativa e presente, estimulando comportamentos de proteção, afeto e engajamento no cuidado do bebê.
Construindo uma paternidade ativa desde o início
Quando o pai participa do parto, ele inicia seu papel de cuidador desde o primeiro momento de vida do bebê. Esse envolvimento precoce fortalece o vínculo pai-filho, melhora a adaptação familiar no pós-parto e contribui para a saúde mental da mãe, reduzindo inclusive o risco de depressão pós-parto.
Conclusão
O parto não é apenas o nascimento de uma criança — é também o nascimento de uma mãe e de um pai. A participação ativa e consciente do pai nesse momento é um direito, um ato de amor e um marco transformador que repercute em toda a vida da família.
No Instituto Nascer, acreditamos que a presença do pai é parte essencial de um cuidado multiprofissional humanizado, baseado em evidências, onde ciência e afeto caminham juntos para que cada nascimento seja vivido de forma plena e respeitosa.
Hemmerson Henrique Magioni, Médico Obstetra, Fundador e Diretor Técnico do Instituto Nascer – CRM-MG 34455
Fontes:
- World Health Organization. Companion of choice during labour and childbirth for improved quality of care (2016).
- Hodnett ED, et al. Continuous support for women during childbirth. Cochrane Database Syst Rev. 2013.
- Shapiro JR, et al. Fathers’ brain responses to their infants. Social Neuroscience. 2017.
- Laws & rights: Lei Federal nº 11.108/2005 (Lei do Acompanhante).