Instituto Nascer

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A Bolsa rompeu antes de 37 semanas, e agora?

A rotura prematura de membranas é uma situação que gera medo, ansiedade e muitas dúvidas nas gestantes e famílias. No Brasil, infelizmente, ainda é comum que esse diagnóstico seja imediatamente associado à ideia de cesariana. Mas a ciência mostra outro caminho: mais cuidado, mais vigilância e decisões individualizadas baseadas em evidências.

O que é a Rotura Prematura de Membranas (RPM)?

Chamamos de Rotura Prematura de Membranas (RPM) quando a bolsa das águas se rompe antes do início do trabalho de parto.

Quando essa rotura acontece antes de 37 semanas, utilizamos o termo Rotura Prematura de Membranas Pré-termo (RPMPT ou PPROM).

Ou seja:

  • Bolsa rompeu
  • Não há contrações regulares
  • Gestação ainda não está a termo

Isso exige avaliação criteriosa e manejo especializado.

Qual a incidência?

  • A RPM ocorre em cerca de 8 a 10% de todas as gestações
  • A forma pré-termo (antes de 37 semanas) corresponde a aproximadamente 2 a 3% das gestações
  • Apesar de relativamente pouco frequente, a RPMPT é responsável por 30 a 40% dos partos prematuros

Por isso, seu manejo correto é fundamental para a saúde do bebê a curto e a longo prazo.

Quais são as possíveis causas?

Na maioria dos casos, não existe uma causa única identificável, mas alguns fatores estão associados a maior risco:

  • Infecções genitais ou urinárias
  • Histórico de parto prematuro ou RPM prévia
  • Tabagismo
  • Sangramentos no segundo e terceiro trimestres
  • Distensão uterina (gestação gemelar, polidrâmnio)
  • Alterações cervicais (colo curto)
  • Procedimentos invasivos durante a gestação

Importante reforçar: a RPM não é “culpa” da gestante.

É possível prevenir a Rotura Prematura de Membranas?

Nem sempre é possível prevenir, mas algumas estratégias reduzem o risco:

  • Pré-natal de qualidade e contínuo
  • Diagnóstico e tratamento adequado de infecções vaginais e urinárias
  • Rastreamento e manejo do colo curto em gestações de risco
  • Cessar tabagismo
  • Cuidado integral com a saúde física e emocional da gestante

A prevenção começa muito antes da bolsa romper: começa no cuidado.

O que fazer quando a bolsa rompe antes de 34 semanas?

Quando a rotura ocorre antes de 34 semanas, e a mãe e o bebê estão estáveis, a melhor evidência científica aponta para a conduta conservadora (expectante).

Isso significa:

  • Internação hospitalar
  • Monitorização rigorosa materna e fetal
  • Uso de corticosteroides antenatais para acelerar a maturação pulmonar do bebê
  • Uso de antibióticos de latência, que reduzem infecções e prolongam o tempo até o parto
  • Evitar tocolíticos de rotina
  • Avaliar neuroproteção fetal com sulfato de magnésio em idades gestacionais mais precoces

O objetivo é ganhar tempo intrauterino com segurança, porque cada dia dentro do útero importa para o desenvolvimento do bebê.

A interrupção da gestação só é indicada se surgirem sinais claros de risco, como:

  • Infecção intrauterina
  • Sofrimento fetal
  • Descolamento prematuro de placenta
  • Deterioração clínica materna

O que fazer entre 34 e 37 semanas?

Entre 34 e 37 semanas, a decisão deve ser individualizada.

As evidências mostram que:

  • A interrupção imediata pode reduzir discretamente infecções maternas
  • Mas a conduta expectante reduz complicações respiratórias e internações em UTI neonatal

Por isso, quando mãe e bebê estão bem, muitos serviços de excelência optam por manejo expectante, com vigilância cuidadosa, até próximo de 37 semanas. No Brasil a conduta mais adotada é o planejamento do parto (indução ou cesariana).

Aqui, mais do que nunca, não existe receita pronta. Existe ciência + avaliação individual + tomada de decisão compartilhada.

E após 37 semanas?

Após 37 semanas completas, a gestação é considerada a termo.

Nesse cenário:

  • O risco de infecção passa a superar os benefícios de manter a gestação
  • A recomendação é interromper a gestação, geralmente por indução do trabalho de parto
  • No entanto, se for desejo da mulher, é possível realizar uma conduta expectante por 12 a 24 horas, desde que mãe e bebê estejam bem, com informação clara sobre riscos e benefícios e dentro de uma decisão compartilhada, respeitando a autonomia da mulher e os princípios da medicina baseada em evidências.

Importante: RPM a termo não é indicação automática de cesariana. Na imensa maioria dos casos, o parto vaginal é possível, seguro e recomendado.

Bolsa rota não é sinônimo de cesariana

No Brasil, ainda persiste a falsa ideia de que bolsa rota = cesariana. Isso não é sustentado pela ciência. A rotura prematura de membranas é, na verdade, um chamado para mais cuidado, mais vigilância e mais medicina baseada em evidências.

Quando a conduta conservadora é bem indicada:

  • Salva vidas
  • Reduz prematuridade evitável
  • Protege o desenvolvimento pulmonar, neurológico e metabólico do bebê
  • Impacta positivamente a saúde ao longo de toda a vida

No Instituto Nascer, acreditamos que o parto é quase sempre consequência de mulheres bem cuidadas. E na RPM, cuidar bem significa respeitar o tempo, ouvir a ciência e individualizar decisões.

Hemmerson Henrique Magioni, Médico Obstetra, Fundador e Diretor Técnico do Instituto Nascer, Comunidade Nascer e Nascer Academy – CRM-MG 34455

Referências científicas

  • ACOG Practice Bulletin No. 217 – Prelabor Rupture of Membranes
  • RCOG Green-top Guideline No. 73 – Care of Women with Preterm Prelabour Rupture of Membranes
  • NICE Guideline NG25 – Preterm labour and birth
  • UpToDate – Preterm prelabor rupture of membranes
  • Cochrane Database of Systematic Reviews – Antibiotics for preterm prelabour rupture of membranes
  • American Journal of Obstetrics and Gynecology (AJOG) – Reviews on PPROM management

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