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Cuidados no Trabalho de Parto e Parto: Recomendações da OMS

Foto: Adriana Costa Fotografia

Recentemente a OMS (Organização Mundial de Saúde) liberou uma publicação denominada Intrapartum Care for a Positive Childbirth Experience1 contendo recomendações para os cuidados durante o trabalho de parto e parto. Como metodologia, realizaram uma extensa revisão dos estudos publicados, além dos protocolos de assistência de vários países. Os dados foram trabalhados em grupos e submetidos a uma comissão externa onde a FIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia) também estava representada. Foram selecionados os 56 cuidados considerados mais importantes e abrangentes. Questões mais especializadas, como o manejo das distocias e das alterações de vitalidade fetal não foram incluídas. 

As práticas foram classificadas como: recomendadas, não recomendadas, recomendadas apenas em contextos específicos e recomendadas apenas em protocolos de pesquisa.

Os resultados diferem muito pouco da Diretriz Nacional de Assistência ao Parto, realizadas pelo CONITEC (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS)2, construído com base nas diretrizes do NICE (National Institute for Healt and Care Excellence)3. Claramente o foco é no trabalho de parto espontâneo, com mãe e feto saudáveis e parto eutócico. No quadro 1, são listadas e resumidas as principais conclusões.

Quadro 1: Práticas recomendadas e não recomendadas, de acordo com o Modelo de cuidados intraparto da OMS, 2018. (Considerando mães e fetos/recém-natos saudáveis) .

Adaptado de WHO recommendations: intrapartum care for a positive childbirth experience1

*Consultar no original os detalhes de cada item, as evidências consultadas e as recomendações em contextos específicos e aquelas apenas para protocolos de pesquisa.

        Vejamos um pouco nossa história. Com o advento do movimento humanista na Europa renascentista, ganhou força o racionalismo e o desenvolvimento do método científico. Como consequência ocorreu um desenvolvimento acentuado das ciências médicas. O processo de medicalização e hospitalização do nascimento foi gradativamente reduzindo os altos índices de óbitos maternos e neonatais. Mais recentemente, no final do século XX, ficou claro um “efeito colateral” desse processo. Na tentativa de melhorar ainda mais os resultados, passamos a utilizar práticas, que mais tarde se mostraram não efetivas ou não indicadas. A estrutura hospitalar (ambiência) precária, associada a uma gestão da saúde que não priorizava o processo de nascimento também contribuíram para um cenário inadequado.

 Gradativamente a medicina baseada em evidências vem demonstrando que podemos fornecer uma assistência menos intervencionista, mais respeitosa e dentro dos critérios éticos da autonomia, mantendo ou melhorando os resultados perinatais.

Referências

  1. WHO recommendations: intrapartum care for a positive childbirth experience. Geneva: World Health Organization; 2018.
  2. Diretriz Nacional de Assistência ao Parto Normal: relatório. Brasília. Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, CONITEC; 2016.
  3. Intrapartum care for healthy women and babies: Clinical guideline. London. National Institute for Health and Care Excellence (NICE); 2014

*Autor: Dr. Alberto Trapani Júnior MD-PhD (SC) – Presidente da CNE de Assistência ao Parto, Puerpério e Abortamento da FEBRASGO.