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INEC – A maior dor mundo: o luto materno

Imagem: Federico Clapis

Texto direcionado à profissionais de saúde:

A maioria dos casais que vão ter um filho esperam por um bebê saudável. A descoberta de que há algo significativamente errado com o seu filho, ou que a criança sofreu uma morte intra-uterina é uma notícia devastadora. Apesar de os profissionais de saúde não poderem diminuir a enormidade dessa tragédia para os pais, eles podem conforta-los e fornecer orientações médicas que podem ajudá-los a lidar com esta forte perda.

Em 2004 durante um curso americano de Urgências e Emergências Obstétricas, eu tive contato com um tema que até então era desconhecido pra mim: o “Birth Crisis” (Crise no Nascimento). Como o médico e a equipe devem lidar com uma família que sofre por uma morte perinatal.

Foi transformador na minha vida profissional aprender os conceitos modernos de como ajudar as famílias nesse momento tão devastador. Um cuidado humano e científico da “Crise do Nascimento” é extremamente importante, pois a maneira que a família é cuidada nesse momento deixa marcas para toda uma vida.

Princípios básicos da Teoria da Crise do Nascimento:

1- Sempre que possível permitir que os pais vejam e segurem seu bebê. Garanta um local de privacidade e oriente sobre os benefícios psicológicos no futuro da vivência desse momento de despedida.

2- Na comunicação com a família, seja direto, honesto, empático e breve. Evite termos e jargões médicos.

3- Apoie a presença de familiares ao lado do casal nesse momento.

4- Respeite a decisão que cada família tome nesse momento levando em consideração suas crenças, cultura e religião.

5- Incentive a relação pais-filho referindo-se ao bebê pelo nome.

6- Incentive a construção de uma “Caixa de Memórias” com pequenas lembranças do bebê (Print do pezinho, toquinha, chumaço de cabelo, clamp do cordão e até mesmo algumas fotos). Muitas famílias não desejam essas lembranças num primeiro momento, mas a maioria delas buscam essas lembranças no futuro.

7- Ajude as famílias a buscarem uma rede de apoio pós-parto, seja ela familiar, religiosa, psicológica ou grupos de mães. Devemos ter cuidado em garantir que o apoio pós-natal deva ajudar os pais a metabolizar o luto e não ficar presos nele.

É extremamente importância que médicos obstetras, enfermeiras obstetras e doulas saibam reconhecer, cuidar e oferecer o encaminhamento necessário para as famílias nas 5 fases do luto: Negação – Raiva – Negociação e Barganha – Depressão – Aceitação.

“Com a perda de um filho, os pais não perdem apenas um ser amado, mas, principalmente, tudo o que potencialmente o filho teria podido lhes dar, se tivesse vivido. A perda de um adulto é a perda do passado, enquanto a morte de uma bebê é a perda do futuro.”

Hemmerson Magioni, Médico Obstetra, Fundador e Diretor Técnico do Instituto Nascer – CRM-MG-34455.