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INEC – Parto difícil: como reduzir a morbidade psicológica?

Imagem: Adriana Costa Fotografia

Os fatores que influenciam o bem-estar psicológico contínuo de uma mulher após o parto vaginal assistido (fórceps ou vácuo extrator) são complexos. Um grande estudo prospectivo Norwegian Mother and Child Cohort relatou que o tipo de parto não foi significativamente associado a uma mudança no sofrimento emocional. O maior preditor de sofrimento emocional pós-natal foi o sofrimento emocional pré-natal.

No entanto, outros estudos apontam que, o risco de redução do bem-estar pós-natal foi maior em mulheres que deram à luz com a ajuda de fórceps ou vácuo extrator em comparação com um parto espontâneo. Pesquisas apontam também que 42% das mulheres que tiveram parto vaginal assistido não conversaram com um profissional de saúde sobre seu parto e que 43% dessas mulheres gostariam desse diálogo.

As principais associações com um parto traumático são a falta de controle e a falta de escolha para o alívio da dor. Isso destaca a importância da tomada de decisão compartilhada, manejo adequado da dor e o papel importante das habilidades não técnicas, na condução de um parto operatório, para redução do impacto do parto no bem-estar psicológico da mulher e de sua família.

Vários estudos analisaram abordagens de debriefing para reduzir a morbidade psicológica após o parto. Uma revisão da Cochrane concluiu que há pouca ou nenhuma evidência para apoiar um efeito positivo ou adverso do debriefing psicológico para a prevenção de trauma psicológico em mulheres após o parto. No entanto, as mulheres relatam a necessidade de uma encontro após o parto para discutir o manejo de quaisquer complicações e as implicações para futuros partos.

No momento ideal, no ambiente adequado, o profissional de saúde deve solicitar avaliação adicional. O obstetra deve encaminhar as mulheres com sintomas graves contínuos para especialistas relevantes, como psicóloga e/ou psiquiatra.

As mulheres que tiveram um parto vaginal assistido (fórceps ou vácuo) sem complicações devem ser encorajadas a buscar um parto vaginal espontâneo em uma gravidez subsequente, pois há uma grande chance de sucesso. Um estudo de registro de base populacional da Suécia descobriu que 90% das mulheres que tiveram um parto assistido por ventosa com seu primeiro bebê tiveram um parto espontâneo ou não assistido com seu segundo bebê. Embora o risco de um novo parto operatório seja maior do que para mulheres que tiveram um parto não assistido na primeira gravidez, o risco absoluto é baixo. A probabilidade de obter um parto vaginal espontâneo em uma gravidez subsequente é de aproximadamente 80% para mulheres que necessitaram de partos vaginais assistidos mais complexos no centro cirúrgico. Essa orientação deve ocorrer na primeira oportunidade ou nos primeiros encontros pós-parto,.

O futuro plano de cuidados deve ser revisado cuidadosamente com mulheres que sofreram uma laceração de terceiro ou quarto grau, principalmente se forem sintomáticas, pois podem estar em risco aumentado de danos anorretais adicionais com um parto subsequente. As mulheres devem ser aconselhadas quanto ao risco de recorrência e implicações para o parto futuro.

Como a morbidade psicológica pode ser reduzida para a mulher?

A tomada de decisão compartilhada, a boa comunicação e o apoio contínuo positivo durante o trabalho de parto e nascimento têm o potencial de reduzir a morbidade psicológica após o nascimento. 

Visitar as mulheres antes da alta hospitalar para discutir a indicação de parto vaginal assistido, manejo de quaisquer complicações e aconselhamento para futuros partos. A melhor prática é quando a mulher é examinada e orientada pelo obstetra que realizou o procedimento.

Oferecer aconselhamento e apoio a mulheres que tiveram um parto traumático e desejam falar sobre sua experiência. O efeito sobre o parceiro de nascimento também deve ser considerado.

Não ofereça sessões únicas de intervenções psicológicas de alta intensidade com foco explícito em ‘reviver’ o trauma. 

Ofereça às mulheres com sintomas persistentes de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) em 1 mês encaminhamento para profissionais qualificados.

Que informações devem ser dadas às mulheres para futuros partos?

Informar as mulheres que há uma alta probabilidade de um parto vaginal espontâneo em trabalhos de parto subsequentes após o parto vaginal assistido. 

Cuidado individualizado para mulheres que sofreram laceração perineal de terceiro ou quarto grau ou que têm morbidade contínua do assoalho pélvico.

*Fonte: The Royal College of Obstetricians and Gynaecologists ( RCOG) / Obstetrics & Gynaecology / National Health Service – NHS).

Hemmerson Henrique Magioni, Médico Obstetra e Diretor Técnico do Instituto Nascer – CRM-MG 34455