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Prevenção de Pré-eclâmpsia: faz sentido tomar AAS e não fazer atividade física?

A pré-eclâmpsia (PE) é uma das principais complicações da gestação, associada a riscos para mãe e bebê, incluindo parto prematuro, restrição de crescimento fetal, e até mortalidade materna e perinatal. A prevenção da doença é um tema central na obstetrícia moderna, e ao longo dos anos o ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose ganhou protagonismo nessa estratégia.

Mas será que faz sentido usar AAS e esquecer de outras medidas igualmente importantes, como a atividade física?

O papel do AAS na prevenção da pré-eclâmpsia

Diversas revisões sistemáticas, incluindo Cochrane, e guias internacionais como da ACOG (American College of Obstetricians and Gynecologists), NICE (National Institute for Health and Care Excellence) e RCOG (Royal College of Obstetricians and Gynaecologists) recomendam o uso de AAS em dose baixa (75–150mg/dia, iniciado antes de 16 semanas) para mulheres com alto risco de desenvolver PE.

Mulheres são classificadas como de alto risco para pré-eclâmpsia quando apresentam fatores clínicos ou antecedentes que aumentam significativamente a chance da doença. Entre eles estão: histórico de pré-eclâmpsia em gestação anterior, gestação múltipla, hipertensão crônica, diabetes prévio (tipo 1 ou 2), doença renal crônica, gestações decorrentes de fertilização in vitru (FIV) e doenças autoimunes como lúpus eritematoso sistêmico ou síndrome antifosfolípide. Essas gestantes devem receber acompanhamento diferenciado e medidas preventivas desde o início da gravidez.

O benefício do AAS é claro:

  • Reduz o risco de pré-eclâmpsia em 15 a 30%;
  • Reduz em até 50% os casos graves ou precoces;
  • Melhora desfechos como restrição de crescimento intrauterino e parto prematuro.

Sem dúvida, o AAS é um dos pilares da prevenção.

O impacto da atividade física

Apesar da atenção maior dada ao AAS, a ciência mostra que a atividade física regular durante a gestação tem um impacto até maior na prevenção da pré-eclâmpsia.

Meta-análises recentes (Cochrane 2022; BJOG 2020) apontam que gestantes que praticam 150 minutos semanais de atividade física moderada reduzem o risco de PE em 40 a 50%.

Além disso, a prática de exercícios também reduz:

  • Risco de diabetes gestacional;
  • Ganho de peso excessivo;
  • Cesarianas;
  • Sintomas ansiosos e depressivos.

Ou seja, a atividade física atua de forma global na saúde da mulher e do bebê, e não deve ser negligenciada.

E o cálcio, a alimentação e outros fatores?

Outra medida com forte evidência é a suplementação de cálcio (1–1,5g/dia), especialmente em populações com baixa ingestão dietética (<800mg/dia). A Cochrane mostra redução de até 50% no risco de PE grave e eclâmpsia, além de queda na mortalidade materna.

Também fazem parte da prevenção:

  • Controle do peso antes e durante a gestação (a obesidade dobra o risco de PE);
  • Dieta balanceada, rica em frutas, verduras, fibras e com baixo consumo de ultraprocessados;
  • Correção de deficiência de vitamina D, quando presente;
  • Evitar tabaco e álcool, fatores que agravam risco cardiovascular e inflamatório.

Conclusão: a soma é o que faz diferença

Portanto, restringir a prevenção da pré-eclâmpsia apenas ao uso de AAS é um equívoco.

  • O AAS é importante, mas sozinho não basta.
  • A atividade física tem impacto ainda maior na redução do risco.
  • O cálcio, a nutrição adequada e o estilo de vida saudável completam o cuidado preventivo.

No Instituto Nascer, acreditamos que a prevenção verdadeira da pré-eclâmpsia nasce do cuidado integral: ciência, protagonismo da mulher e atenção multiprofissional.

Hemmerson Henrique Magioni, Médico Obstetra, Fundador e Diretor Técnico do Instituto Nascer – CRM-MG 34455

Fontes:

  • Roberge S, et al. Low-dose aspirin for prevention of preeclampsia and intrauterine growth restriction. Am J Obstet Gynecol. 2017.
  • Hofmeyr GJ, et al. Calcium supplementation during pregnancy for preventing hypertensive disorders. Cochrane Database Syst Rev. 2019.
  • Davenport MH, et al. Impact of prenatal exercise on maternal harms, labour and delivery outcomes: a systematic review and meta-analysis. BJOG. 2020.
  • ACOG Practice Bulletin No. 222: Gestational Hypertension and Preeclampsia. 2020.
  • NICE Guideline NG133: Hypertension in pregnancy. 2019.

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