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Relato de Parto Lilia – Cesariana Intra-Parto
Foto: Bruna Gil Fotografia

Relato de Parto Lilia – Cesariana Intra-Parto.

Não foi o parto que eu planejei, mas…

Foi uma gravidez muito tranquila, não tive enjoos, exames ok, Olívia crescendo super bem, muitos exercícios de fisioterapia com a Renata.

Com 40 semanas e 2 dias fiz um descolamento de membrana no consultório da Dra. Ludmila, estava com 2cm no dia.

A semana foi passando e a ansiedade aumentando já que no sábado completaria 41 semanas. Já tínhamos em mente que, caso o TP (trabalho de parto) não iniciasse espontaneamente, internaríamos para fazer a indução.

Na sexta-feira à noite (15/04), véspera de completarmos as 41 semanas, ligamos para a Dra. Ludmila e ela nos apresentou duas possibilidades: (i) fazer a indução no dia seguinte (sábado) ou (ii) fazer uma ultra e ver se estava tudo bem com a Olívia – em caso positivo, aguardaríamos até a segunda-feira (18/04), “dando” mais 2 dias de chance para que o TP iniciasse sem intervenção.

Resolvemos esperar e acabei passando o final de semana tranquila, pois, a ultra que fizemos no sábado com a Dra. Dalila indicava que a Olívia estava ótima (assim como minha placenta, líquido amniótico etc.). Seguimos confortáveis com o plano de esperar até a segunda-feira para induzir (ou, melhor ainda, que o TP se iniciasse ainda no sábado ou domingo).

Ainda no sábado, para posicionarmos melhor a Olívia (que estava com a cabeça encaixada na minha pélvis), fiz acupuntura e exercícios (spinning baby) com a Rebeca, minha doula.

No domingo (17/04), logo após o café-da-manhã, fiz o famoso shake natural, que a minha doula indicou. Era mais uma tentativa para ver se o TP finalmente se iniciava. Após o shake, continuei com a programação normal: fui passear no Parque das Mangabeiras e almocei na cada da avó do Lucas.

Por volta das 13:00 senti um pouco de náusea. Na sequência, às 14:30, comecei a sentir uma leve cólica – mas notei que tinham um certo ritmo (de 6 em 6 min aprox).

Ao voltarmos para casa (15:00), tive muita diarreia (seria o shake ou o início do TP?). Tomei um banho e minhas cólicas não pararam (só que agora, as cólicas já não era ritmadas). À medida que as cólicas foram evoluindo, eu me animei! Avisei à minha equipe e fiquei deitada descansando (já imaginando que poderia ter muitas horas de TP pela frente).

Às 19:00 do domingo (17/04) minha bolsa estourou. Eu estava deitada na cama e quando me levantei escorreu bastante líquido. O Lucas disse que ouviu um “ploft” e ele mesmo avisou a equipe que a bolsa tinha estourado. Nesse momento, a Rebeca, minha doula maravilhosa, foi para minha casa.

Às 20h as contrações aumentaram e eu já estava com bastante dor. Tudo bem controlado, mas bastante dolorido. Nesse momento, a Karine, minha enfermeira obstétrica também chegou na minha casa e, ao me examinar, verificou que eu estava com 3cm de dilatação. Confesso que, a partir daí, já não me lembro exatamente de todos os detalhes.

A Rebeca e o Lucas se revezavam fazendo massagem nas minhas costas. À medida que a dor evoluía, também evoluíamos os exercícios para atenuá-la. Cheguei a ir para o chuveiro com a bola de pilates – o que aliviou a dor por um certo tempo. Acho que fiquei horas ali, mas perdi a noção de tempo. A verdade é que, em casa, já estávamos esgotando os recursos para amenizar as dores das contrações.

Foi aí que, às 23h, Karine e Rebeca nos sugeriram ir à maternidade. Ao me examinar antes de irmos ao hospital, eu ainda estava com 3-4cm e o colo 70% apagado. Nessa hora lembro de que estava com muita dor – e meu semblante deve ter mudado.

Demos entrada na maternidade por volta das 23:30 (a Dra. Ludmila e a Bruna – fotógafa – já estavam lá nos esperando). Coloquei um top e fui para a banheira. Nossa… isso me deu um alívio!! Tanto alívio que fiquei ali até umas 5:00 da manhã. Nesse meio tempo alguém nos sugeriu o uso de óxido nitroso como mais uma forma de alívio de dor. Ainda na banheira, eu inalava o óxido nitroso a cada contração. Cheguei a intercalar banheira e chuveiro, mas a verdade que a banheira funcionou muito melhor pra mim.

Foto: Bruna Gil Fotografia

Às 5:00 a Lud, minha médica, me examinou. Boas notícias: eu estava com 9-10cm de dilatação! Mas também estava exausta – lidando com as contrações desde as 14:30 do dia anterior. Além disso, a cabeça da Olívia estava mal posicionada (assinclitismo fetal). Isso significava que, apesar de estar em posição cefálica, a cabeça da Olívia não estava alinhada ao canal vaginal impedindo que ela descesse. Essa condição fazia com que, a cada contração, a cabeça da Olívia pressionasse minha pélvis me causando uma dor muito forte e que não passava mesmo após a contração terminar.

Minha equipe, então, sugeriu uma analgesia para aliviar as insistentes e fortes dores e também para que eu pudesse descansar e me recompor para a sequência do parto. Tomei a analgesia às 5:20  e consegui dormir até 7:00. Acordei outra pessoa! Revigorada, lembro que olhei no espelho e minha cara de zumbi havia sumido.

Foto: Bruna Gil Fotografia

Às 7h00, eu e Rebeca começamos a fazer mil exercícios para tentar ajudar a Olívia a posicionar a cabeça corretamente. Até de cabeça pra baixo fiquei durante as contrações mas, apesar dos meus 9-10cm de dilatação, a descida da Olívia não apresentava grandes evoluções.

Como todos os sinais vitais da Olívia e meus estavam bem e estáveis, continuamos a manhã inteira em TP. Pedi mais 2 doses de analgesia e fiz muitos exercícios entre 7h e 13h. Na última dose de analgesia, às 13h, falei com o Lucas que se não tivesse mais progressão no posicionamento da Olívia iríamos para a cesárea.

E foi o que aconteceu, por volta de 15:00 a Lud me examinou e infelizmente o posicionamento da Olívia era o mesmo medido às 11:00. Ou seja, já completávamos 24h desde o inicio das contrações no domingo e, nas últimas 4h não tínhamos nenhuma evolução.

Nesse momento tomamos uma difícil decisão (porém, acertada). Aproveitando o fato de Olívia ainda tinha todos os sinais vitais muito bons, decidimos prosseguir com a cesárea – em vez de esperar alguma intercorrência ou sofrimento da bebê para termos que ir às pressas para o bloco cirúrgico.

Foto: Bruna Gil Fotografia

Chorei muito nesse momento em que tive que mudar meus planos. Foram meses me preparando psicologicamente e fisicamente para o parto da Olívia e, naquele momento, uma frustração me acometeu. Ainda assim, estávamos seguros da nossa decisão.

Minha cesárea foi do jeito que estava no meu plano de parto: colocamos uma música para o nascimento dela, abaixaram o campo cirúrgico e não faço ideia que cara que eu fiz quando eu a vi saindo, mas também não consigo esquecer.

Foto: Bruna Gil Fotografia

Obrigada a toda a minha equipe Ludmila Maria Guimarães Pereira, Doula Rebeca Charchar, Enf. Karine Bruger – IN, e Bruna Gil pelas melhores fotos e vídeo desse momento único. Obrigada ao Lucas, meu marido, que me acompanhou de perto durante todo esse processo, me apoiando, estudando e se informando para vivermos essa viagem juntos.

Agradeço também ao IN e a todas as mulheres que fizeram um relato de parto e os episódios do INFLIX, vocês amadureceram e prepararam minha mente para o meu parto. Obrigada.

Hemmerson Henrique Magioni, Médico Obstetra e Diretor Técnico do Instituto Nascer – CRM-MG 34455.

Foto: Bruna Gil Fotografia