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Relato Parto Natural na Água – Ana Carolina Garcia
Imagem: Hemmerson H. Magioni

Se me perguntassem há 1 ano atrás como seria o meu parto, eu respondia sem titubear, cesariana, é claro! Não quero correr riscos! Era isso que eu pensava, porque era isso que eu tinha ouvido de amigas, médicos, etc. Parto humanizado? Nunca! Isso é coisa de hippie, de natureba, Deus me livre…

Até que eu engravidei, fiz minha primeira consulta de pré-natal com o ginecologista que estava me acompanhando até então e, quando toquei no assunto parto, ele me disse que ainda era cedo para falar sobre isso e que para ele tanto fazia, que cobraria o mesmo valor para parto normal ou cesárea (um valor muito alto por sinal, super acima da média).

Por conta disso, fui procurar outro médico, que fosse mais obstetra do que ginecologista e segui a indicação de algumas amigas. Na primeira consulta com ela, o primeiro choque, a primeira pergunta dela foi, vamos fazer parto normal, certo? Na hora eu não tive reação, e após a consulta conversei com meu marido, e disse que estava com receio, pois não queria correr riscos… Assim, na consulta seguinte, conversamos mais e ela me esclareceu que como eu estava super saudável, sem nenhum fator de risco, o parto normal era muito melhor, mas que eu podia ficar tranquila, que se necessário, faríamos uma cesariana.

Bom, isso foi importante para quebrar o primeiro paradigma, e eu passei a cogitar a ideia do parto normal.Só que ainda haviam alguns aspectos do parto normal que me incomodavam (principalmente a episiotomia) e eu tinha algumas dúvidas que minha obstetra não me deixava muito à vontade para perguntar, sempre que eu tocava no assunto parto, ela dizia que ainda não estava na hora de falar sobre isso e as consultas eram tão rápidas que nem dava tempo de falar muita coisa…Enfim, eu não estava muito satisfeita com a situação, é como se a decisão não fosse minha e aquilo me incomodava.

Até que veio o Natal e minha melhor amiga que também estava grávida, mas morando em Florianópolis, me disse que a médica dela havia indicado uma doula (o que para mim até então, significava uma parteira…) e que esta por sua vez, havia indicado uma série de textos, links e filmes e um modelo de plano de parto. Bom, confesso que num primeiro momento, achei que minha amiga estava muito natureba e que doula era algo totalmente desnecessário, mas mesmo assim, resolvi dar uma olhada no tal modelo de plano de parto e assistir ao tal documentário, “O Renascimento do Parto”.

Nossa, aquilo causou uma reviravolta dentro de mim,e partir daquele momento eu soube que não daria para continuar com a tal obstetra e conversei com meu marido a respeito, que a princípio foi contra. Achou que era loucura mudar de médico naquela altura do campeonato, já com mais de 6 meses de gravidez e que o documentário (que ele só viu parte) era muito radical e parcial…Achei o máximo o tal plano de parto, em que eu podia escolher, dentre outras coisas, se queria fazer a episiotomia ou não.Ah! Vale dizer que adorei o filme e depois o assisti novamente com meu pai nas vésperas do meu parto e chorei muito nas duas vezes! Então quem ainda não assistiu, super recomendo!

Ainda durante a época das festas de fim de ano, conversei com 2 outras mulheres que estavam morando no Rio de Janeiro, uma grávida também e outra recém-parida que me falaram muito sobre o parto humanizadoe me ajudaram a consolidar a ideia que já vinha se formando na minha mente. Entretanto, como o preconceito ainda é grande e eu não conhecia ninguém em BH que tinha feito parto humanizado, ainda tinha dúvidas, medos e receios. Uma dessas mulheres me passou então o contato de uma clínica que uma amiga dela tinha indicado. Foi assim que cheguei até o Instituto Nascer e sou muito grata a elas por isso.

Mesmo sendo a última semana do ano, consegui marcar quase que de imediato a minha primeira consulta no Instituto Nascer, no dia 30 de dezembro de 2014. A consulta era para ser com o Dr. Hemmerson, mas como ele teve que desmarcar em cima da hora por conta de um parto, troquei a consulta e quem me atendeu foi a Dra. Giselle.

Nossa, foi muito bom, 2 horas de consulta e ela me esclareceu muitas dúvidas, saí de lá muito feliz, mas ainda não estava certa se deveria mudar de médico e de filosofia.Conversei novamente com meu marido (que deixou a decisão a meu cargo), com amigas, e com minha psicóloga e na sessão de terapia resolvemos que seria bom fazer uma nova consulta, agora com o Dr. Hemmerson para bater o martelo. Fiz a primeira consulta com ele  e a sintonia foi perfeita, sanei as dúvidas que ainda tinha, me senti segura, acolhida e tomei a minha decisão (graças a Deus que tomei essa decisão, tenho certeza de que foi a certa!). Outra coisa que foi muito importante para que eu tomasse minha decisão, foi ler os relatos de parto de outras mulheres no site do Instituto, e por essa razão, fiz questão de escrever com todo carinho e de forma bem detalhada a minha experiência, que pode ser útil para que outras mulheres também criem coragem e optem pelo parto humanizado.

E transcorreram os meses finais da gravidez na maior paz, com saúde, e sem riscos. Lá no Instituto eu ainda fiz 2 cursos práticos que foram muito úteis, além do acompanhamento com a nutricionista e fisioterapeuta (vale abrir um parêntese para o trabalho fantástico de preparação para o parto, através de ginástica e massagem perineal e EPI-NO), ambas muito queridas e competentes!

Chegamos então a 37 semanas! Tudo transcorrendo bem e no dia 16/03, segunda-feira, minha grande amiga deu à luz em Floripa com 40 semanas. Nossa que expectativa, que alegria! E ao mesmo tempo, que medo, que ansiedade e para piorar a situação, meu marido viajou a trabalho no dia seguinte com previsão de retorno apenas na terça-feira seguinte.

Na quinta-feira 19/03, consulta com Dr. Hemmerson, eu me queixava de uma secreção vaginal que muito provavelmente era a saída do tampão mucoso, o que é um dos indícios da proximidade do parto, mas que pode ocorrer semanas antes da data do parto em si. Dr. Hemmerson constatou 2 cm de dilatação, mas mesmo assim, me pediu para segurar a ansiedade, pois ainda poderia demorar umas 2 semanas até o início do trabalho de parto propriamente dito (ok, afinal foi assim mesmo que aconteceu com minha amiga, mas algo me dizia que comigo seria diferente, que estava bem próximo…). Dr. Hemmerson também sugeriu me reunir com a doula de uma vez, e assim foi feito. Voltei ao Instituto no mesmo dia, mais tarde para falar com a doula Lena que eu tinha conhecido num dos cursos e por isso a escolhido para acompanhar meu parto, e com a Renata fisioterapeuta, consulta que já estava marcada, para fazermos o EPI-NO. Essa última consulta me ajudou muito no parto, principalmente no período expulsivo. Recomento muito.

Como meu marido estava viajando e eu já com dilatação, achei melhor parar as atividades físicas que estava fazendo até a véspera para evitar acelerar a entrada em TP. Na sexta-feira 20/03fui trabalhar normalmente pela manhã, mas a tarde fiquei um pouco cansada e com dores na púbis e resolvi trabalhar de casa na parte da tarde, senti também umas contrações a noite e a Lena me sugeriu tomar um banho quente antes de dormir e tomar um buscopan. Fiz isso e consegui dormir após algum tempo. Ah, como meu marido estava viajando, fui dormir na casa do meu pai durante o fim de semana.

No sábado, os sintomas continuaram e continuei trocando mensagens pelo whatsapp com a Lena.No domingo ainda na expectativa, tive contrações com dor e cólicas a cada meia hora, e seguindo a recomendação da Lena, tomei um banho quente e um buscopan e consegui dormir, mas acordava quase que de hora em hora com dor nas costas na região lombar, e no baixo ventre. Além disso sentia tipo uns estalos na pelve e o períneo como se estivesse meio anestesiado… minha impressão era de que meu corpo estava se abrindo.

Assim, na segunda-feira 23/03 fui trabalhar normalmente pela manhã. Fiz terapia na horado almoço como de costume. Durante a sessão de terapia eu mencionei que estava com intuição de que o parto seria bem próximo, provavelmente no dia 24, aniversário de seis meses da morte da minha mãe…Eu sentia que meu corpo estava diferente, de que realmente estava para acontecer, apesar de a maioria das pessoas me dizer o contrário, principalmente meu marido e algumas amigas, tentando me tranquilizar, que eu ainda estava com 38 semanas e provavelmente só aconteceria quando eu chegasse às 40 ou 41 semanas. Seguindo a minha intuição, passei no escritório, peguei meu computador e resolvi trabalhar de casa (casa do meu pai) na parte da tarde. Cheguei inclusive a responder e-mails e fazer conferência telefônica.

15h00: Mandei mensagem para o Dr. Hemmerson dizendo que estava em contato com a Lena durante todo o final de semana e que pareceria que estava passando pelos tais pródomos. Disse pra ele que além dos 2 cm de dilatação verificados na quinta-feira, os outros sintomas tinham se intensificado e que parecia que estava saindo mais tampão mucosa e mencionei que no dia anterior no domingo tive contraçõescom dor e cólicas a cada meia hora. As contrações tinham começado novamente mas ainda não tinha contado o tempo para ver se estavam ritmadas. Queria saber se era isso mesmo ou se deveria antecipar a consulta que seria só na quinta-feira. Ele respondeu que estava tudo normal e me deu os parabéns. Disse que na dúvida poderíamos marcar uma consulta, mas que estava chegando com muitos pontos de exclamação! Que era para eu relaxar e curtir esses momentos finais. Sem ficar contando e nem observando demais meu corpo. Só relaxar…

18h30: Minha sogra e meu tio também estavam na casa do meu pai e lanchamos juntos. Eu percebi que as contrações ficaram diferentes, bem mais doloridas e ocorrendo com maior frequência.A partir daí comecei a trocar mensagens com amigas do grupo de grávidas no WhatsApp comentando como estava me sentindo, também troquei algumas mensagens com Dr. Hemmerson e com a Lena que me disseram que estava bem próximo, mas que por enquanto era para novamente tomar um banho quente e tomar um buscopanpara tentar ver se as contrações aliviavam e se eu conseguiria descansar ou dormir um pouco e manter o contato caso houvesse alguma alteração no quadro.

Mas não teve jeito, era o início do meu TP mesmo. Meu irmão me ajudou a anotar os horários das contrações que foram diminuindo o espaçamento de meia em meia hora para 15 minutos 10 até que lá para as nove meia da noite ela já estavam em sete minutos chegando em alguns casos a cinco minutos. Foi aí que as minhas amigas do grupo das grávidas me disseram Ana você já está em trabalho de parto tem que ligar pro seu médico urgente.

21h59: Mandei um WhatsApp para Dr. Hemmerson dizendo que as contrações tinham voltado e o intervalo de tempo diminuído, além da dor aumentado bastante, e que as últimas contrações tinham sido de cinco em cinco minutos. Ele me respondeu bem assim: “Que ótimo! Mande uma foto da sua carteirinha do plano de saúde.” Na sequência, ele me perguntou quais seriam as maternidades de escolha, número um e dois. Foi aí que minha ficha começou a cair… Respondi que das que eu conhecia, preferia a da Unimed, sendo então número 1, e que número 2 seria do Santa Fé, mas eu ainda não tinha visitado, estava marcado para fazer isso só na quinta-feira. Liguei para meu marido, mas não tinha mais voos naquela noite… Ele conseguiu um voo às 6h saindo de Curitiba que era nossa esperança…

22h18: Paralelamente estava conversando com a doula que me sugeriu outro banho e deixei meu celular com meu irmão enquanto isso. Contrações muito fortes, variando agora para 3 em 3 minutos e um certo enjoo.

23h23: Após um banho que aliviou um pouco as cólicas, mas não resolveu, entro em contato novamente com o Dr. Hemmerson e digo que o intervalo das contrações diminuiu pra três minutos e pergunto qual seria o próximo passo. Ele me respondeu bem assim com muito bom humor, você quem manda risos. Buscopan e tentar dormir, é possível?

23h44: Impossível dormir!!! Dr. Hemmerson respondeu:“Vamos para o Santa Fé, já estou indo. Espero você chegar,ok?” Eu estava na dúvida, mas confiei nele e disse ok, nos encontramos lá. Ele respondeu mais uma vez com bom humor, ok parabéns e muitos outros pontos de exclamação!!!

00h14: Aviso a Lena que estamos saindo de casa e ela também avisa que está no taxi. A minha mala já estava praticamente pronta a essa altura e saímos da casa do meu pai, eu, ele e meu irmão pouco mais de meia noite. Era uma noite chuvosa de segunda-feira e graças a Deus as ruas estavam desertas de forma que chegamos bem rápido ao hospital. No caminho as contrações e dores foram se intensificando ainda mais e meu irmão foi no banco de trás comigo me ajudando a passar por cada contração. Eu apertava a mão dele e dizia que não ia dar conta e ele me dava força e me acalmava… Dizia que eu havia me preparado e daria tudo certo!

Chegamos na maternidade Santa Fé e o Dr. Hemmerson que já estava lá me recebeu com um abraço. Nossa, foi muito bom, me senti acolhida e me deu confiança para continuar. Fomos então para o consultório para ele me examinar. E ele constatou 5cm de dilatação. Aí chegou a doula Lena e mais um abraço bem reconfortante. Nesse momento estava com enjoo forte por conta das contrações e vomitei no banheiro. Me sentiu um pouco melhor depois disso e ela me ajudou a me recompor para subirmos para a suíte de parto PPP.

Detalhe, subimos de escada até o 4o andar eu acho, já estávamos no 2o, e tudo de escada. Quando ela me disse isso eu não acreditei, disse que não daria conta, pois as contrações a essa altura já estavam muito próximas, quase que de 1 em 1 minuto. Mas ela me disse que iríamos no meu ritmo, sem pressa, degrau a degrau se fosse preciso… Que era bom para ajudar na dilatação. Nem sei como, mas dei conta.

A partir daí tudo foi muito rápido e intenso. Primeiro me deu uma vontade louca de fazer xixi, eu achava toda a hora que era a bolsa que iria romper, pois ainda não tinha rompido. Fiquei no banheiro por um tempo e a posição sentada no vaso me deu um certo alívio.

Porém para a Lena e para o Dr. Hemmerson não era nada confortável aquela posição. Mas eu não queria de forma alguma sair do vaso… Após um tempo eles me convenceram a sair dali e tentar sentar na bola.

Quando eu vi a banheira quislogo entrar, mas ainda não podia, pois ainda estava enchendo de água. A essa altura meu pai e meu irmão que tinham ido tratar da burocracia foram me encontrar na suite de parto. Eles ficaram no sofá que fica de um lado do quarto tendo uma cama/maca no meio e a banheira do outro lado. Aliás, gostei muito do leiaute da suite PPP, bem espaçosa o que permitiu uma certa privacidade e concentração quando estava na banheira, apesar de haver mais 4 pessoas comigo no quarto durante o trabalho de parto.

Bom, tentamos a bola e massagem nas costas,mas estava com muita dor na lombar e contrações de minuto em minuto e não aguentei ficar ali por muito tempo. A Lena sugeriu ficar de pé um pouco e quando vimos, instintivamente estava eu fazendo “pé de bailarina” e a própria Lena se surpreendeu com a rapidez do meu TP, chamando a atenção do Dr. Hemmerson de que estava próximo.

Enfim consegui entrar na banheira, trilha sonora de música clássica, luz azul e consegui relaxar um pouco e até de certa forma curtir os intervalos entre as contrações. Temos fotos ótimas desses momentos… A endorfina dá um barato, uma anestesiada, quase um prazer… até que vinha outra contração e muita dor, senti que minha filha estava já descendo e disse isso em voz alta. Dr. Hemmerson então constatou que minha dilatação estava completa, mas já?? Todos ficaram surpresos novamente. Daí foi um pulo para começarem os puxos e eu tentava me lembrar das coisas que eu tinha aprendido nos cursos, que eu tinha lido, estudado nos livros e textos e vídeos da internet.

Não sei quanto tempo durou nessa fase, eu sei é que é em um dado momento me lembro de ter dito de ter dito:“Jesus me ajuda!” por conta da dor extrema. Lembro também do meu pai e domeu irmão fazendo uma oração e mandando energias positivas para mim. Realmente o ambiente estava muito sereno e isso me ajudou muito!

A Lena e Dr. Hemmerson sempre muito atenciosos e pacientes tentaram meacalmar dizendo que a dor já ia passar, que naquela fase a dor era menor, para eu ter um pouco mais de força que eu iria aguentar…De repente uma vontade imensa de fazer cocô, muito estranho, ainda bem que eu já tinha lido sobre isso… Comento isso e a Lena diz: “que ótimo! significa cabeça já está realmente passando e pressionando o reto.”

Após essa fase dos puxos em que eu instintivamente fiquei na posição de cócoras, apoiada na lateral da banheira e  segurando os braços da Lena, resolvi mudar de posição para apoiar as costas um pouco, aí Dr. Hemmerson me disse que a Laurinha já estava com a cabecinha aparecendo e perguntou se eu queria tocar. A principio eu disse que não, na minha cabeça eu pensava que não queria. Que bobagem!Foi uma experiência incrível, isso me ajudou muito a passar pela tal fasedo círculo de fogo. Até hoje, quando toco na cabeça da minha filha me lembro daquele momento, é uma memória do tátil muito peculiar…

Ah, nesses instantes realmente a dor foi diferente, é como se fosse um ardor, e você quer que passe rápido, mas ao mesmo tempo eu tinha muito receio, pois pareceria que tudo ia rasgar, que a pele não ia aguentar, e aí o Dr. Hemmerson me diz, quase que lendo meus pensamentos: “Pegue com a sua mão, deixe fluir no seu tempo, pode ficar tranquila quenão vai arrebentar…” Contando agora é até um pouco engraçado, mas na hora,era essa a sensação que eu tinha. Depois que eu ouvi aquilo do Dr. Hemmerson relaxei um pouco mais e enfim saiu a cabecinha toda! Por uns instantes é como se eutivesse apagado, ido para outra dimensão, ou se estivesse em um tipo de transe…  Lembro-me de logo depois o Dr. Hemmerson ajudar a sair o resto do corpinho dela, tirá-la da água e entregar nos meus braços. A primeira coisa que me lembro muito bem é que ela olhou no fundo dos meus olhos e esse momento graças a Deus ficou registrado numa foto muito especial e forte!

02h58: Hora oficial do nascimento. Pelas fotos sei que nesse momento outras pessoas entraram no quarto, como pediatra e uma enfermeira, mas nem me lembro da cara deles. Naquele momento eu só enxergava a Laura na minha frente, enquanto eu tentava processar o que estava acontecendo. Outro momento inesquecível foi o primeiro chorinho da minha filha, eu comentei que era como um carneirinho. Todos começaram a rir. Esse momento também está eternizado em um vídeo, graças ao Dr. Hemmerson.

O cordão umbilical foi cortado por mim apenas quando parou de pulsar. Minha filha não teve suas vias aéreas aspiradas e nem seus olhos receberam nitrato de prata! Passados alguns instantes meu pai pegou a Laura no colo para eu poder sair da banheira e deitar na maca para a parte final do parto e avaliação médica. Novamente contrações e eis que sai a placenta. Agora sim seu parto acabou, disse o Dr. Hemmerson. Logo após ele avaliou o períneo que sofreu laceração leve de 1o grau e me deu anestesia local para suturar uns pontinhos.

A essa altura a Laura voltou aos meus braços para sua primeira mamada. Ficamos ali, nos olhando, nos tocando, pele com pele… que emoção! A enfermeira queria levá-la para o berçário para pesagem e medição pois disse estar sozinha no plantão, mas Dr. Hemmerson mais do que depressa, como um leão, protestou dizendo que era um parto humanizado e que minha filha não sairia de perto de mim de forma alguma!

E assim foi feito! Aguardamos na suíte PPP e mais tarde a enfermeira voltou, pesou e mediu minha filha na minha frente, 3,025kg e 48cm. Ficamos lá até a liberação do quarto, o que ocorreu por volta das 6 horas da manhã e a Lena e o Dr. Hemmerson ficaram conosco o tempo todo.

Em resumo, a dor do parto é maior do que eu esperava, não estava preparada para isso, e acho que ninguém está. Entretanto, é uma dor tão diferente, tão intensa, que dá até saudade dela…mas é uma dor que vale a pena, pois me senti dona do meu corpo, dona da situação, me senti realmente a protagonista da história, e acho que todas mulheres que podem (quero dizer, respeitando é claro cada situação e sobretudo a saúde e segurança da mãe do bebê) devem passar por essa experiência, não fiquem com medo. Minha filha nasceu na hora que ela queria, do jeito que a natureza programou, eu e ela juntas, ela participando ativamente do parto, de forma que nasceu tranquila, olhando pra mim, totalmente acordada e na maior tranquilidade.

Arrependimentos? Em relação ao parto, nenhum! Talvez apenas de não ter sido filmado, pois tenho receio de que as lembranças e imagens se apaguem da minha mente com o passar dos anos… E talvez arrependimento de não ter dado maior importância à minha intuição e batido o pé para que o Léo meu marido voltasse de viagem… mas de toda forma tenho muita fé em Deus e tenho certeza de que aconteceu da forma que deveria ter acontecido e foi simplesmentemaravilhoso, intenso, indescritível, espiritual, emocional, visceral, poderoso!

Só tenho que agradecer, muito obrigada Dr. Hemmerson, Lena, pai e Eduardo por me ajudarem a viver o momento mais especial da minha vida com carinho, paz e segurança, apesar da ausênciafísica do Léo e da minha mãe… Me senti acolhida de verdade, nossa ligação será eterna! Forte abraço no fundo do coração de vocês!!!

PS: Já estou com saudades e pensando no próximo parto…rsrs

Ana Carolina Garcia – Advogada