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Relato Parto Normal - Bebê foi para o CTI - Rafaela Xavier

Foto: Bruna Gil Fotografia

2 meses e meio se passaram desde o dia mais intenso e feliz da minha vida. O dia que nasceu a bebê mais linda e uma mãe muito apaixonada.

Para contar sobre esse dia, preciso contar um pouco do meu pré-natal. Descobri a gravidez com 8 semanas e decidi continuar o acompanhamento com a médica que eu havia procurado por conta de dores de cabeça frequentes no período pré-menstrual. Já tinha algumas indicações dessa médica, ela atendia meu plano de saúde, então, estava tudo certo. O fato é que toda vez que eu chegava em minha tão aguardada consulta pré-natal, era algo tão rápido e raso que saía de lá com mais dúvidas do que quando chegava. A gravidez foi avançando, percebia meu corpo mudando e já começava a pensar em como seria meu parto. Primeiramente, fiquei muito frustrada, porque meu marido não podia me acompanhar nas consultas devido à pandemia, o consultório não permitia nenhum acompanhante. Isso foi algo muito, muito frustrante. Quando resolvi perguntar sobre a via de parto, a resposta era sempre, “não precisa pensar nisso agora”. “Vamos fazer tudo para o parto normal, mas se não der, não se frustre.” E eu saía da consulta engasgada, sem saber o que pensar. Lia vários relatos de parto na internet, assistia vídeos e me emocionava pensando em como eu queria viver aquilo também. Foi quando em um dia de grande instabilidade emocional (normal na gravidez) chorei com meu marido dizendo o quanto me sentia perdida, sem informação e frustrada. Foi aí que ele prontamente pediu há alguns amigos indicação e chegamos ao Instituto Nascer. Ligamos para marcar a consulta e coincidentemente, havia uma desistência na agenda do Dr. Hemmerson no mesmo dia e fomos animados. A primeira consulta foi maravilhosa. Absolutamente esclarecedora e cheia de detalhes. Vi minha bebê se mexendo no ultrassom e acalmei meu coração aflito, pois com 21 semanas ainda não tinha sentido ela mexer dentro de mim. Saímos de lá dispostos a investir em um atendimento humanizado e personalizado, já que nossa experiência com esse novo mundo era zero!

Iniciamos ali uma linda jornada de conhecimento, estudos, dedicação rumo ao fim de março, quando completaria 40 semanas.

A semana da minha DPP foi muito difícil. A data era dia 25/03/21. Já estava pesada, cansada, ansiosa, tudo pronto e os dias pareciam que não passavam. Confesso que a ansiedade era enorme. Me informei, conversei com minha doula, com meu médico, algumas amigas, mas nada acalmava meu coração cheio de expectativa… vai ser hoje, vai ser amanhã, vai ser daqui há uma semana. Até que resolvi marcar a indução do parto para dia 01/04, caso não entrasse em TP espontâneo. Essa data, entraria na 41 semana, o que era um limite para mim!

Quando cheguei a 40.3 semanas fiz um descolamento de membrana (procedimento sugerido pelo médico e uma forma natural de indução). Nesse dia, já estava com 3 cm de dilatação e sem nenhuma dor. Com 40.5 semanas minha bolsa estourou às 00:00 horas.

Fui dormir normalmente, e acordei com um barulho de um “ploc”. Não identifiquei nada e fui ao banheiro. Quando voltei, senti descer uma água e entendi que a bolsa havia estourado. Naquela hora, meu coração acelerou, olhei para o meu marido e pensei, a aventura vai começar! É agora!

Colocamos a playlist do parto e fomos para o chuveiro. Ele, eu, e a bola de pilates. As contrações viam e iam e ficamos ali, de mãos dadas, à meia luz, ouvindo música e produzindo muita ocitocina natural para ajudar nossa pequena chegar! Mal sabíamos o que nos esperava. O tempo foi passando e o vai e vem da dor que estava suportável, foi apertando. O sangue foi saindo e comunicamos nossa doula. Ela comemorou e disse, “Rafa, você está dilatando.” ÀS 03:00 a dor já era bastante intensa e ligamos para elas pedindo que viessem até nossa casa fazer uma avaliação.

Quando elas chegaram, eu já estava em outra dimensão… não ouvia nada, apenas sentia aquela dor intensa, pensando que minha pequena estava chegando. A enfermeira obstétrica me avaliou e estava com 7 cm às 07 horas da manhã, quando decidimos ir para a maternidade. Essa assistência (doula e enfermeira obstetra) foram fundamentais para esse processo. Chegaram em nossa casa cheias de amor e ferramentas para alívio da dor. Entramos no carro e confesso que o caminho foi muito difícil. Fui atrás em posição de quatro, olhos fechados e gritando de dor.

Chegando à maternidade, meu médico, Dr. Hemmerson, já estava à nossa espera com a suíte PPP pronta. Eu queria apenas a anestesia. As dores estavam aumentando e já estava sem forças para continuar aquele processo sem ajuda medicamentosa. Desde o início, a anestesia, nunca foi uma questão para mim. Deixei claro ao meu marido que gostaria de ter nossa filha sem intervenções, mas se eu pedisse, podia me atender, que seria realmente em meu limiar. Tentamos a banheira de água quente, e de fato aliviou bastante, mas não o suficiente para que eu não continuasse a pedir a anestesia. Quando estava com 8 cm de dilatação e realmente não tinha forças para continuar, tomei uma dose de anestesia e adormeci profundamente.

Acordei por volta de 10 horas da manhã, sem dor e muito animada para continuar o processo rumo ao nascimento de Olívia. Me maquiei, dancei, fiz alguns exercícios para que Olívia ficasse bem posicionada para iniciar a descida pelo canal. Foi quando as contrações recomeçaram, porém de um jeito diferente. Era uma pressão muito forte que vinha e ia. Aos poucos, essa pressão aumentava e a dor vinha junto. Comecei a fazer força instintivamente a cada contração.

Nessa hora a equipe já sabia que começava o período expulsivo. Para mim, essa era a parte mais fácil, porém, não imaginava que seria a parte mais desafiadora. As dores aumentaram muito e o cansaço veio muito forte. Realmente, parto é movimento! É preciso estar com o condicionamento físico em dia para aguentar tantas horas de força e dor. Comecei a ficar sem lugar naquela suíte… fui para o banheiro, orava, deitava na cama, sentava no banquinho. Àquela altura, já não via ninguém, não escutava a música. Só queria que acabasse. Também não tinha como romantizar e pensar na linda vida que nos esperava dali em diante. A dor era muito forte! O cansaço estava muito presente. O calor, como se fosse uma labareda, tomava conta do meu corpo. Sentamos no banquinho de parto. Eu e meu marido atrás de mim, sentindo junto minha aflição, dor e desespero. EU segurava forte sua mão a cada contração e deitava em seu peito em cada período curto de descanso. Ele conseguia perceber a movimentação na suíte, enquanto eu estava apenas de olhos fechados. A enfermeira movimentando minha perna para facilitar a passagem, a doula abanando um maravilhoso leque, meu marido atrás de mim segurando minha barriga e meu médico sentado em minha frente segurando minha mão com força. Todos em função do #vemolívia.

Foi quando entre as contrações e forças e dores e vontade de desistir, mas sem ter como mais, pois minha filha já estava coroando e eu experimentava o famoso círculo de fogo. Nossa, que fogo! Arde e arde demais! Foi quando Dr. hemmerson falou, “Rafa, mais duas forças e ela sai!” Juntei toda a minha força e vontade e consegui finalmente expulsá-la! Ufa, que alívio, que emoção, que alegria! Ela veio para meus braços e fiquei esperando o choro que eu tanto sonhava… e ele não veio! Olívia não chorou e começou uma rápida movimentação, o qual o obstetra cortou o cordão e a pediatra já a pegou. Percebi que havia algo errado e fiquei desesperada querendo entender.  Naquele momento, mesmo sem entender, constatei o quanto uma equipe preparada é importante nesse processo.

A ação rápida da pediatra em entubá-la foi crucial. Logo ela respirou e o tubo foi retirado. Eu fui levada para a saída da placenta, muito angustiada sem entender, e meu médico levou minha filha para eu conhecer melhor. Já sem o tubo, porém me informou que ela seria conduzida à UTI Neonatal. Daí começou um capítulo que eu não havia lido nos relatos de parto. A foto oficial com a equipe, ela não estava presente. Não teve Golden hour, não teve pele a pele com o papai. Mas teve humanização, assistência, carinho e cuidado de todos em me manter informada sobre como ela estava. Meu obstetra fez questão de ir até a UTI e fazer um vídeo dela chorando e chorando muito a plenos pulmões! Que alívio!

Algumas horas após o parto eu já desci para vê-la e ficar pertinho dela.

Foi muito difícil não passar a noite com ela no quarto, não usar minha camisola de amamentação, não receber nossos pais no quarto para conhece-la. Ter que explicar o inexplicável! Naquela semana, aprendi a ser mãe! Fui conhecendo minha pequena a cada dia, aprendi a amamentar, a dar o banho, trocar a fralda, tudo na UTI.

7 dias depois nossa bebê veio para casa conosco e iniciamos nossa maior e mais desafiadora jornada. Olívia ficou esses dias em observação e exames para descartar qualquer hipótese e nos foi informado que ela é uma bebê muito saudável, mas nasceu cansadinha. Apesar de todo monitoramento, batimentos cardíacos bons, líquido claro e todos os indícios de um trabalho de parto bom, ela precisou dessa ajuda.

Na hora é difícil entender, difícil aceitar, mas hoje eu sei que ela já veio para me ensinar que maternidade é se aventurar no novo, no incalculável. Eu que sempre fui muito controladora e dona de minhas ações, percebi que não tenho controle de nada. E ta tudo bem! Ela me ensinou a ser mãe, a ser melhor, a confiar em Deus e aprendemos juntas diariamente.

Nasceu Olívia e nasceu outra Rafaela. Muito mais doce, muito mais entregue, muito mais vulnerável, muito mais amorosa e muito empática. Essa é a minha melhor versão!