Você já ouviu falar que sua mãe ou sua irmã teve pré-eclâmpsia? Essa informação simples pode ser uma das mais importantes que você compartilha com seu obstetra no início da sua gestação, e neste artigo vamos explicar por quê, com base nas melhores evidências científicas disponíveis.
O que é histórico familiar de pré-eclâmpsia?
Pré-eclâmpsia é uma condição que aparece geralmente após 20 semanas de gestação e é caracterizada por pressão arterial elevada associada a lesão de órgãos (como rins ou fígado) ou proteína na urina. Embora a causa exata ainda não seja totalmente compreendida, sabemos que aspectos genéticos e imunológicos estão envolvidos.
Quando uma mãe ou irmã teve pré-eclâmpsia, isso sugere que fatores genéticos e fisiológicos podem estar presentes em outras mulheres da família, aumentando o risco de ocorrer em outra gestação.
Quanto maior é o risco?
Estudos epidemiológicos e revisões científicas mostram que:
- Mulheres com história familiar de pré-eclâmpsia têm risco aumentado (2 a 4 vezes maior) de desenvolver a condição em comparação com mulheres sem essa história familiar.
- Esse aumento de risco está presente mesmo quando a gestante não teve pré-eclâmpsia em gestações anteriores, mas quando parentes de primeiro grau (mãe ou irmã) tiveram a condição.
Esses achados são consistentes em diretrizes da ACOG (EUA), NICE (Reino Unido) e RCOG (Reino Unido), que consideram história familiar de pré-eclâmpsia como um fator de risco clínico relevante.
Por que isso importa no pré-natal?
Identificar fatores de risco no início do pré-natal permite que a equipe saiba quais gestantes podem se beneficiar de estratégias preventivas.
As evidências mais robustas hoje mostram que:
- A iniciação de aspirina em baixa dose no primeiro trimestre (geralmente entre 12 e 16 semanas) reduz o risco de pré-eclâmpsia grave, nascimentos prematuros e desfechos adversos relacionados.
- O uso é mais eficaz quando o risco é identificado cedo, o que torna crucial saber do histórico familiar antes da 16ª semana.
O que fazer se sua mãe ou irmã teve pré-eclâmpsia?
Diga isso ao seu obstetra o mais cedo possível.
Na sua primeira consulta de pré-natal, compartilhe:
- Se sua mãe teve pré-eclâmpsia.
- Se sua irmã teve pré-eclâmpsia, e em que idade gestacional começou.
- Se houver mais detalhes (como necessidade de internação, sintomas graves ou parto prematuro).
Essa informação pode influenciar:
✔️ A decisão de iniciar aspirina em baixa dose no momento adequado.
✔️ A forma como sua pressão arterial e crescimento fetal serão acompanhados.
✔️ A estratégia de monitorização ao longo da gestação.
Conclusão
História familiar de pré-eclâmpsia não é apenas “um detalhe”, é um indicador de risco que pode transformar seu cuidado pré-natal para melhor. Informar seu obstetra sobre esse histórico é um passo simples que pode reduzir complicações e melhorar os resultados da sua gestação.
Hemmerson Henrique Magioni, Médico Obstetra, Fundador e Diretor Técnico do Instituto Nascer, Comunidade Nascer e Nascer Academy – CRM-MG 34455
Fontes e evidências científicas
Aqui estão as principais referências que embasam este conteúdo:
- ACOG Practice Bulletin – Gestational Hypertension and Preeclampsia.
- NICE Guideline NG133 – Hypertension in pregnancy: diagnosis and management.
- RCOG Green-top Guideline No. 72 – Care of Women at Risk of Pre-eclampsia.
- Revisões da Cochrane sobre uso de agentes antiplaquetários (aspirina) para prevenção de pré-eclâmpsia.




