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Episiotomia de Rotina?

Durante muitos anos a episiotomia (procedimento cirúrgico que consiste em uma incisão no períneo entre a vagina e o ânus), era uma prática rotineira. Acreditava-se que, quando se cortava a vagina, aumentando o espaço para a passagem do bebê, reduzia-se a chance de lacerações graves acontecerem no períneo.

Foi só nas duas últimas décadas que a comunidade médica observou que essa incisão não confere proteção. Estudos mostraram que a episiotomia não traz consigo o benefício de proteger o períneo contra as lacerações graves, pelo contrário, demonstraram até aumento desse risco, uma vez que pode haver extensão do corte. Alem disso, a episiotomia também está associada a maior incidência de dor no pós-parto e na relação sexual, maior ocorrência de infecção, hematoma e deiscência da sutura (abertura dos pontos). Além disso estudos mostram que a musculatura perineal submetida a episiotomia perde mais força do que aquela que a laceração acontece de forma espontânea.

As evidências científicas revelaram que esse procedimento não deveria ser feito de forma rotineira, mas sim seletiva. Por exemplo no caso de alguns bebês grandes e no momento de usar o fórceps (material rígido que será inserido dentro da vagina para auxiliar a saída fetal). Entretanto ainda não existem conclusões sobre a realização da episiotomia inclusive para esses casos.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) sugere uma taxa ideal de episiotomia nos diversos serviços em torno de 10%, realidade em muitos países europeus. Infelizmente, no Brasil, em alguns centros, a situação é ainda adversa, pois o procedimento é realizado em, aproximadamente, 94% dos partos vaginais. No Instituto Nascer a taxa de episiotomia nos últimos 8 anos, é de aproximadamente 4%. E o que a nossa prática demonstra é que ela não é necessária na maioria dos casos!

Vejam agora alguns hábitos que ajudam a evitar a episiotomia:

Com o objetivo de proteger o assoalho pélvico, a fisioterapia e a massagem perineal durante o pré-natal, são recomendados e apresentam benefícios cientificamente comprovados. Os efeitos positivos são diversos:

1) Auxiliam no ganho de flexibilidade da musculatura do assoalho pélvico e inibição de pontos de tensão no músculo.
2) Auxiliam no ganho de propriocepção, perda do medo e entendimento do direcionamento da força expulsiva que será realizada no momento do bebê nascer.
3) Auxiliam na consciência da manutenção do relaxamento do músculo no momento do expulsivo.

Outro fator que contribui para a redução estatística dessa intervenção é a mudança de posição ao longo do trabalho de parto, saindo da posição litotômica (posição deitada, comum em procedimentos cirúrgicos) e dando a liberdade de movimento para a mulher parir na posição que se sentir mais confortável.

A recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) não é de proibir a episiotomia, mas não considera nenhuma indicação absoluta para sua realização. Caso a equipe assistente julgue necessário, é fundamental a orientação e o consentimento da mulher.

Ana Paula Miranda, Fisioterapeuta Pélvica, Mestre em Ciências da Reabilitação com pesquisa direcionada para disfunções do assoalho pélvico, Professora da pós graduação de Fisioterapia em Saúde da Mulher da Faculdade Ciências Médicas – CREFITO 221766-F

Hemmerson Henrique Magioni, Médico Obstetra e Diretor Técnico do Instituto Nascer – CRM-MG 34455